As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Wednesday, July 29, 2009

Novos Povoadores no TEDx

é o mote de uma iniciativa de disseminação de ideias que nasce nos Estados Unidos em 1996 e que tem sido levada para outras partes do globo com grande sucesso.

O evento aborda vários temas, desde a tecnologia, à educação , passando por design, ciência, e tantos outros, com a particularidade de partilhar um registo inspirador: semear ideias e contribuir para um mundo melhor.

O projecto Novos Povoadores estará presente na edição de Lisboa, com a apresentação do projecto socialmente inovador de introdução de massa crítica nas zonas de baixa densidade, através de Ana Linhares.

Quando? 18 Setembro 2009
Onde? FLAD LISBOA

Acompanhe a evolução do evento através do site tedxedges.com

Sunday, July 26, 2009

"Somos muito maiores que a nossa dimensão!"


A frase que emprestou o título a este post é da autoria de Luís Amado, Ministro dos Negócios Estrangeiros e referia-se à capacidade de intervenção de Portugal no panorama internacional.

Defendia o governante que a nossa cultura e história funcionam como catalizadores nos quadros negociais das diferentes organizações em que participamos.

A reflexão que se segue é sobre os novos factores de competitividade económica. Sabemos que não são exactamente os mesmos que no passado: O poder militar, industrial e financeiro continuam centrais, mas já não absolutistas.

Hoje, o povo português é admirado pela sua simpatia, tolerância religiosa e por um território seguro e com excelentes condições climatéricas.

Na prática, temos todas as condições para ser o El Dorado da mão de obra qualificada que estão suportadas nas tecnologias digitais.

E esse é um motivo de enorme esperança!

As empresas caminham para sedes virtuais - nespresso.com e brother.com são dois exemplos que me ocorreram instantaneamente - e os sistemas de teleconferencia estão totalmente vulgarizados.

O que nos falta?!

Continua no twitter!

Friday, July 24, 2009

300ª Candidatura


Recebemos no passado dia 21 de Julho a 300ª candidatura no projecto Novos Povoadores!

Enche-nos de orgulho por vários motivos.
O percurso do 300º candidato na área da partilha de conhecimento é o motivo que merece o nosso destaque.

Uma curiosidade que responde a uma dúvida frequente: Trata-se de uma pessoa individual.

Partilhamos convosco a alegria de estarmos a desenvolver um projecto a que tanta gente responde com esperança e entusiasmo.

:-)

Wednesday, July 22, 2009

Criar novas oportunidades de negócio online



A presença na internet não pára de ganhar contornos cada vez mais dinâmicos. Estar online é uma obrigatoriedade para muitos negócios e exige novas competências para tirar partido das ferramentas disponíveis na rede, bem como na gestão das comunidades em que participamos.
Reside neste cenário muitas oportunidades, uma das quais muitíssimo bem estruturada por Michelle Dale visível no site:
virtualmissfriday, e que esperamos inspire novos povoadores.
Trata-se de um serviço de assistência e consultoria prestado totalmente via internet: assessoria de imprensa, conselhos de gestão mais ecológicos, consultoria na área das comunicações e TIC (aumentar produtividade, reduzir custos com comunicações), etc... uma série de mais valias colocadas ao dispor das empresas, todas à distância de um clique. A novidade não está realmente na natureza do serviço , mas sim na plataforma em que este é disponibilizado.
A virtualidade da internet desmaterializa muitas funções/serviços mas esses mesmos serviços continuam a ser realizados por pessoas. Isto é, por trás de um(a) assistente virtual está uma pessoa, uma empresa que presta um serviço a outra pessoa ou empresa. É o b2b - business to business - levado para a internet e que proporciona um mar de oportunidades. E há oportunidades ainda por criar. As empresas consolidam cada vez mais a sua presença online, abrindo novas responsabilidades na gestão dos conteúdos e na gestão das redes sociais, são responsabilidades que geram novas necessidades profissionais com novas competências, com a grande vantagem de poderem ser desenvolvidas a partir de qualquer local no mundo. Porque não desde
aqui ou aqui?

Saturday, July 18, 2009

O modelo de negócio móvel: factores para o sucesso futuro

Novos concorrentes nas áreas dos Media e da Internet têm cruzado as fronteiras que os separavam das telecomunicações, afectando os modelos de negócio tradicionais e reduzindo a margem de manobra dos incumbentes. Pensar de forma...

Novos concorrentes nas áreas dos Media e da Internet têm cruzado as fronteiras que os separavam das telecomunicações, afectando os modelos de negócio tradicionais e reduzindo a margem de manobra dos incumbentes. Pensar de forma orientada ao consumidor pode ser a chave para um alto desempenho na indústria das telecomunicações móveis.

Em dez anos, a indústria de telecomunicações móveis cresceu mais de dez vezes, com base em novas tecnologias, dispositivos e em serviços mais rápidos e inovadores. Actualmente, vive um clima de incerteza em relação ao futuro, caracterizado por concorrência generalizada e menores receitas médias por utilizador. A inexistência de um caminho de evolução claro propiciou o surgimento de novos "players" na área dos Media e da Internet, que ameaçam o modelo de negócio existente.

A realidade tem passado pelo mercado de voz e "messaging" e por uma incapacidade no domínio da Internet como gerador de valor, que forçaram os operadores a privilegiar tácticas de curto prazo para manter o crescimento, como sejam o ajuste de "pricing" para aumentar as receitas, ou o enfoque na captura de clientes a rivais, através de tarifários e/ou equipamentos apelativos. Num mercado amadurecido, estas tácticas não são sustentáveis; o máximo que se poderá ambicionar com elas são receitas incrementais adicionais suficientes para cobrir os custos.

Os novos "players" estão a capturar valor na convergência das indústrias de Media, telecomunicações e de Internet, e os operadores de telecomunicações, que dominam o acesso às infra-estruturas de rede, necessitam de promover uma reflexão sobre a indústria, sob o risco de se tornarem meros transmissores de sinal.

É necessário por isso encontrar e aprender rapidamente novas formas e territórios onde o êxito seja possível. Para além de permanecerem atentos às movimentações tecnológicas, devem procurar antecipar quais as alterações no modelo de negócio que um processo deste âmbito poderá gerar.

Na Accenture identificámos um conjunto de pistas para o êxito futuro das organizações pertencentes a este mercado, que qualificámos como factores de sucesso.

Inovar através da perspectiva dos consumidores
Um dos factores-chave para o sucesso consistirá na utilização da visão do cliente para promover a inovação, garantindo o desenvolvimento de produtos e serviços com maior probabilidade de procura. As empresas, ao desenvolverem soluções (por exemplo "machine-to-machine" como serviços mais eficientes para o transporte de mercadorias, gestão de frotas), deverão perspectivar o que estas representam para os clientes e qual a vantagem competitiva que originam.

Alavancar a experiência do consumidor
O enfoque no consumidor exige também a interpretação dos ciclos de experiência de utilização dos produtos e serviços. Assumindo a satisfação do cliente como a soma do conjunto de todas as experiências (e.g. produtos, serviços) com o conjunto de todas as expectativas (e.g. valores, comportamentos), algumas tendências de procura relevantes são: simplicidade, conveniência e usabilidade no produto (oferta de conteúdo de fácil utilização), transparência no "pricing" (controlo e simplicidade nos preços), controlo sobre conteúdo (abertura dos "walled gardens" através do acesso, sem restrições a conteúdos).

Desenvolver a capacidade de adaptação às necessidades dos consumidores
As ofertas de serviços são cada vez mais orientadas para um grande número de pequenos segmentos de consumidores, com pacotes diferenciados. É o modelo de distribuição "Long Tail", onde o mercado de produtos pouco populares é superior ao dos grandes êxitos (exemplos são a Amazon ou a Netflix).

Estes segmentos de consumidores são comunidades de interesses mútuos que para além de consumirem conteúdos, também os criam e partilham. As empresas de telecomunicações necessitam de interiorizar este conceito e dirigir as suas ofertas para esses "clusters" de indivíduos.

Conjugando o conceito de comunidades com o de "portal social", os operadores deparam-se com desafios para explorar os limites da tecnologia disponível, ampliando as suas ofertas com "user generated content" como blogues, "video-based services" (e.g. alojamento de vídeos, "mobile TV"), entre outros.

Procurar valor na agregação, alavancagem de inovação e eficiência
As empresas de telecomunicações deverão conseguir operar de forma eficiente nos mercados. A eficiência nas operações facilita o sucesso no "mass market", enquanto a inovação irá apelar aos mercados "high end".

A eficiência operacional deverá partir de uma alteração da visão dos indicadores de "performance" tradicionais, dando prioridade ao custo de servir um consumidor individual.

Quantos mais forem os serviços utilizados pelo cliente, maiores serão os custos de produção, comercialização e operação. Isso implicará revisitar processos de desenvolvimento para reduzir o custo de "ownership" e proteger o investimento. Os novos "players" conseguem-no e, ao expandirem os seus modelos de negócio, utilizam naturalmente estes conceitos na tomada de decisão. A redução do custo final do iPhone, dado que o utilizador é cliente do iTunes e potencial comprador de acessórios e serviços Apple, é disso exemplo.

Os operadores de telecomunicações têm vantagens competitivas que não devem ser subestimadas (tecnologia instalada e capacidade "core" do negócio), e, ao repensar a estratégia de inovação e de enfoque no cliente de telecomunicações, poderão chegar efectivamente a um alto desempenho, apesar do conturbado ambiente, num futuro próximo, das telecomunicações móveis.


* Em colaboração com Daniel Fernandes, "Analyst" da Accenture da área de Estratégia, na divisão de "Management Consulting"

"Senior Manager" da Accenture
da área de Estratégia na divisão de "Management Consulting"

in Jornal de Negócios, Emanuel Agostinho

Tuesday, July 14, 2009

Novos Povoadores na SIC MULHER


Hoje, entre as 19h e as 20h, o programa Mundo das Mulheres será dedicado ao projecto Novos Povoadores.
A temática de dinamização do interior continua na ordem do dia, e nesta 2ª vez que o canal SIC Mulheres faz referência ao projecto, contará com a presença de Frederico Lucas, representando o projecto, e com o autarca convidado Alvaro Rocha, Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova.

link do programa

Monday, July 13, 2009

Aldeias Globais




No mundo de hoje todas as empresas já foram afectadas, directamente ou indirectamente, pela globalização. A cada dia que passa, a “aldeia global” torna-se mais pequena. Essa realidade é desagradável para quem deseja estar isolado, mas nas aldeias, quer se queira ou não, ninguém vive sozinho. Todos influenciam todos.

Para os solitários estar numa aldeia é demasiada exposição, mas para as empresas viver nesse ambiente amplifica de uma forma extraordinária as oportunidades de negócio. Utilizando as ferramentas que as novas tecnologias de informação e comunicação oferecem, o mercado potencial aumenta e as distâncias tornam-se quase irrelevantes.

Portugal em muitas actividades sempre teve um problema de escala. Na aldeia global, o mercado não tem limites. Existem produtos e serviços, e existem clientes nos quatro cantos do mundo, individuais ou empresas, à procura de satisfazer as suas necessidades.

Por outro lado, a dimensão de uma empresa também deixou de ser uma condicionante e procurar parcerias tornou-se uma constante da vida.

São cada vez mais os exemplos que mostram que o mundo está a mudar e que os pequenos também podem ser grandes, com perseverança, criatividade e assegurando uma qualidade de serviço elevada.

Sítios de leilões na Internet mostram que existem nichos de mercado que podem ser preenchidos com produtos específicos e que asseguram a médio prazo rendimentos que permitem gerir um negócio a partir de casa, por exemplo. O produto pode vir do estrangeiro, o marketing é feito a partir de Portugal e a encomenda é enviada para qualquer canto do mundo.

Como em qualquer negócio, um estudo de mercado recomenda-se, mas o investimento para entrar em “jogo” é quase nulo. Todos os “jogadores” e informações estão na internet. Actualmente, uma simples e pequena loja de aldeia pode tornar-se global vendendo através da Internet, inovando nos produtos que oferece aos clientes. Há muita gente na Internet a ganhar a vida a vender sabonetes, bonecas de pano, sacos de lona reciclados ou roupa para criança. A receita é “simples”: Produtos específicos, orientados para nichos de mercado, vendidos à escala global, usando as plataformas de transporte e pagamento existentes no mercado e aceites por todos. É óbvio que a internet não cria excentricos todos os dias. Fazer negócios pela internet exige trabalho, pesquisa e paciência, tal como qualquer forma de negócio. No entanto, abre portas e tem potencialidades que vão muito para além do comércio tradicional. No saber aproveitar, pode estar um verdadeiro ganho.

in arrudatech

Saturday, June 27, 2009

Proposta RTP para o Dia de Portugal

No dia de Portugal a RTP escolheu o nosso projecto como dinamização territorial.

Uma escolha que só nos pode orgulhar!

Ver vídeo

Friday, June 12, 2009

Empreendedores portugueses marcam pontos fora de casa


Não foi por se mudar para a província mais pobre de Moçambique que Carla Pinto cruzou os braços. Perante a falta de um trabalho dentro da sua área, comunicação empresarial, decidiu desenvolver um projecto próprio, juntando a sua paixão...

Pelos quatro cantos do mundo os empresários portugueses mostram que a localização geográfica não é determinante para desenvolver projectos de sucesso. As boas ideias, aliadas à determinação e alguma sorte, são os ingredientes críticos, contados na primeira pessoa por quem os aplicou na medida certa.

Não foi por se mudar para a província mais pobre de Moçambique que Carla Pinto cruzou os braços. Perante a falta de um trabalho dentro da sua área, comunicação empresarial, decidiu desenvolver um projecto próprio, juntando a sua paixão pela moda com tecidos africanos.

Formou a Ideias a Metro, contratou um alfaiate e começou a divulgar a produção num blogue. "Comecei muito modestamente, com um blogue, as vendas na Internet. Depois, começou a haver interesse das pessoas em Portugal e em Maputo e foi como uma bola de neve", explica a empresária. O negócio foi-se expandindo, também com o desenvolvimento de interesse de clientes em Maputo, e Carla Pinto alargou a produção para dar resposta à procura. Investiu num "site" profissional, começou a vender para lojas e participou em mostras de moda em Moçambique e em Portugal.

ler artigo completo

Fátima Caçador/Casa dos Bits

Saturday, June 06, 2009

Novos Povoadores - Conquistar massa crítica para o interior do país

From iRegions

O dia-a-dia frenético das grandes cidades leva muitas famílias ao desejo de viver no interior do país. A centralização de serviços e do emprego nos centros urbanos «prende» quem lá vive e atrai um número crescente de pessoas. Para trás fica um interior com algumas infra-estruturas mas com falta de gente activa. O projecto Novos Povoadores quer inverter esta tendência e conquistar massa crítica para o interior do país, imprimindo-lhe uma nova dinâmica. Qualidade de vida e desenvolvimento rural são as premissas de um projecto fundado em Trancoso. O Café Portugal falou com Frederico Lucas, um dos responsáveis por uma iniciativa que se completa com Alexandre Ferraz e Ana Linhares.

Café Portugal - O projecto Novos Povoadores tem como principal objectivo desenvolver o interior do país. Fale-nos sobre esta iniciativa.
Frederico Lucas - O projecto Novos Povoadores surge da iniciativa de três amigos com interesse em dinamizar o interior de Portugal. A ideia tem por base um diagnóstico sobejamente conhecido: por um lado um vasto território mergulhado na problemática da interioridade, por outro, duas grandes áreas metropolitanas que concentram grande parte da economia do país, recursos humanos inclusive. Uma situação que urge travar para um maior equilíbrio territorial, fortemente encorajado pelo uso crescente das novas tecnologias e também pelo índice de saturação que vem afectando as pessoas imobilizadas na correria urbana. O projecto procura, por um lado a introdução de massa crítica em territórios de baixa densidade. Fundamentalmente, pretende-se que os Novos Povoadores venham ajudar a dinamizar o território. Com a sua experiência, a sua capacidade empreendedora, o seu dinamismo, vão imprimir um novo ritmo no desenvolvimento das regiões. Por outro lado, a melhoria da qualidade de vida das famílias: as famílias que optam por deixar as áreas metropolitanas beneficiam de todas as vantagens associadas a uma vida mais oxigenada em meio rural.

CP - O empreendedorismo é um dos pontos de referência que a família «Novo Povoador» deve possuir. Na ficha de candidatura pedem uma ideia empreendedora. Esta deve ser apresentada desde logo pelo candidato?
F.L. - Considerando o objectivo do projecto, introduzir massa crítica nos territórios de menor densidade, o factor empreendedorismo é importante e desejável devendo corresponder a uma ideia do candidato. Saliente-se, contudo, que não é indispensável avançar com um modelo de negócio por conta própria para responder aos objectivos do projecto. A própria personalidade dos Novos Povoadores pode gerar dinâmicas que estimulem a economia local. O facto de ter uma participação activa na sociedade civil nos mais variados domínios (lazer e bem estar, desporto, cultura, política) pode efectivamente «energizar» o território e ter um efeito multiplicador junto dos restantes habitantes.

CP - As famílias interessadas podem escolher uma localidade a nível nacional, ou restringem-se a uma região?
F.L. - Na fase experimental os candidatos nomeiam apenas os distritos. A partir de 2011 as famílias poderão definir uma aldeia.

CP - Os Novo Povoadores querem imprimir uma nova tendência no mercado. Existe, contudo, um número limitado de famílias a beneficiar deste projecto?
F.L. - Não existem números fixos. O projecto Novos Povoadores ambiciona acelerar uma tendência pelo que quanto maior o número de candidatos maiores são as probabilidades de identificar as famílias que reúnem as condições para iniciar o processo de mudança. Quanto ao processo migratório é desejavelmente um processo lento dado o nível de compromisso que implica. Tem de se verificar um período de reflexão e amadurecimento da ideia antes de completar o processo. A metodologia de intervenção do projecto Novos Povoadores prevê nesta medida várias visitas ao território com vista à criação de laços com a região que constituirão referências importantes na integração das famílias.

CP - Centremos, agora, a conversa no desenvolvimento regional. O que falta em Portugal para alavancar o país interior?
F.L. - O diagnóstico existe, é exaustivo, multiplicando-se os estudos e planos estratégicos de Norte a Sul de Portugal. Não há um município que não esteja implicado numa estratégia de desenvolvimento supra-municipal. Isto é, no plano teórico, podemos considerar que o país está muitíssimo bem preparado mas não tem existido o incentivo necessário para mobilizar a iniciativa privada a optar pelo interior do país. Um interior infra-estruturado que continua à espera de ser potencializado. Numa economia sem geografia onde o capital intelectual vem conquistando novas fronteiras, onde a inteligência colectiva formata um novo pensamento, a desmaterialização da economia abre um vasto campo de possibilidades também no meio rural. O que falta então? A coesão territorial é um acto de cidadania que a classe política não tem sabido mobilizar. Sem liderança, sem estímulo, sem confiança, dificilmente os actores económicos - motor do desenvolvimento - iniciarão um processo massivo que venha a equilibrar a geografia económica do país. Contudo, há espaço para visionários.

CP - No passado foram já empreendidos projectos como o vosso. O que tem este projecto de desenvolvimento regional que o distingue dos outros e pode torná-lo um caso de sucesso?
F.L. - É um projecto que apresenta uma solução clara a uma problemática complexa. Responde aos anseios de uma população citadina cansada do ritmo frenético e apresenta uma solução inovadora às regiões menos desenvolvidas. Traduz uma visão integrada de desenvolvimento territorial.

CP - As três pessoas envolvidas neste projecto vivem no interior. São já um exemplo de novos povoadores?
F.L. - A ideia surge em Trancoso. Encontrámo-nos nesta bela Aldeia Histórica de Portugal, oriundos de 3 sítios bem distintos. A Ana é de Barcelos, o Alexandre de Pombal e o Frederico de Lisboa. A trajectória pessoal e profissional fez com que optássemos por um ritmo mais tranquilo, pelo que sim, somos Novos Povoadores.

in Café Portugal, Sara Pelicano

Monday, June 01, 2009

Quem tem telhados verdes... poupa na energia



por ANA BELA FERREIRA
DN - 31-05-2009

A Suécia é um dos países mais ecológicos do mundo. A sua consciência verde começou a ser trabalhada há décadas, e hoje em dia todos separam o lixo e trocam o carro pela bicicleta ou pelos transportes públicos sem reclamar. Aqui existem ainda bairros ecológicos e sustentáveis com jardins nos telhados, que servem para manter as casas quentes.

E se pudesse escolher, desenhar e mudar o bairro onde vive ao seu gosto? Os habitantes da zona problemática de Augustenborg, em Malmö, Suécia, puderam fazê-lo há 11 anos e agora vivem num dos bairros mais ecológicos do mundo. Aqui o que conta são os pormenores baseados nos desejos dos habitantes.

As casas têm jardins nos telhados, 14 centros de reciclagem, uma escola e um lar para idosos que fabricam a energia que gastam e parques infantis desenhados pelas crianças. A vontade dos mais novos foi ouvida até para a criação de um "hotel para coelhos", um local onde estão mais de cem coelhos que pertencem às crianças de Augustenborg que não podem ter animais de estimação em casa.

Os três mil habitantes desta área são até mais saudáveis do que os restantes habitantes de Malmö, segundo a convicção de Louise Lundberg, da Associação Telhados Verdes Escandinavos. É que além dos jardins em frente das casas, este bairro tem jardins no telhado.

Uma inovação que permite manter o interior quente e que ajuda a absorver grande parte da água da chuva - um problema da zona até à reconstrução. Estes telhados são ainda "uma forma de proteger alguns ecossistemas que as cidades destruíram", defende Louise Lundberg, enquanto mostra os telhados verdes que constrói.

O único senão desta aplicação amiga do ambiente é o preço. A instalação custa 500 a 900 euros por metro quadrado. De resto, este será provavelmente o único dinheiro gasto, pois os telhados-jardins não precisam de manutenção. O solo apenas precisa de ser fertilizado de dois em dois anos e as plantas escolhidas não deixam crescer ervas daninhas e mantêm-se pequenas.

Além dos telhados, todos os edifícios têm outras características que os tornam sustentáveis do ponto de vista ambiental. Para lá dos tradicionais painéis solares para aquecimento e painéis fotovoltaicos para gerar electricidade, as casas recebem energia produzida pelo tratamento do lixo gerado no bairro, que também produz biogás, que alimenta as casas e os transportes públicos.

Um dos exemplos do funcionamento do sistema é a escola de Augustenborg, onde estudam 80 crianças. O espaço tem painéis solares, tintas não poluentes, telhados verdes, sistema inteligente de ventilação e iluminação (que se accionam só quando alguém está na sala).

Esta escola sem muros nem vedações, rodeada por jardins cuidados, e onde os alunos têm aulas no exterior, está construída por módulos, podendo assim ser deslocada de forma separada. "Se a escola for grande de mais para o número de alunos e outra escola precisar de mais espaço, pode deslocar-se um módulo daqui", explica a técnica dos telhados verdes.

Mas se este espaço onde as crianças circulam descontraidamente de jardim em jardim resultou de uma reconstrução financiada pela União Europeia e pela empresa de construção, outros na Suécia foram construídos de raiz a pensar no meio ambiente.
Malmö tem um desses bairros, mas o mais famoso é o Hammerby Sjöstad, em Estocolmo. Esta zona da cidade começou a ser planeada em 1990 para ser a aldeia olímpica de 2004, com a ideia de fazer os Jogos Olímpicos mais limpos de sempre, que acabaram por se realizar em Atenas.

"O objectivo desta construção é que 50% da energia consumida pelos habitantes seja produzida por eles", refere Melina Karlsson, do centro de informação do bairro.
Num cubo de vidro com vista para a zona, a técnica faz questão de sublinhar que as rendas não ultrapassam os 600 euros por mês, que as casas pertencem ao município e que usam tecnologia semelhante à do bairro de Augustenborg.

Enquanto isso, o pouco calor que se faz sentir leva dezenas de crianças a aproveitar a água das fontes instaladas nas ruas de Hammerby. Provavelmente ainda não sabem, mas estas crianças estão a contribuir para um planeta mais verde e menos poluente

Saturday, May 30, 2009

Évora: Primeiro Município a acolher Novos Povoadores

Foi com enorme satisfação que participámos no primeiro anúncio público de adesão ao nosso projecto.

Foi ontem apresentado no Salão Nobre da Autarquia Éborense o projecto Novos Povoadores à Comunicação Social, pelo autarca José Ernesto d'Oliveira.

Évora vive um momento interessante da sua história face aos projectos de instalação do cluster aeronáutico no seu território.

Trata-se de uma cidade com população jovem fruto da sua universidade, com uma arquitectura rasteira e com as "melhores noites do mundo" segundo o autarca!

A ligação a Lisboa pela A6 facilitam-lhe a conectividade.

Para os autores deste projecto é uma enorme honra o acolhimento que receberam desta cidade.

Monday, May 18, 2009

Agricultura Biológica

Os territórios de interior têm potencialidades ainda não devidamente valorizadas. A agricultura biológica pode ser uma delas promovendo a sustentabilidade destes territórios.

A agricultura biológica procura alcançar o equilíbrio e biodiversidade dos sistemas agrários, excluindo a quase totalidade de produtos químicos de síntese, protegendo a fertilidade do solo, minimizando a utilização de recursos não renováveis e recorrendo sempre que possível a recursos renováveis locais.

De acordo com o estudo Mundo da Agricultura Biológica 2007 o valor das vendas globais de alimentos e bebidas biológicos aumentou 43% entre 2002 e 2005.

Saiba mais em:

http://www.agrobio.pt/agricultura_biologica.php

http://www.confagri.pt/PoliticaAgricola/Temas/AgriculturaBiologica/ProdutosRegrasObrigacoes.htm

http://ec.europa.eu/agriculture/organic/organic-farming_pt



Também a Permacultura – Permanent agriculture – procura a planificar e construir, positiva e globalmente, habitats humanos em harmonia com a natureza. Baseia-se em 3 princípios éticos: cuidar da natureza, cuidar das pessoas e limitar o consumo. Em Portugal existem já alguns projectos em desenvolvimento.


Saiba mais em:


http://www.nelsonavelar.com/permacultura/index_permacultura.htm

http://www.nelsonavelar.com/permacultura/permacultura_projectos.htm

http://www.portugalpermaculture.blogspot.com/

Saturday, May 16, 2009

Arquitectura Sustentável



Quem pretende mudar algo de importante na sua vida - como é o caso de um processo migratório - possui geralmente motivações muito fortes.
A sustentabilidade ambiental e familiar estão entre os factores mais referidos pelos candidados ao processo migratório.

Partilhamos por isso o link de um interessante gabinete de arquitectura altius.net que identificámos recentemente.

Boas ideias!

Friday, May 08, 2009

Dia do empreendedor



Celebrámos no dia 1 de Maio o dia do trabalhador. Trata-se duma celebração importante e que sublinha um caminho longo de conquista da dignidade do trabalho no contexto social.

Uma reflexão mais profunda sobre o significado da celebração leva-nos no entanto a constatar que o espectro daquilo que pode ser considerado trabalho é hoje muito mais alargado do que era há algumas décadas e do que era em 1886 quando os trabalhadores de Chicago se rebelaram em defesa da jornada de oito horas de trabalho.

A dicotomia trabalho / capital mantém-se actual em muitos domínios e sectores, mas é hoje complementada por outras realidades cada vez mas importantes como o trabalho de âmbito social, o trabalho por conta própria ou as múltiplas formas de “trabalho” empreendedor.

Sem reduzir a importância e simbolismo do dia do trabalhador, a nossa sociedade deve encontrar uma forma de celebrar de forma mais clara as atitudes empreendedoras que cruzam uma dimensão ética de trabalho e de capital, gerando riqueza e oportunidades de desenvolvimento.

As sociedades modernas distinguem-se pelo capital acumulado de conhecimento, tecnologia e capacidade inovadora, mas também pela confiança e pelo risco com estão dispostas a tirar partido do capital social para gerar dinâmicas de progresso.

A economia sustentável que vai emergir com maior ou menor dificuldade da actual crise que atravessamos vai continuar a precisar muito de investidores e de trabalhadores, mas terá como “pivots” os empreendedores, estejam eles onde estiverem nas várias categorias sociais que se vierem a formar.

Acredito que mais cedo ou mais tarde teremos um dia mundial dedicado à celebração das atitudes éticas e empreendedoras. Não tenho a veleidade de o propor. Apenas assinalo uma tendência que gostaria que se viesse a concretizar, mas que antes de ser consagrada num dia comemorativo, se tem que afirmar nos comportamentos e nas decisões quer tomamos em cada dia, fazendo dele um dia do empreendedor que há em cada um de nós.

in Fazer Acontecer, Carlos Zorrinho
image from knol

Saturday, April 11, 2009

Portugal na rota do Outsourcing



Empresas do sector pretendem criar 10.000 postos de trabalho nos próximos sete anos

A Associação Portugal Outsourcing (APO) quer colocar o nosso país no mapa mundial dos locais que prestam serviços BPO (Business Process Outsourcing). A prioridade é captar clientes de outros países europeus que querem deslocalizar as suas operações e processos de negócio para Portugal (nearshore), tirando partido da proximidade e das diminutas diferenças culturais (em comparação com a Índia ou a China). Segundo Frederico Moreira Rato, presidente da direcção da APO (em representação da Reditus), se esta estratégia for bem sucedida vai ser possível criar nos próximos anos 10.000 postos de trabalho, muitos dos quais fora das grandes cidades. A associação pretende que o sector seja responsável por 1% do produto interno bruto (PIB) nos próximos sete anos, contra os actuais 0,34%. Actualmente, o valor da área de outsourcing cifra-se em €561 milhões, o que está muito abaixo da média europeia (0,61%) e dos países que apostaram forte nesta área. Por exemplo, no Reino Unido representa 1,4% do PIB e na Roménia pesa 2,8%.


Frederico Moreira Rato vai dialogar com o Governo

Muito mais do que simples centros de contacto telefónico, os 15 membros da APO — entre os quais estão empresas nacionais e internacionais como a Accenture, Cap Gemini, Delloite, Glintt, IBM, Indra, Logica, Novabase, Portugal Telecom ou Reditus — pretendem trazer para Portugal centros BPO. Ou seja, pretendem deslocalizar para o país processos de negócio de médias e grandes organizações. Uma transferência que pressupõe a existência de organizações com as melhores práticas e recursos humanos qualificados. “Para que o sector seja bem sucedido, haverá fortes investimentos em formação e qualificação dos trabalhadores”, sublinha Moreira Rato.

Curiosamente, o actual contexto de crise económica até poderá ser vantajoso para o sector. “Há muitas organizações que estão a usar o outsourcing para se adaptarem aos tempos difíceis, na medida em que permite transformar custos fixos em variáveis e obter maior eficiência e qualidade de serviço”, adianta o presidente da APO.


Código de conduta

Mas, para que Portugal se posicione como um destino credível para serviços BPO, a associação (que já representa 81% do mercado nacional) está a procurar que os seus associados adoptem as melhores práticas, de forma a evitar que o bom nome do país no sector possa ser prejudicado pela existência de prestadores com menor qualidade de serviço. “Queremos evitar que uma maçã podre contamine as outras”, diz Moreira Rato. Para o efeito, foram constituídos diversos grupos de trabalho que vão elaborar um código de conduta (coordenado por Fernando Resina da Silva) e enviar propostas ao Governo para criar uma regulação específica ao nível dos contratos de trabalho (tarefa a cargo de Cavaleiro Brandão e Bagão Félix) e da fiscalidade (António Lobo Xavier). “Para sermos competitivos face aos concorrentes, será necessário adaptar o actual quadro fiscal e flexibilizar formas de contratação”, defende o presidente da APO.

A associação quer também promover a adopção do outsourcing na administração pública e está a fazer um estudo de benchmark (comparação) internacional, coordenado por Álvaro Ferreira, em que participará a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal). “Queremos identificar as vantagens de Portugal para os clientes estrangeiros, nomeadamente da Europa”, refere Moreira Rato.

Para debater estes problemas e colocar em realce as vantagens do país no outsourcing (ver caixa), a APO vai realizar este ano a primeira conferência anual, que trará a Portugal diversos especialistas internacionais, e desencadear um diálogo com o Governo, nomeadamente com Carlos Zorrinho, gestor do Plano Tecnológico.

João Ramos jramos@expresso.impresa.pt



BARREIRAS

LEIS DO TRABALHO

Modelo de remuneração rígido e falta de flexibilidade na contratação. A legislação do trabalho dificulta a prestação de serviços para o estrangeiro

FISCALIDADE

IVA e IRC em Portugal é dos mais elevados da Europa, o que retira competitividade ao sector. E, ao contrário de outros países, não existe regime específico para o outsourcing

CULTURA

Existe uma percepção negativa do outsourcing na opinião pública, ao nível da protecção do emprego e de direitos laborais

IMAGEM

Portugal continua a não ser encarado como uma primeira escolha pelos potenciais clientes internacionais

NÚMEROS

561 milhões de euros é o valor actual do negócios de outsourcing em Portugal, dos quais €267 milhões são de tecnologias de informação e €294 milhões são de BPO)

43 mil postos de trabalho de outsourcing em Portugal são as previsões para 2015, graças ao forte incremento do negócio externo

VANTAGENS

RECURSOS HUMANOS

Disponibilidade de elevada quantidade de recursos humanos qualificados com salários competitivos

FLEXIBILIDADE

Capacidade inata dos portugueses em se adaptarem a outras culturas e facilidade aprendizagem de outras

TELECOMUNICAÇÕES

Rede de banda larga com cobertura e qualidade dentro dos parâmetros dos países mais desenvolvidos

CUSTOS

Em relação a outros países europeus, Portugal tem preços competitivos ao nível de mão-de-obra e de instalações

ESPAÇO EUROPEU

Mobilidade da força de trabalho, bens e capitais é facilitada pelo facto de Portugal fazer parte da zona euro e do espaço Schengen

in EXPRESSO

Sunday, April 05, 2009

Uma revolução silenciosa

From Inovação & Inclusão

por António Bob dos Santos

Nos últimos anos temos assistido a uma penetração cada vez maior das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) no nosso dia-a-dia. Se está a ler este artigo é provável que possua pelo menos um telemóvel (possivelmente com acesso à Internet), um computador (provavelmente portátil), que entregue a sua declaração de impostos pela internet (bem como utilize outros serviços públicos online) e que esteja inserido numa ou mais redes sociais (Facebook, Hi5, Orkut, Twitter, Linkdin, etc.). Embora esta não seja ainda uma situação igual para todos os portugueses, há segmentos da população onde esta realidade é mais evidente. Por exemplo, cerca de 85% dos jovens entre os 10 e 15 anos são utilizadores de telemóvel (62% em 2005)[1], mais de 90% utilizam regularmente a Internet, e uma percentagem muito elevada frequenta as redes sociais. O mesmo se passa na faixa etária dos 16-24 anos, onde, por exemplo, o número de utilizadores da Internet passou de 64% em 2004 para cerca de 90% em 2008[2]. É esta geração que irá entrar no mercado de trabalho daqui a poucos anos; não serão apenas consumidores de serviços online e de gadgets, mas também produtores e construtores de uma nova realidade, aproveitando as oportunidades da Web 2.0 e da futura Web 3.0. Trata-se também de uma geração ao mesmo nível que o resto dos jovens europeus no que respeita ao acesso às tecnologias de informação e comunicação (TIC). O grande desafio será na utilização dessas mesmas tecnologias, na capacidade de as usar para acrescentar valor ao que já existe. E essa capacidade pode ser “aprendida” e estimulada pelos professores, pela família, mas principalmente pelos seus pares, ou seja, pelo contacto com os milhares de jovens que em todo o mundo acedem à Internet e às redes sociais.

Nunca como agora foi possível aceder e também participar na construção de redes globais de conhecimento, de partilha, de interacção. Contudo, se hoje as nossas sociedades são cada vez mais globais e interligadas, muito devido ao desenvolvimento das TIC, há também uma tendência para que as diferenças e as especificidades de cada um tomem uma importância sem precedentes. As dinâmicas globais estimulam também a construção de “personalidades” cada vez mais diferenciadas, dada a facilidade de acesso à informação e aos conteúdos que mais nos interessam. É fácil hoje em dia construirmos os nossos próprios espaços na rede global, com ou sem limites, dado que somos nós que os definimos. É por isso que acredito que os jovens que actualmente “vivem” na Internet estão silenciosamente a construir uma sociedade mais heterogénea, multicultural, multifacetada e mais criativa, elementos propícios a uma dinâmica de progresso e de inovação.

Creative Commons License

[1] Cardoso, Gustavo, Rita Espanha e Tiago Lapa (2008), E-Generation 2008: Os Usos de Media pelas Crianças e Jovens em Portugal, CIES-ISCTE

[2] INE/UMIC, Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias 2002 - 2008.

Friday, March 27, 2009

Munícipios do interior perdem 10% de populaçãopor ano

por Ana Tomás Ribeiro



A desertificação do interior do país continua a crescer e boa parte destas autarquias perdem anualmente entre 10% a 15% da população, disse ao DN o presidente da Associação Nacional dos Municípios. O projecto Novos Povoadores, que quer levar para lá quem vive nas grandes cidades, já contava ontem com mais de cem famílias candidatas à mudança.

A desertificação do interior do país continua a crescer. "Uma parte dos municípios do interior já está a perder anualmente entre 10% a 15 da sua população " ,disse ontem ao DN o presidente da Associação Nacional dos Municípios, Fernando Ruas, baseando os seus cálculos em dados dos censos populacionais. Uma percentagem que virá a agravar-se se nada se fizer para travar o problema.

O autarca diz que não existem políticas nacionais para combater o problema, que não se resolve apenas com medidas locais. Pelo contrário, diz, há até políticas nacionais que têm "incentivado ou acelerado o despovoamento de algumas regiões, como é o caso do encerramento de serviços públicos" , como as maternidades. As grandes obras públicas que o Governo quer levar por diante são para o representante dos autarcas, projectos importantes para o país em termos de combate ao desemprego. "Mas uma parte da mão-de-obra para as executar também sairá do interior e isso poderá ser mais um factor a contribuir para a desertificação".

A prioridade da associação é travar a saída de mais pessoas do interior e fixar as famílias que lá existem. Com esse objectivo aquela estrutura associativa apresentou recentemente ao Governo um programa de combate ao problema que exige apoios estatais da ordem dos 730 milhões de euros com os quais "os munícipes podiam alavancar quer o emprego quer as economias locais", referiu Fernando Ruas. Aguardam agora pela resposta governamental.

Quanto a atrair pessoas dos grandes centros urbanos para essas regiões, um objectivo do projecto Novos Povoa- dores, cujos primeiro dados foram divulgados ontem pelo DN, considera que é importante, mas não prioritário.

Seja como for o projecto criado por três amigos - Frederico Lucas, Ana Linhares e Alexandre Ferraz (ver caixa perfis) - e que conta, na sua implementação com a parceria do Intec, Instituto de Tecnologia Comportamental, e coma experiência de Patrícia Palma e Miguel Lopes (ver caixa)- já contava ontem com mais de cem famílias candidatas a deixar os grandes centros urbanos para irem viver para uma cidade de média dimensão.

A primeira autarquia a acolher alguns destes novos povoadores, que deverão mudar-se no início do próximo ano lectivo, será Abrantes. A Câmara local e a Associação Tagus Vallei, a promotora do Tecnopólo Vale do Tejo, deverão assinar o protocolo com os Novos Povoadores ainda em Abril , disse ao DN Céu Albuquerque, vereadora do ambiente e desenvolvimento económico daquela autarquia (ver reportagem no texto ao lado). Numa primeira fase vão acolher 20 famílias. Mas há já outros municípios interessados na ideia.

in DN

Thursday, March 26, 2009

33 famílias serão Novos Povoadores do interior em Setembro

por Ana Tomás Ribeiro



Há 277 municípios a precisar de recursos humanos. E famílias de grandes cidades a quererem mudar de vida. O projecto Novos Povoadores é o ponto de encontro.

Há 277 municípios a precisar de recursos humanos qualificados e de gente empreendedora capaz de criar projectos geradores de emprego, com efeito multiplicador, e de competir a nível internacional. E há certamente famílias nos grande centros urbanos com vontade de mudarem para a província, para desenvolver um projecto próprio tendo mais qualidade de vida.

Foi nisto que Frederico Lucas pensou quando decidiu desafiar dois amigos, a Ana Linhares, socióloga, e o Alexandre Ferraz, técnico de uma associação de desenvolvimento local em Trancoso, para criarem conjuntamente o projecto Novos Povoadores (divulgado pela Visão há duas semanas), que tem como objectivo encontrar, nos grandes centros urbanos, candidatos à altura das necessidades regionais. Depois era preciso encontrar um parceiro que os ajudasse a pôr em prática o desafio. Encontraram o Intec - Instituto de Tecnologia Comportamental. Assim, o projecto só começou a ser posto em prática em Dezembro.

De então para cá já se candidataram 25 famílias. "Mas daqui por um mês já devemos ter 100 candidaturas. Uma estimativa que faço de acordo com o número de contactos que temos recebido", explica Frederico Lucas.

Para garantir o sucesso da família na sua nova vida, um dos membros do casal deverá ter um emprego assegurado, quer por via da transferência da sua actual entidade empregadora ou de uma entidade da região que o venha previamente a contratar. O outro membro da família terá de desenvolver um projecto empreendedor, para o qual conta, desde logo, com apoios de várias entidades, incluindo do próprio município.

Contudo, das cem famílias que deverão ser candidatas dentro de um mês, só um terço concretizará a mudança. Ou seja, 33.

De acordo com o cálculos de um dos mentores do projecto, "a maioria vai desistir ou prorrogar a decisão a meio do processo de aproximação à nova realidade. Um processo que pretendemos fazer de uma forma lenta, e com várias etapas, para que os candidatos se apercebam de todos os prós e contra" (ver caixa com passo a passo). Os que vão desistir, diz Frederico Lucas, fazem-no essencialmente por questões culturais. As que se mantêm mudam-se no começo do próximo ano lectivo, em Setembro, para uma cidade ligada por auto-estrada. Porque os mentores do projecto Novos Povoadores querem iniciar a experiência piloto num centro urbano de fácil acesso. Em cima da mesa estão várias hipóteses: Castelo Branco, Évora, Abrantes. Uma ilha nos Açores também está a ser estudada.

Entre as 15 famílias que já estão em processo de avaliação, há casais sem filhos e famílias numeroas (com 5 pessoas ), muitos profissionais da comunicação, marketing, engenheiros e projectistas, bem como emigrantes que regressaram ao país e querem investir em projectos de turismo rural.

in DN