As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Saturday, July 29, 2006

Maria João Pires: O Caso "Belgais"



Maria João Pires incompatibilizou-se com o nosso país e decidiu partir de armas e bagagens para o Brasil.
As motivações não são claras: Queixa-se de falta de apoio, quando recebeu do estado português 1,8M€ para esse projecto, segundo fonte ministerial.

Dessa verba, existe um pequeno valor que está dado como injustificado. Por outro lado, existe uma condenação judicial de uma dívida a uma editora local.

Seja o que for, e aconteça o que acontecer, o Centro de Estudos para as Artes de Belgais não pode desaparecer.
Trata-se de um projecto de educação musical no interior do país, cujas crianças que se entusiasmaram em torno da mesma não devem ser prejudicadas nesta onda nebulosa de acontecimentos.

Belgais deve a Maria João Pires a ousadia deste projecto e o Centro de Estudos deve às crianças da região 1,8M€ de apoios governamentais para educá-las.

Com o sem Maria João Pires, o interior não pode morrer.
O "interior" será o exemplo nacional de desenvolvimento económico e social sustentável, nos próximos 20 anos.

Está na hora de planear e de participar. Os resultados são frutos de projectos e suor e não do acaso!

Tuesday, July 25, 2006

Estratégia de Lisboa...


Estratégia de Lisboa não é utopia, diz Maria João Rodrigues

A conselheira da Comissão Europeia Maria João Rodrigues defendeu na terça-feira que a Estratégia de Lisboa, elaborada para encontrar um modelo de desenvolvimento sustentável para a União Europeia, não é fácil de concretizar mas não é uma utopia.

«Todos temos consciência de que não é fácil concretizar a Agenda de Lisboa, mas não se trata de uma utopia, trata-se de um projecto concretizável, como hoje vemos em certos países e regiões que já foram mais longe nessa concretização e, por isso, já estão a retirar benefícios em termos de crescimento e de criação de mais e melhores empregos», sustentou.

Também conhecida como «a Senhora Lisboa», Maria João Rodrigues, artífice da Agenda de Lisboa, definida em 2000, durante a presidência portuguesa da União Europeia, e renovada em 2005, falava no lançamento de mais um número da revista bianual «Europa: Novas Fronteiras», para a qual escreveu um artigo, no Centro de Informação Europeia Jacques Delors, em Lisboa.

«[A agenda de Lisboa é] a busca de um modelo de desenvolvimento que seja capaz de abrir perspectivas de crescimento e emprego apostando no conhecimento, na qualificação das pessoas e conseguindo garantir o equilíbrio entre aquilo a que chamamos o económico, o social e o ambiental. É exactamente isso que está por trás do conceito de desenvolvimento sustentável», frisou.

Nas «vésperas» de uma nova presidência portuguesa da UE, a presidente do Conselho das Ciências Sociais da Comissão Europeia considerou ser altura de fazer um curto balanço do que já foi feito e esclarecer algumas ideias erradas que circulam sobre a Estratégia de Lisboa.

«O chamado objectivo da Agenda de Lisboa não é, contrariamente ao que muitas vezes é divulgado, tornar a economia europeia a economia mais competitiva do mundo. Essa é a versão vulgarizada do objectivo», afirmou.

«Se lerem as conclusões da cimeira de 2000, vão ver que é uma frase um pouco mais longa e que lá está também a ideia de crescimento e emprego, de coesão social e de preservação do ambiente. A Agenda de Lisboa procura combinar isto e é por isso que a Europa pode fazer melhor do que outras regiões no mundo (...) Estamos a falar da via europeia para uma economia baseada no conhecimento», sublinhou.

Quanto ao balanço dos resultados, Maria João Rodrigues considera que «passados estes anos, a grande verdade é que há hoje grandes diferenças entre regiões e países e há uns que estão a avançar mais depressa do que outros».

«É bom que retiremos lições disso», observou.

O professor universitário José Amado da Silva, outro dos intervenientes na sessão de lançamento da revista, defendeu, por seu lado, que «o problema central da Europa é um problema de dignidade», que o modelo de desenvolvimento vigente retira a dignidade aos cidadãos ao retirar-lhes o emprego, tendo colocado a questão «pode haver cidadania quando se é desempregado de longa duração?».

Depressa concluiu que a cidadania passa pela procura do emprego e que «o crescimento é necessário para o emprego, mas não assegura o emprego».

O coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e da implementação do Plano Tecnológico, Carlos Zorrinho, apontou várias dificuldades à aplicação daquele projecto, argumentando que «se trata de uma estratégia baseada na inovação, na flexibilidade, na competitividade que procura sobreviver num contexto institucional muito rígido» e «com uma estratégia de comunicação pouco consistente e que funciona por impulsos».

Carlos Zorrinho considerou que existem «alguns riscos e ameaças globais» em relação à Estratégia de Lisboa, como o facto de «poder surgir como bode expiatório de outros impasses», «de se procurar fazer avaliações conjunturais de estratégias que, pela sua natureza, são estruturais».

«Tenho algum receio de alguns modelos tecnocráticos de acompanhamento, de implementação, de avaliação. Julgo que temos sempre de contextualizar, temos de avaliar sobretudo tendências, não tanto resultados brutos ou resultados absolutos, e temos de ser capazes de transmitir confiança», sustentou.

«Ao transmitirmos incapacidade de conseguir, a dúvida permanente em relação a conseguir, num contexto de gestão de expectativas, contribui muito para que não se consiga. O problema de fundo é que não é fácil conseguir aquilo que nós queremos, não é fácil tornar a Europa mais competitiva mas dentro do seu modelo, sustentável dentro do seu modelo», prosseguiu.

Segundo Carlos Zorrinho, para alcançar esse objectivo, é necessário o envolvimento dos cidadãos e não passar a mensagem de que é impossível, porque esse «é um bom álibi para não nos envolvermos».

Para o responsável, «existe pouco a fazer do ponto de vista conceptual, mas muito a fazer em matéria de aplicação» para cumprir o sonho dos fundadores da construção europeia, «que era um sonho de dignidade, desenvolvimento e progresso».

in CIPAF, Daniela Gonçalves, Maio 2006

Inovação e Inclusão: "Nenhum concelho se desenvolve hoje sem industria"


Em meados dos anos 80 a minha avó paterna, empresária industrial com mais de 61 anos de idade, disse-me esta frase que até hoje não esqueci: "Nenhum concelho se desenvolve hoje sem indústria"
Passados 25 anos, curiosamente o periodo de maior desenvolvimento a nivel global, voltei a escutar esta frase nas terras da Beira Interior.
Gostava em primeiro lugar de revelar alguns dados históricos sobre a importância dos sectores de actividade ao longo do tempo:

- Anos 30
80% Sector primário (agricultura e pescas)
19% Sector secundário (indústria)
1% Sector terciário (serviços)

- Anos 40
70% Sector primário (agricultura e pescas)
27% Sector secundário (indústria)
3% Sector terciário (serviços)

-Anos 70
50% Sector primário (agricultura e pescas)
35% Sector secundário (indústria)
15% Sector terciário (serviços)

- Situação actual
15% Sector primário (agricultura e pescas)
20% Sector secundário (indústria)
40% Sector terciário (serviços)
25% Sector quaternário (comunicação e informação)

(dados aproximados, uma vez que não foi possivel confirmá-los com rigor junto do INE)

1ª Questão: Será espectável acreditar que a Indústria venha salvar algum municipio do desemprego? Que importância terá a indústria daqui a 20 anos?

2ª Questão: Estando o sector quaternário suportado funcionalmente nas redes de comunicação, isto é "banda larga", e permitindo que qualquer colaborador trabalhe em qualquer parte do globo por mérito dessas redes, será credivel pensar que esses trabalhadores vão fazê-lo nas cidades mais caras do seu país e onde existe menor qualidade ambiental?!

Wednesday, July 19, 2006

Politicos para a Competitividade


"O que deve mudar na mentalidade dos políticos para termos um país competitivo?"

O nosso visitante habitual "VS", num comentário a um post sobre a competitividade do interior, deixou a questão que abre este texto.

É frequente ouvir que Portugal tem a classe política que merece. Julgo que é correcto dizer que tem a classe política que elege.

Sócrates ganhou as eleições porque "prometeu" 150.000 novos postos de trabalho: Num país amedrontado com o factor desemprego!

Se tivesse dito que prometia aumentar os impostos, não teria ganho as eleições. Mas todos os partidos sabem em rigor que a recuperação das contas públicas passa por uma maior cobrança de impostos: E nenhum partido sabe (ou tem vontade politica), de acabar com as economias paralelas...

Dito isto, pergunto: Teremos um eleitorado para a "competitividade"?

Tuesday, July 18, 2006

Inovação e Inclusão: "As TIC e o Abandono do Interior"

Maquete do Parque de Ciência e Tecnologia para Poznan, cidade periférica da Polónia

Tenho várias vezes referido neste espaço a importância da "descentralização do trabalho" pelo território nacional. Da análise do relatório do PNPOT o Pedro verificou na página 24 que existem na Península Ibérica 33 cidades com aproximadamente 200.000 habitantes, que podemos classificar de cidades médias.
Dessas, 31 são espanholas e duas portuguesas (Braga e Coimbra). Em contrapartida, temos 45% da população a viver entre "Lisboa e vale do Tejo" e a "Área Metropolitana do Porto", que representam 15% do território: É no mínimo estranho!

A leitura que faço destes dados é que PORTUGAL PERDE DUAS VEZES com esta distribuição demográfica:
a) Falta de qualidade social e ambiental nas grandes cidades;
b) Falta de "massa crítica"/dinamismo em 78% do território nacional onde reside 50% da população (exclusão de LVT; AMP; Braga; Coimbra)

Mas uma coisa é ser um mero trancosense a dizer, outra é ser o Presidente da Assembleia Municipal da nossa vizinha cidade de Lamego JM Ferreira de Almeida e o ex Deputado do circulo do Porto e economista Pinho Cardão.

Segue transcrição do texto de Pinho Cardão, publicado ontem no seu blogue.
"(...)Neste tempo das tecnologias de informação e comunicação, este tipo de abordagem é decisiva, mas anda esquecida dos sábios pensadores, da política e dos decisores.
Com efeito, se não é possível levar as Sedes das grandes empresas para fora dos grandes Centros de Lisboa e Porto, as TIC permitem agora criar sítios para onde regressem determinadas actividades, fixando quadros e criando uma rede de empresas subsidiárias, que fomentam o emprego e fariam desanuviar os grandes centros.
Nas Grandes Lisboa e Porto concentra-se 45% do PIB e 30% da população, valores em crescimento e significativos da desertificação do interior.
Entre as muitas razões do afluxo do PIB a Lisboa está a mudança, para esta zona, das Sedes, das Administrações, das Direcções, Serviços Centrais e Técnicos das grandes empresas, industriais e de serviços, mercê das nacionalizações, reestruturações ou concentrações efectuadas.
O problema não se resolve de forma voluntarista, com medidas isoladas ou com grandes medidas tecnocráticas exaustivamente planeadas: quando estas começarem a ser executadas, já algo mudou que impede o seu prosseguimento. Mas tem que começar a ser resolvido a partir da definição de um quadro geral de actuação, onde as novas tecnologias de comunicação podem ter o papel decisivo de fazer voltar as empresas a outras regiões.
As grandes empresas estão a retirar das suas agências todo o trabalho administrativo, designado por back office, centralizando-o em grandes unidades de tratamento, em Lisboa e também a adoptar sistemas denominados de work-flow, que consistem basicamente na transmissão electrónica de processos e dados, desde a origem até à sua decisão final.
Estas Unidades Centrais ou de assistência tanto podem estar sedeadas num Tagus Park, em Cabo Verde, como fez a PT, na Índia, como a HP, creio, ou num Tâmega Park, ou Cávado Park, se nestes forem criadas condições semelhantes.
Torna-se imperioso que o Estado aproveite esta oportunidade para articular com as empresas as condições de atracção dos novos serviços, onde mais interesse ao país e, no limite, evitar a sua ida para o exterior.
E, já agora, para harmonizar a sua própria política de deslocalização de serviços a esta nova realidade, liderando um processo em que as tecnologias de comunicação bem podem ser um decisivo veículo de criação de riqueza no interior, diminuindo o afluxo aos grandes Centros e atenuando as disparidades actuais.
Isso, sim, seria política!...
O Quarto da República, um artigo que publiquei sobre o assunto numa revista económica, há cerca de 2 anos."

A concluir posso dizer que dia após dia esta ideia é cada menos individual e mais colectiva. E neste caso, já valeu a pena todo o tempo que temos dedicado a esta temática e sentimos naturalmente um estimulo renovado para continuarmos a defender aquilo em que acreditamos: Um interior povoado, mantendo a qualidade de vida já existente!

Monday, July 17, 2006

Vitória para a Economia Portuguesa

Durante a viagem que o Presidente da República efectuou de comboio para o Algarve, revelou que não fazia sentido o investimento no TGV quando a velocidade a que se deslocava no Alfa era de 200 Km/h.

Apesar desta afirmação ser "banal", já era tempo de um responsável afirmar que o país não tem condições económicas para investir 1000 milhões de contos para encurtar a distância Lisboa-Porto para 2h30min., quando de avião essa distância é percorrida em 30 minutos.

Por outras palavras, não faz sentido pedir a cada português 500 euros (sendo que muitos não têm e os que têm muito não pagam) para que Lisboa encurte 30 minutos na sua deslocação ferroviária para a cidade do Porto, quando existem alternativas muitissimo mais rápidas.

Foto: Alfa Pendular em Portugal

Sunday, July 16, 2006

PNPOT


Está actualmente em discussão pública o Programa Nacional da Politica de Ordenamento do Território.

Trata-se de um programa para os próximos 25 anos que peca em minha opinião por ser insuportavelmente conservador. No entanto pergunto: Estão os alunos do ensino superior, nomeadamente da área social, a estudar e a participar na discussão pública do documento?

Saturday, July 15, 2006

Executivo quer criar fundo para Inovação e Investigação

Carlos Zorrinho, coordenador do Plano Tecnológico, pretende potenciar a rede nacional de inovação.
Para Carlos Zorrinho, a «Inovação é a chave para podermos crescer e criar emprego», afirmou hoje o responsável, um dos convidados do «Terceiro Encontro Nacional de Inovação Cotec».
«É a inovação que gera mais emprego», acrescentou.

Desta forma, tendo em vista o desenvolvimento da inovação no nosso país, Carlos Zorrinho avançou que «estamos a pensar em medidas para potenciar a rede de inovação. Estamos a pensar na criação de um fundo de inovação para o desenvolvimento da inovação».

Apesar de não especificar modelos, esta poderá ter sido uma das ideias retiradas da visita de José Sócrates à Noruega, país que em 1999 criou um fundo para investigação e inovação projectado para assegurar financiamento público mais estável e a longo prazo das actividades de investigação.

Carlos Zorrinho acrescentou ainda que, neste campo, a «parceria publico-privada é determinante, e a colaboração entre a Cotec e o Plano Tecnológico tem sido notável. Gostava que estava colaboração, no futuro, continuasse, nomeadamente na desmaterialização de processos, assim como na certificação de processos», acrescentou.

Contudo, coordenador do Plano Tecnológico, confessou que o nosso país partiu «mais atrás que a Espanha em Inovação e Desenvolvimento», ao que junta «uma percentagem e valor globais baixos».

in Agência Financeira, Bruno Pocinho, 15.05.2006

Tuesday, July 11, 2006

Inovação e Inclusão: PNPOT - O País que queremos!

No tema 4 do PNPOT, "O País que queremos: um desafio para o ordenamento do Território" do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território diz no seu parágrafo 33 o seguinte:

"Elevados níveis de bem-estar incluem também o reforço da possibilidade de optar por modos de vida locais diversificados, assentes em soluções de proximidade e na melhoria das condições de acessibilidade e mobilidade. O lugar onde os portugueses vivem a sua vida deverá corresponder, cada vez mais, a uma escolha individual, e não a uma imposição
penalizadora. Importa, por isso, valorizar as comunidades locais, reforçando, em simultâneo, os espaços de vizinhança e a sua inserção urbana e territorial. O desenvolvimento de novas formas de acessibilidade, nomeadamente através da generalização da banda larga na Internet, poderá constituir o suporte dessa maior liberdade de escolha do quadro residencial."

Isto depois de "O lugar onde se vive não pode ser um factor de penalização em domínios básicos da vida colectiva. A garantia universal de níveis mínimos de qualidade de vida e de prestação de serviços constitui a base da estabilidade territorial. As oportunidades de trabalhar, residir e viver serão, assim, mais equitativas em qualquer parte do território nacional."
- Esclarecedor sobre a manutenção dos serviços públicos!

Em conclusão, diz "Valorizar a diversidade dos territórios, garantindo em todo o País o acesso ao conhecimento e aos serviços colectivos e boas condições de mobilidade e comunicação, favorecendo as opções por diferentes espaços e modos de vida."

Está tudo escrito neste documento. Agora pergunto: É para levar a sério?

Sunday, July 09, 2006

UE: Portugal é o quinto país que mais progrediu na informatização da administração pública


O relatório sobre a evolução da informatização dos serviços públicos na União Europeia (UE) coloca Portugal no quinto lugar entre os países que mais progrediram. O coordenador do Plano Tecnológico, Carlos Zorrinho, afirma que este resultado demonstra que o projecto do Governo está a ser cumprido.

O relatório de Bruxelas, que a Comissão Europeia divulga hoje, conclui que Portugal foi o quinto país da UE que mais progrediu em administração electrónica nos últimos dois anos e que é o 11º país entre os 25 Estados-membros com melhor nível de sofisticação de administração online, em termos de interactividade e oferta de transacções na Internet, encontrando-se acima da média europeia.

Estes dados "mostram que agenda de prioridades, o Plano Tecnológico, está a cumprir-se nas suas várias dimensões", considerou Carlos Zorrinho, que também é coordenador nacional da Agenda de Lisboa.

Na disponibilização de serviços, Zorrinho deu como exemplo o lançamento do ViaCTT,o serviço dos CTT que permite a qualquer cidadão, empresa ou instituição ter uma caixa de correio virtual.

Zorrinho citou ainda o lançamento do portal NetEmprego, uma bolsa de emprego electrónica que se insere no segmento da formação profissional.

Estas três áreas integram o programa do Governo para a Sociedade Informação e "evidenciam o trabalho determinado que tem sido feito ao longo dos últimos meses", sublinhou Zorrinho.

"Estamos satisfeitos [com o relatório da Comissão Europeia], mas ainda há muito trabalho para fazer", salientou o coordenador, adiantando que este resultado pode ser visto como "um indicador avançado" da economia portuguesa.

Quase 50 por cento dos serviços públicos analisados estão totalmente disponíveis na Internet

De acordo com o relatório, a sofisticação dos serviços públicos, em termos de interactividade e oferta de transacções online atingiu os 75 por cento em Abril de 2006 no cômputo da União Europeia e Portugal ficou acima da média comunitária, surgindo em 11º da lista com um valor de sofisticação a rondar os 80 por cento (em Abril de 2004 ficava abaixo dos 70 por cento).

O estudo, que compreendeu o exame de 14 mil sítios de Internet nos 25 Estados-membros mais a Noruega, a Islândia e a Suíça, indica ainda que quase 50 por cento dos serviços públicos analisados estão totalmente disponíveis na Internet. Também neste parâmetro Portugal regista um valor acima da média comunitária, ocupando o 10º lugar entre os 25.

De acordo com o relatório, cerca de 60 por cento dos serviços públicos em Portugal estão totalmente disponíveis na Internet, quando em Abril esse valor ficava aquém dos 40 por cento. A Áustria é o Estado-membro com nota mais elevada, quer a nível de sofisticação, quer a nível de disponibilidade dos serviços online, surgindo em ambos os casos a Letónia no fim da tabela.

in Público 29.06.2006 (Texto integral)

Tuesday, July 04, 2006

Inovação e Inclusão: O Reverso da Medalha


Tal como na Europa, boa parte da população activa pratica teletrabalho. O modelo mais usado nos EUA é o regime misto, isto é, trabalham 3 a 4 dias em escritórios e os restantes dias da semana em casa.
Esta situação ocorre porque há necessidade de controlo de custos nas empresas, a subida dos custos de combustíveis torna esta opção mais aliciante para empregados e empregadores.

No entanto nem tudo são rosas. Recentemente um funcionário do Departamento de Defesa dos EUA levou para casa um portátil da organização que continha o registo militar de 25.000.000 ex combatentes americanos, para efectuar uma análise estatística.
Sucede que a sua casa foi assaltada e o referido portátil roubado!

Este caso é uma excelente lição sobre métodos em teletrabalho.
Sempre que o objecto é informação confidencial, situação corrente nas empresas, o teletrabalho deverá funcionar sempre sobre um servidor central e não com os dados gravados no próprio portátil, pois o risco de roubo irá minar a confiança do empregador nesta modalidade de trabalho.

Entretanto o portátil já foi devolvido ao FBI!

Sunday, July 02, 2006

Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território: Preâmbulo



Está neste momento em discussão pública o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território.

Trata-se de um programa a 25 anos que pretende definir métodos e etapas para o ordenamento do território.
A questão que sobressaiu da minha primeira avaliação é que este programa prevê o crescimento das grandes cidades em detrimento do interior do território.

Sendo as grandes cidades um dos maiores entraves ao crescimento do país, face aos custos económicos, logísticos e ambientais que impõem, parece-me ser um programa de premissas erradas.

Será assim tão certo que não teremos nos próximos anos um êxodo urbano? Estarão os empresários e a população tão desatentos à qualidade e baixo custo de vida das médias cidades do interior?

Será que os novos projectos do sector da comunicação e informação, onde se podem incluir a maioria dos call-centers, estarão previstos para as cidades com custos elevados (incluíndo os salariais) quando equiparados às cidades do interior?

Tenho dúvidas. Muitas dúvidas. As tendências das multinacionais são muito esclarecedoras e "PORTUGAL" ainda não percebeu: A relação custos/produtividade da nossa mão de obra está desajustada na economia europeia. Ou trabalhamos esta equação, ou teremos o espectáculo das deslocalizações por muitos anos.

Tuesday, June 27, 2006

Inovação & Inclusão: Redes Públicas de Internet


Foi hoje lançado o viactt.
Este sistema permite ter gratuitamente uma caixa de correio electrónica livre de publicidade!
Julgo que para a maioria dos internautas esta medida não é grande coisa, uma vez que a maioria já tem caixas gratuitas.
No entanto, estas caixas trazem algumas vantagens:
- Não recebe publicidade
- Não serão desactivadas pelo facto de não utilização
- São um meio seguro para documentos legais
etc.

Mas, apesar de enaltecer o governo por esta medida, existe outra que seria igualmente bem vinda: Internet gratuita nas vilas e aldeias de Portugal.

E o motivo é simples. Como é que um filho de um casal pouco letrado vai convencer os seus pais a assumir uma assinatura de 25 euros mensais para ter acesso á maior rede pública de informação, algo que os seus pais não entendem sequer a sua mais valia?!

...E, para completar o ramalhete, o estado deveria organizar um serviço público de disponibilização gratuita de pc's, para gerir as máquinas desactivadas nos seus milhares de organismos, com o objectivo de as distribuir a essa população rural.

É apenas uma ideia. Uma ideia para a inclusão...

Tuesday, June 20, 2006

Inovação & Inclusão: "Roteiro para a Ciência"


O Presidente da República iniciou mais uma presidência aberta, desta vez dedicada à Ciência: Roteiro para a Ciência.

O Pedro escreveu em tempos algo que se aproxima à ideia que defendo:

"Acho mal, muito mal, que existam universidades em grandes centros urbanos, uma vez que são o melhor promotor da descentralização do território. Para além disso, polvilham centros de investigação e tecnológicos nas suas áreas limitrofes.

Como referiu Cavaco [Silva], o interior goza de uma qualidade de vida que o litoral desconhece, em clara oposição às CHAGAS URBANISTICAS!"

E a questão que se coloca é saber se fará sentido promover universidades públicas nos grandes centros urbanos, quando os exemplos de cidades universitárias como Braga, Bragança, Aveiro, Coimbra, Faro, Viseu e Covilhã demonstram a dinâmica que as mesmas são capazes de desenvolver autonomamente.

Além disso, os pólos de incubação de empresas que cada uma dessas universidades alberga, têm constituido interessantes iniciativas empresariais de reconhecido mérito europeu.

Dito isto, e em nome da racionalização dos recursos estatais, a dispersão dos polos universitários da Universidade de Lisboa e Porto seriam verdadeiros agentes para a EDUCAÇÃO TERRITORIAL, isto é, a sensibilização da população urbana para as vantagens competitivas das cidades do interior do território.

Monday, June 19, 2006

PT cria 700 empregos em Castelo Branco


"O Grupo Portugal Telecom vai abrir em Castelo Branco um centro de atendimento que abre portas à criação de cerca de sete centenas de postos de trabalho. Um acordo recente com a câmara albicastrense permite não só o avanço deste empreendimento como o arranque das obras de rebaixamento do actual edifício da empresa na cidade, no âmbito do Programa Polis.
Uma dupla-operação que a edilidade recebe de braços abertos.


A Portugal Telecom e a Câmara de Castelo Branco vão assinar na próxima semana um protocolo que vai abrir portas à instalação de um centro de atendimento (call center) daquela empresa na cidade albicastrense. Um equipamento que logo à partida garante a criação de cerca de sete centenas de postos de trabalho, uma vez que é uma estrutura que irá funcionar durante 24 horas com 266 posições de atendimento.
De acordo com aquilo que “Reconquista” conseguiu apurar, os “call centers” são centrais onde as chamadas são processadas ou recebidas e que tanto podem estar ao serviço da própria Portugal Telecom como de outras empresas a quem esta presta serviços. Aliás, este factor é considerado hoje em dia por diversos especialistas como “uma ferramenta altamente competitiva, em segmentos como telemarketing, vendas a retalho, serviços financeiros, pesquisas de mercados e tratamentos de inquéritos, entre outros”. Com diversos “call centers” espalhados pelo país (em cidades como Porto, Coimbra, Évora ou Bragança) o certo é que o de Castelo Branco vai ser o maior fora de Lisboa e a importância desta operação vai fazer deslocar à cidade albicastrense o actual presidente executivo da PT, Miguel Horta e Costa, para se sentar à mesa com os responsáveis autárquicos locais. Em reuniões prévias com o presidente da câmara Joaquim Morão ficou tudo acertado para a instalação deste centro em Castelo Branco, bem como os procedimentos a tomar daqui em diante para o rebaixamento do actual edifício PT na cidade, uma obra envolvida na operação Polis que ainda decorre. Segundo apurámos, essas obras no edifício não condicionam a abertura do “call center”, uma vez que pela sua dimensão este equipamento será colocado em funcionamento noutra zona da cidade. A câmara, segundo confirma ao “Reconquista” Joaquim Morão, está ainda a equacionar qual o melhor local para o instalar, dentro dos equipamentos que tem disponíveis em zonas centrais da urbe albicastrense.
A importância dos “call centers” Numa altura em que as novas tecnologias são avidamente disputadas como armas de competitividade entre empresas, e até entre cidades, a criação deste centro em Castelo Branco vem criar diversos impactos positivos na região, sendo o mais visível à partida, como atestam várias fontes, o do número de postos de trabalho que fixa na cidade. Os próprios responsáveis da PT Contact (empresa do Grupo PT que explora este mercado), num jantar que decorreu com empresários da região na passada semana (ver peça ao lado) destacavam a sua actualidade como “sendo locais onde se disponibiliza a melhor tecnologia de última geração para agilizar e operacionalizar as acções ali desenvolvidas”. Na prática, hoje em dia, já muita gente entrou em contacto com centros deste género, sem o saber, porque quando se telefona para a PT ou para outra empresa na realidade a pessoa não sabe se o atendimento está a ser feito naquele local ou num centro de atendimento especializado. “Podemos criar valor aos nossos clientes”, refere um responsável da PT Contact, “fidelizando e melhorando os níveis de interacção com os seus clientes”. Ou seja, para além de servir a própria estratégia da PT, “se uma outra qualquer empresa quiser nós podemos trabalhar para ela e inclusivamente instalar um centro de contactos dentro das suas próprias instalações com material e pessoal nosso”.
Para Joaquim Morão, esta operação com a PT é duplamente feliz para Castelo Branco. Cria emprego e concretiza a aspiração há muito desejada de resolver a questão do edifício da empresa nesta cidade, considerado unanimemente como um mamarracho. “Empenhámo-nos bastante nesta dupla-operação, sobretudo nesta nova questão do «call center» já que vai certamente gerar fixação de pessoas e mais desenvolvimento numa área de futuro”, refere o autarca, acrescentando que “temos revolucionado a cidade em muitos aspectos, temos contribuído para a criação de emprego, mas pela sua dimensão este é um empreendimento que vai deixar uma marca muito positiva”.
A resolução da questão do edifício merece-lhe também uma palavra:
“recentemente apresentámos em Assembleia Municipal a solução final para aquele espaço que vai rebaixar o edifício e requalificar a praça envolvente, ficando a cidade a ganhar uma nova zona”. A concluir adianta que “este é um excelente acordo para Castelo Branco e para a própria empresa”.
José Júlio Cruz"

Fonte: Reconquista

Inovação & Inclusão: "Roteiro para a Ciência"


Inicia-se hoje a rúbrica "Inovação & Inclusão" no blogue Beira Medieval(*).
Esta rúbrica merecerá todas as terças feiras um desenvolvimento sobre esta temática, demonstrando que a aplicação mais nobre para a inovação tecnológica é a inclusão territorial do Interior na projecto económico português.
O futuro da mesma será ditado pelo interesse que obtiver da sua parte! :-)

Já usei no passado um "Roteiro" do Presidente da República para um post, que foi curiosamente o mais comentado até hoje.

Numa óptica pessoal, as temáticas lançadas pelas "altas figuras do estado" devem ser exploradas pelos grupos minoritários para demonstrar a necessidade de medidas mobilizadores de desenvolvimento. No caso concreto do Blogue Medieval, a temática da inclusão é um excelente rastilho para demonstrar que a homogeneização do território nacional é a medida necessária para a desejada competitividade de Portugal.

Com isto, adianto que o primeiro post será dedicado ao Roteiro para a Ciência!


(*) Blogue inicial onde se iniciou a rúbrica que é actualmente nome de um blogue próprio

Wednesday, May 31, 2006

Presidencia Aberta: Roteiro para a Inclusão e Contra a Pobreza



No âmbito da primeira presidência aberta, Cavaco Silva surpreendeu os autarcas com declarações concisas sobre as necessidades REAIS para o desenvolvimento integrado do país.
O maior responsável pela remodelação de equipamentos sociais em Portugal disse que as prioridades actuais passam pela intervenção social. Em concreto, pela inclusão social de jovens e idosos.
Por outro lado, referiu a necessidade de medidas estruturantes para a competitividade económica do interior do país.

Foi aqui que inovou: A competitividade portuguesa passa pela homogeneização do território, explorando as vantagens regionais das diferentes organizações. E, aliando intituições regionais ao vigor de outras mais competitivas, poderemos encontrar um caminho para sermos mais fortes.



Por outras palavras, o sucesso económico português passa por parcerias inter-regionais heterogéneas, permitindo a optimização de recursos humanos e financeiros. Além da partilha de conhecimentos!

A pergunta que se coloca é: Em que medida podem as Câmaras promover esses projectos, sem a utilização de MAIS recursos financeiros?

"Apimentando" um pouco mais: Que saidas profissionais pode esperar a "GERAÇÃO DO CONHECIMENTO" no INTERIOR?

Saturday, May 27, 2006

Interioridade: Vantagem ou desvantagem?



A propósito do post sobre a evolução da população de Trancoso, iniciou-se uma interessante discussão que venho retomar.
A questão que se coloca é se, nos próximos 20 anos, a "interioridade" é genericamente um factor de diferenciação positiva ou negativa!
Esta minha dúvida advém da constatação que os decisores nas médias organizações vivem cada vez mais a centenas de kilometros dos seus escritórios, convertendo as tradicionais reuniões em teleconferência ou em conferência telefónica.

Alguns dados que vale a pena revelar: O tráfego rodoviário de ligeiros nas autoestradas revela deslocações para os grandes centros entre as 18 horas de domingo e as 10 horas da manhã de segunda. Tráfego no sentido inverso entre as 18 horas de QUARTA FEIRA e as 24 horas de sexta feira. Sendo que entre quarta e quinta feira fazem o circuito inverso 50% dos automobilistas que na noite de domingo se deslocaram para os grandes centros urbanos.
O intercidades e a Rede Expresso revelam os mesmos dados...
Os empresários nacionais de grandes organizações trabalham habitualmente um a dois dias por semana apartir das suas residências. Tratando-se de empresários que têm conseguido encontrar novas oportunidades de negócio para este periodo de estagnação económica em Portugal, não creio que estejam a "dormir" nesses dias de ausência ás suas sedes profissionais.
A reflexão que estes dados nos merece é se não estamos perante uma nova tendência de êxodo urbano (seiscentas referências em lingua portuguesa) sendo as cidades do interior as beneficiárias desse êxodo.

Por outras palavras, se exemplos como o Burgo Medieval de Colleta Di Castel Bianco (na foto) não irão polvilhar o nosso território nacional.

e-Aldeia



Colleta Di Castel Bianco é um burgo medieval em Itália.
Abandonada pelos seus habitantes, que se foram deslocando para o litoral, esta aldeia foi posteriormente adquirida por um fundo imobiliário para desenvolver um conceito inovador: Aldeia Digital

O conceito é simples: Longe da confusão das grandes cidades, venha viver ou passar uns dias a uma aldeia que está ligada ao mundo. Isto significa que este burgo medieval tem assegurada ligação de banda larga de internet e televisão permitindo que decisores, gestores e criativos possam teletrabalhar para as suas organizações a partir de um lugar com características deslumbrantes.

Estando o nosso país repleto de aldeias abandonadas, com acesso à banda larga, este conceito tem todas as condições para se propagar em Portugal.

Tuesday, May 16, 2006

O Espírito da Descoberta

Terminou hoje o 1º Evento da Fundação para as Artes, Ciências e Tecnologias – Observatório – “O Espírito da Descoberta”, que teve lugar na cidade de Trancoso. Contou com a presença de personalidades das mais variadas disciplinas e de diferentes países, tais como: EUA, Hungria, Itália, Holanda, Polónia, Inglaterra, Suíça, Portugal e Brasil.

Entre estes os oradores, estiveram René Berger, Joseph Brenner, Gonçalo Furtado, Alex Adriaaseen, Roy Ascott, Marcos Novak, Gyorgy Darvas, Giorgio Alberti e António Cerveira Pinto

Para além das conferências, tiveram ainda lugar três exposições de importância internacional: Dove Bradshaw de Nova Iorque, cujos trabalhos integram os acervos de Metropolitan Museum MOMA Whitney entre outros; Monika Weiss, nascida na Polónia, celebre artista, actualmente professora na Universidade de Washington; Francesco Mariotti, Suíço, cujos trabalhos têm estado presentes em eventos como bienal de Veneza, Documenta de Kassel, Bienal de São Paulo entre outros, há mais de 40 anos...


Nessa ocasião foi ainda apresentado o projecto de arquitectura do Museu do Design do Tempo, da autoria do Arqº Emanuel Dimas de Melo Pimenta
A planteia foi preenchida por artistas, filósofos e cientistas.

Estas iniciativas surgem na continuidade da constituição da Fundação para as Artes, Ciências e Tecnologias – Observatório, em Dezembro 2005, entre a Câmara Municipal de Trancoso e o Arqº Emanuel Dimas Melo Pimenta. O objectivo desta fundação é o de tornar Trancoso num centro planetário para a reflexão sobre artes, descobertas cientificas e filosofia.