As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Wednesday, February 24, 2010

Jovens com ideias para a Guarda


São jovens, da Guarda ou que se fixaram por cá, e querem fazer alguma coisa para mudar o rumo da cidade e do distrito. O diagnóstico é claro: «A situação é complicada em virtude da crise e dos problemas da interioridade», refere Tiago Gonçalves, que espera que os associados da Ideias.Guarda não se resignem a este estado de coisas. «Não podemos deixar o ónus aos políticos e às entidades públicas, também nós temos que dar contributos para o crescimento da região», acrescentou o presidente daquela associação apresentada formalmente na passada quinta-feira no auditório do IPJ.

Trata-se de uma organização sem fins lucrativos de jovens empreendedores nos domínios económico, social, cultural e até desportivo. «É importante criar mais oportunidades, mais emprego e empresas. Obviamente que não há uma varinha do condão que permita mudar o estado de coisas, mas penso que a nossa intervenção junto dos jovens para fomentar uma ideia de empreendedorismo poderá ajudar, pois só sendo empreendedores é que poderemos mudar o rumo dos acontecimentos e criar mais-valias para a cidade», sustentou o dirigente. Contando com cerca de 20 sócios fundadores, a Ideias-Guarda está agora aberta a mais inscrições, inclusive de empresas. E para divulgar a associação nos próximos meses vai ser feita uma recolha de livros para entregar a IPSS, um concurso de fotografia e tertúlias sobre o distrito. Na calha estão ainda passeios para detectar oportunidades de negócio, exposições com jovens artistas plásticos da região, a realização de uma bolsa de ideias empresariais e uma feira do empreendedorismo.

Tiago Gonçalves anuncia igualmente que a Ideias.Guarda será «uma plataforma de apoio a todas as iniciativas que sejam boas para a cidade». Nesse sentido, falando pelos seus pares, o presidente da direcção assume a ambição de «mudar a Guarda e o distrito», tarefa para a qual contam «com todos, sem excluir ninguém e sem espartilhos políticos». A associação não quer ser um lóbi, mas promete tentar influenciar os decisores para que «coisas boas» venham para a região, onde garantem haver oportunidades de negócio. Os entraves ao seu desenvolvimento por parte de jovens empreendedores são os do costume: o risco associado ao investimento e o financiamento. No entanto, o dirigente considera fundamental que se crie «um clima de competitividade e de crescimento» no distrito, pois «só assim se contribui para melhorar a região». Presente na sessão, Pedro Tavares, presidente do NERGA, saudou o surgimento da Ideias.Guarda, esperando colaboração e «não divisão, que é o grave problema desta cidade e distrito».

Por sua vez, Miguel Nascimento, delegado regional do Centro do IPJ, considerou ser «importante que o Estado não atrapalhe, mas é fundamental que a iniciativa privada avance sem cair na subsídio-dependência». A associação foi criada no final de 2009 e vai funcionar provisoriamente na sede da Federação Distrital das Associações Juvenis. Entre os seus membros destacam-se os professores, os engenheiros, os gestores e os arquitectos.


in O Interior, por Luis Martins

créditos imagem: Sofia Carvalho

Monday, February 22, 2010

Novos Povoadores patrocinam neutralização de CO2 com o evento TEDxOporto

O projecto Novos Povoadores patrocinou a liquidação das emissões de carbono do evento TEDxOporto que se realizou no passado dia 20 de Fevereiro na Alfândega do Porto.

A entidade seleccionada para a neutralização das referidas emissões foi a ARDAL - Associação Regional de Desenvolvimento do Alto Lima.

Esta iniciativa enquadra-se na estratégia do projecto Novos Povoadores em envolver recursos naturais e patrimoniais dos territórios de baixa densidade em projectos de influência nacional.

A iniciativa contou com painel de oradores de excelência e as talks estarão em breve disponíveis em DVD.

Site oficial do evento em TEDxOporto

Thursday, February 18, 2010

Beja, Bragança e Portalegre correm risco de desaparecer

Portugal "cada vez mais macrocéfalo" põe a maioria das cidades dependentes dos serviços públicos

Algumas capitais de distrito como Bragança, Portalegre ou Beja "estão perto de situações perigosas" num país cada vez mais macrocéfalo. Dependentes dos serviços do Estado, a sua pequena dimensão não lhes permite captar investimento privado. Portugal continua a ser Lisboa, o resto é paisagem. O centralismo "quase genético" ganhou novo alento com a União Europeia e globalização.

"É uma combinação explosiva", diz o geógrafo Álvaro Domingues. "Pequena escala misturado com pouca diversidade funcional", se falhar um sector, "pode ser o caos" em cidades como Bragança, Portalegre ou Beja. A grande dificuldade destas áreas urbanas é sobreviver sem a dependência do investimento público.

Uma universidade, por exemplo, reconhece o autarca de Bragança Jorge Nunes, seria contributo "muito importante" para a cidade. No entanto, não partilha da visão do geógrafo. "A cidade tem capacidade de se afirmar e tenta ganhar centralidade: 60% das exportações de Trás-os-Montes hoje são de Bragança."

O que define a centralidade, agora que se desfazem as fronteiras? "A presença do Governo e da administração pública", responde Álvaro Domingues. A globalização económica alterou a sede de decisão: tudo emigra para a capital - "e, se calhar, Lisboa dará lugar a Madrid". A sede da empresa EDP Renováveis, por exemplo, é em Oviedo, Espanha.

Responsável pela cadeira de Geografia, Território e Formas Urbanas, na Universidade do Porto, Álvaro Domingues lembra que Portugal sempre foi um "reino com cabeça que descentraliza pouco". Nunca nenhuma elite, "desde a Igreja à nobreza", teve poderes para inverter a regra.

"Superconcentrado" durante o Estado Novo, continua macrocéfalo. Não trava o despovoamento do interior: é um país "dependente" dos serviços públicos para sobreviver. "Vai a Coimbra, tira a universidade e os hospitais e ela afunda-se no meio do Mondego", diz Domingues - que define como "cidades do Estado" as capitais de distrito.

Para além de Aveiro e Braga, "com uma economia diversificada", existem apenas "cidades do Estado". Ou seja, sobrevivem graças aos serviços públicos, modernizados nas últimas décadas com os fundos que chegaram da União Europeia.

Mesmo assim, refere o docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, algumas capitais de distrito estão em situação muito difícil.

O presidente da Associação Nacional de Municípios subscreve as palavras do geógrafo. O País "é cada vez mais centralizado", e a tendência centralista "reforçou-se" com o Governo de José Sócrates. Fernando Ruas dá este exemplo: os presidentes das comissões de coordenação e desenvolvimento regionais (CCDR) "eram eleitos pelos autarcas da área correspondente, agora passaram as ser nomeados pelo Governo".

Foi também o Executivo socialista, refere Fernando Ruas, a retirar as câmaras municipais da participação no Instituto de Conservação da Natureza. Antes, os municípios tinham uma palavra na gestão das áreas protegidas.

in DN, Francisco Mangas

Sunday, February 14, 2010

Parceria entre Fundação EDP e Novos Povoadores

O Grupo EDP, através da Fundação EDP, e o projecto Novos Povoadores assinaram um acordo de cooperação para o repovoamento dos territórios de baixa densidade populacional em Portugal. Em concreto, esta parceria visa atrair famílias empreendedoras para a área de influência dos novas barragens que a EDP vai construir (Baixo Sabor, Foz Tua, Fridão e Alvito), localizadas nos distritos de Braga, Bragança, Vila Real e Castelo Branco.

Este projecto faz parte de um conjunto de acções voluntárias de promoção de desenvolvimento local que a EDP está a implementar em paralelo com o seu plano de investimentos hidroeléctricos. O Grupo procura, assim, garantir que os benefícios trazidos ao país pelo maior aproveitamento dos seus recursos hídricos sejam partilhados pelas populações que vivem junto às novas barragens.

Para o projecto Novos Povoadores, esta parceria inscreve-se numa estratégia de intervenção participada, demonstrando a sinergia necessária entre os actores locais de desenvolvimento e instituições de âmbito nacional.

Thursday, February 11, 2010

A mentalidade start up


“Quando participamos de uma empresa em fase de startup o mais comum é a falta de quase tudo. Não é incomum que acabemos executando atividades que não têm qualquer relação com o que fazemos normalmente, simplesmente porque algo precisa ser feito e ainda não há quem faça. Os fuzileiros norte-americanos têm uma atitude em sua tradição, definida por três palavras que resumem o espírito necessário para trabalharmos em uma startup: improvisar, adaptar-se e superar.

Quando você ainda não tem pessoal ou equipamento para executar uma atividade que precisa ser executada de imediato, é necessário improvisar. Quantas vezes me vi orientando pessoas da minha equipe a pegar um computador desktop e transformá-lo num servidor… Alguma coisa precisava ser testada ou um site precisava ser colocado no ar, mas o servidor novo para aquela função só iria chegar em duas semanas."

Leia o resto do artigo da autoria de Maurício Longo no site Startupi

Friday, February 05, 2010

Desafios ao desenvolvimento do interior


Publicamos o link para um artigo que remete para a reflexão do equilibrio territorial.
Como se sabe, o projecto Novos Povoadores pretende ir mais além da reflexão, propondo um modelo para inverter a tendência de desequilíbrio territorial.
Todos os contributos são necessários para alargar a discussão. Não deixem de participar via facebook e twitter. Até já?!

Thursday, January 21, 2010

Introducing ANYWHERE, the book

Responsabilidade Social: Promoção do Empreendedorismo

No pressuposto que a actividade de Responsabilidade Social pretende ser uma contribuição para a sustentabilidade e não uma medida caritária para a comunidade envolvente, julgo oportuno destacar a promoção para o empreendedorismo nas escolas para a actual conjuntura económica.

Ao invés da geração dos nossos pais e avós, que poucas vezes mudavam de emprego ao longo da vida, hoje a rotatividade é bastante maior e nem sempre no enquadramento legitimamente desejado.

Esta circunstância coloca-nos, e às próximas gerações, perante um desafio de atitude face ao nosso desempenho profissional. Sendo por conta própria ou de outrem, o trabalhador tem de ter a capacidade permanente de avaliar a sua contribuição e de optimizar o seu desempenho. Esta atitude pode e deve ser desenvolvida, quanto mais cedo melhor! E esta disciplina ainda não chegou ao ensino obrigatório!

A solução é simples e eficaz: O voluntariado dos empreendedores nos estabelecimentos de ensino locais.

Se cada empreendededor disponibilizar uma manhã por mês para acompanhar uma turma na área de projecto, discutindo com os alunos sobre as oportunidades emergentes no actual contexto económico, partilhará a sua experiência da vida empresarial no melhor momento criativo daqueles que serão num futuro próximo os seus colaboradores ou parceiros de negócio.

Será gratificante para os alunos que terão acesso a um conhecimento aplicado das suas capacidades e para o empreendedor será um laboratório de criatividade empresarial: todos ficam a ganhar!

in O Interior

Wednesday, January 06, 2010

Tax People Back Into the Cities


For the first time in history, more than half the world's population live in cities: by 2030, three out of five people will be city dwellers. But the British are bucking this trend. The 2001 census revealed an "exodus from the cities". Since 1981, Greater London and the six former metropolitan counties of Greater Manchester, Merseyside, South Yorkshire, Tyne and Wear, West Midlands and West Yorkshire have lost some 2.25 million people in net migration exchanges with the rest of the UK; in recent years this trend has accelerated.

This is not sustainable. British people need to be cured of the insidious fantasy of leaving the city and owning a house in the country: their romantic dream will become a nightmare for people elsewhere on the planet.

The fact is that rural households have higher carbon dioxide emissions per person than those in the city, thanks to their generally larger, detached or semi-detached houses, multiple cars and long commutes (cars are responsible for 12 per cent of greenhouse gas emissions in Europe - 50 per cent in some parts of the US). The regions with the biggest carbon footprints in the UK are not the metropolises of Glasgow or London, but the largely rural northeast of England, as well as Yorkshire and the Humber. In fact, the per capita emissions of the Big Smoke - London - are the lowest of any part of the UK.

To create a low-carbon economy we need to become a nation of city dwellers. We tax cigarettes to reflect the harm they do to our health: we need to tax lifestyles that are damaging the health of the planet - and that means targeting people who choose to live in the countryside. We need a Rural Living Tax. Agricultural workers and others whose jobs require them to live outside cities would be exempt. The revenue raised could be used to build new, well-planned cities and to radically upgrade the infrastructure of existing cities.

We have an opportunity to create an urban renaissance, to make cities attractive places to live again - not just for young adults, but for families and retired people, the groups most likely to leave the city. Turning our old cities into "smart cities" won't be easy or cheap, but in a recession this investment in infrastructure will boost the economy. We need to learn to love our cities again, because they will help us to save the planet.

P. D. Smith is an honorary research associate in the Science and Technology Studies Department at University College London and author of Doomsday Men: The Real Dr Strangelove and the Dream of the Superweapon (2008). He is writing a cultural history of cities. www.peterdsmith.com

in WIRED, PD Smith

Saturday, January 02, 2010

És solteira? #publicidade

"Se és solteira e vives em Dublin, vem beber um copo!
Conhecerás novos amigos e terás espelhos para dares uma olhada no baton nos dentes ou no cabelo antes de iniciares uma conversa.
Depois, bem, depois só terás de seguir em frente!"

Associação de Bares de Dublin

(anúncio de rádio)

Thursday, December 03, 2009

Novos Povoadores à conquista do Interior



"Sou a prova viva de que com Internet podemos trabalhar em qualquer lado"

Frederico Lucas tem 37 anos, três filhos e uma ambição: promover o êxodo urbano, trazer consumidores para os territórios de baixa densidade.
Com o projecto Novos Povoadores, de que é co-autor, quer também demonstrar que se pode ganhar dinheiro a partir de qualquer sítio. Ele está a tentar fazê-lo, a partir de Trancoso. E há muitas famílias interessadas em seguir-lhe os passos.
Por Luísa Pinto

Quando cheguei, estava deslumbrado. Vim para Trancoso em 2004, atrás da minha ex-mulher. Depois de termos vivido em Telheiras, mudámo-nos para Azeitão. Foi lá que nasceu o nosso terceiro filho, em 2002. Foi em Azeitão que fiquei quando nos separámos, com os dois mais velhos, de três e cinco anos, na altura. Eu trabalhava como consultor na área da comunicação. Demorava uma hora a chegar a Lisboa, e outro tanto a regressar, gastava dez euros por dia, já sem contar com combustível, que nem me lembro a quanto estava. Quando me mudei, os meus custos fixos passaram de 1750 euros por mês, entre casa e infantários e ATL dos filhos, para 390 euros.

Poder almoçar e jantar fora os dias que me apetecesse era uma coisa que havia saído há muito das minhas possibilidades.
Aqui, passaram-me a sobrar semanas. Deslumbrei-me. Também com a qualidade de vida. Uma pessoa pode entrar às nove e sair às cinco, ganhar três vezes mais do que paga de renda e infantários (que aqui são subsidiados por toda a gente, entre câmara, Misericórdia e Segurança Social). É uma tranquilidade. O único dia em que há trânsito, isto é, dois carros num semáforo, é à sexta-feira, em que há mercado semanal.

Lembro-me que nos primeiros dias, depois de chegar, deixavam-me um saquinho de legumes à porta. Fazem muito isso. Sabem que alguém chega, não tem terras cá, e lá nos põem à porta batatas, cenouras… é uma coisa muito agradável. Mas há o outro lado, o do controlo social. Dá-me um certo gozo dizer que se o meu filho sair da escola, e se eu perguntar a duas ou três pessoas, alguém saberá onde ele está. Mas isto também significa uma perda de privacidade e de anonimato a que estávamos habituados nas cidades, onde nem se sabe o nome do vizinho de baixo.
Uma vez cheguei de Lisboa, bati à porta da minha ex-mulher, e foi a do lado que se abriu, e foi a vizinha quem me disse: ‘Os seus filhos foram ao cinema.’ Temos de aprender a viver com isto. Eu não conhecia a senhora. Mas ela sabia que os meus filhos estavam no cinema. Aliás, aqui há dias, voltei ao cinema com eles em Lisboa. Foi um susto. Paguei 38 euros. Em Trancoso pagamos pouco mais de sete.

Foi aqui, em Trancoso, que conheci a Ana Linhares e o Alexandre Ferraz e que, a três, desenhámos o projecto dos Novos Povoadores. O Alexandre, que é do Pombal, tirou um curso de turismo, era recepcionista de um hotel, e veio para cá em 2002 porque foi aqui que encontrou um emprego qualificado.
A Ana é de Barcelos e veio atrás do Alexandre, e atrás de emprego.

Somos o Santo António
Foi aqui que nos cruzámos todos, e isto já é um sinal das dificuldades que pode haver na integração numa comunidade rural. Não é por acaso que três pessoas que são de fora é que se juntam. Porque há dificuldade. Se tivéssemos sido acolhidos de outra maneira, este projecto não teria sido concebido assim e até podia ter sido feito com pessoas de cá. projecto Novos Povoadores surgiu de uma conversa com o Alexandre. Começamos a partilhar as dificuldades do desenvolvimento nestes territórios. Se estes territórios têm qualidade de vida para oferecer, por que é que as pessoas não os habitam? Chegamos à questão simples: porque não têm emprego.
Mas, então, eu também não tenho emprego em Trancoso e é aqui que eu moro. Sou assim uma ave tão rara? Há mais pessoas que podem fazer isto.

Eu posso trabalhar a partir de qualquer lado – aliás, agora estou a pensar mudar-me para Marvão –, a única coisa que preciso é ter acesso à Internet. É a economia DNS (Domain Name Server). Com ela, as pessoas já podem vir para estes territórios de baixa densidade, que precisam desesperadamente de consumidores, mas que não têm empregos para oferecer. Com a economia DNS, já não é o território que gera o seu posto de trabalho. Os postos de trabalho ganharam independência geográfica, o meu contabilista pode estar em Vila Real, onde quiser, só tem de receber os meus papéis.
Eu vou contratar o contabilista que me for mais barato, e o que conseguir ser mais competitivo.
Eu fiz o mesmo. A minha tabela de honorários desceu 30 por cento, desde que me mudei para Trancoso, onde continuo a trabalhar como consultor de várias empresas. O trabalho para uma dessas empresas obriga-me a ir uma vez por semana a Lisboa.

Não sou formado em economia do desenvolvimento, nem em gestão territorial. Mas especializei-me a devorar estes temas, e a frequentar tudo o que é congressos e seminários. Acho que a economia acabou com os postos de trabalho, para haver cada vez mais empreendedores. Cada vez mais ganhamos em função das peças que fazemos e cada vez menos ganhamos um ordenado de uma empresa, mas sim de um projecto específico. Isso acontece comigo há já 17 anos. Foi o que sempre fiz.

Tirei um curso técnico de realização, que nunca utilizei, e sou a prova viva de que se pensarmos em algo com Internet podemos trabalhar em qualquer lado. E habitar estes territórios que nos dão qualidade de vida.
Sabemos que há pessoas que procuram estes sítios. Sabemos que há municípios que precisam de quadros qualificados, de consumidores. Nós somos o Santo António. Casamos território com pessoas. Estivemos três anos a discutir o projecto, a desenhá-lo. Não sabíamos como fazer deste modelo um negócio. Só o conseguimos em Dezembro de 2008, quatro meses antes de apresentar o projecto.

Ganhar dinheiro
Quem paga o nosso serviço são as câmaras, por cada cinco famílias que se mudam para o território, e que lá ficam pelo menos um ano.
Mas nós não cobramos um cêntimo às famílias, e não lhes pagamos, sequer, um café. As despesas e as poupanças serão todas por sua conta. Nós só as ajudamos a maturar este processo, esta ideia. Para que elas percebam que estes territórios têm muitas características boas, e outras menos boas.
Não andámos à procura de ninguém. As famílias que se querem mudar é que nos procuram no site [http://www.novospovoadores.pt].
E trabalhamos com municípios aderentes, com aqueles que têm verdadeiramente um projecto, um objectivo.

(...)

Nós não somos uma agência imobiliária, mas ajudamos a identificá-las nos territórios que as famílias querem ocupar. Não somos agência de emprego, mas ajudamos a criar empreendedores.
E não procuramos só projectos de turismo e de agricultura biológica.
Os territórios de baixa densidade são sistematicamente vistos como oportunidades sempre coladas ao turismo. O que sabemos é que o turismo cresce e representa normalmente à volta de 20 por cento da actividade económica do país. E não cresce mais porque as pessoas procuram territórios autênticos, não vão para os sítios onde está tudo feito para o turista.
Trancoso tem 16 mil turistas por ano. Se duplicarmos o número de turistas, para 32 mil, e não há exemplos destes, ganhamos três dias de autonomia anual de orçamento municipal. Temos de multiplicar por cem o turismo para deixarmos de depender do orçamento [público]. Não é por aí que vamos conseguir a independência que se está a pedir aos territórios.

Eu acho que o interior sofre de excesso de dinheiro. Os recursos humanos desses territórios são indiscriminadamente integrados nos municípios, e, por falta de trabalho, são “anestesiados” para nada produzirem. São recursos com os quais o território deixa de poder contar para qualquer estratégia para a sua competitividade. E os outros, os empreendedores locais, são contratados pelos municípios ao preço que lhes é confortável para manterem o seu quadro de pessoal.
Deste modo não lhes resta qualquer motivação para competirem, ainda menos no mercado global. Receio que em muitos casos esta falta de visão estratégica não seja obra do acaso. E nesses locais não haverá projecto Novos Povoadores, com toda a certeza.

in Público, Luísa Pinto

Friday, November 27, 2009

População portuguesa estagnada, interior cada vez mais despovoado

No ano passado a população portuguesa praticamente estagnou, com um crescimento de 0,09%. Os dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados nos Anuários Estatísticos Regionais mostram que essa evolução foi muito desigual e foi raro o concelho do interior que não perdeu população.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) conta 195 municípios que perderam população no último ano. Quase todos estes casos ficam no interior do país. Na grande maioria, a perda de pessoas deve-se a resultados negativos na taxa de crescimento natural, ou seja, mais mortes do que nascimentos.

Ao contrário do interior, a maioria dos municípios do litoral viram a população aumentar em 2008 - o litoral alentejano é uma excepção. Pampilhosa da Serra, Gavião e Almeida, são, no Continente, os concelhos que mais pessoas perderam no ano passado. Na lista de concelhos com descidas na população destaca-se, claramente, o interior do país.

No Litoral, Lisboa e Porto são, no entanto, algumas das excepções. A capital terá tido uma descida de 2,05% na população. Com menos 2,61%, o Porto é o sexto concelho do país onde se perderam mais habitantes. Sesimbra, Alcochete e Mafra (na Área Metropolitana de Lisboa) registaram os maiores crescimentos populacionais (acima de 3%). Esses aumentos devem-se sobretudo à taxa de crescimento migratória.

As migrações internas e externas foram aliás as principais responsáveis pelos crescimentos populacionais registados, segundo o INE, em 113 municípios.

A TSF contactou o presidente da câmara que, segundo o INE, mais perdeu população em 2008. O autarca de Pampilhosa da Serra não acredita nos números do INE e contrapõe com a evolução positiva dos eleitores registados.

José Brito diz que foi possível arranjar emprego e fixar a maioria dos jovens no concelho. A existir desertificação no interior do país, ela deve-se, de acordo com o presidente de câmara, à falta de investimento dos sucessivos governos, por exemplo, naquela parte da região Centro.

Contactado pela TSF, o Instituto Nacional de Estatística explica que o cálculo da evolução da população é feito com base no saldo natural (nados vivos menos óbitos) e no saldo migratório estimado (calculado com base em inúmeras fontes).

Os valores são provisórios e podem ser corrigidos no próximo recenseamento, mas o INE explica que o «recurso a estas fontes permite quantificar, de forma precisa, o saldo natural (devido à obrigatoriedade do registo dos nados vivos e óbitos), e analisar tendências que permitem estimar os saldos migratórios anuais».

Taxa de crescimento efectivo da população 2008
Os concelhos que mais pessoas perderam
Pampilhosa da Serra - 3,06%
Gavião - 2,82%
Almeida - 2,78% Os concelhos que mais pessoas ganharam
Sesimbra + 4,16%
Alcochete + 3,80
Mafra + 3,09


in tsf.pt, Nuno Guedes

Friday, November 13, 2009

Sustentabilidade na primeira pessoa

Com a realização da Conferencia Climática de Copenhaga, de 7 a 18 de Dezembro a questão da sustentabilidade ambiental está muito presente nos discursos em geral. (...)

Porque continuamos a insistir no aumento da produção (mesmo que "verde") em vez de reduzirmos o consumo? Não começará a real sustentabilidade neste último?

Não será a sustentabilidade mais rapidamente alcançada se actuarmos nas nossas práticas de consumo tanto quanto investimos em “produtos verdes”ou “energias limpas”? read more

Sustentabilidade na primeira pessoa

Com a realização da Conferencia Climática de Copenhaga, de 7 a 18 de Dezembro a questão da sustentabilidade ambiental está muito presente nos discursos em geral.

É certo que problemas de dimensão global – como as alterações climáticas ou a falta de água – necessitam de um compromisso prático global e por isso, necessariamente, do empenho dos agentes e lideres políticos e económicos mundiais.

Mas exige igualmente uma acção e pressão quotidianas de cada um – individualmente ou em grupo.

Desde a escolha dos produtos, à redução do desperdício, passando pela racionalização do consumo, tudo isso pode ter um impacto tão significativo na diminuição da pegada ecológica humana quanto eventuais politicas exercidas de cima.

Lado a lado devem seguir medidas que solucionem problemas que já enfrentamos e o reconsiderar das nossas práticas de consumo.

São muitos os produtos produzidos e adquiridos que vão para o lixo sem muitas vezes terem sequer exercido a acção para que foram criados. Exigimos à terra recursos para os produzir e depois esperamos o seu desaparecimento, dispensando os seus efeitos incómodos (lixeiras, poluição atmosférica e da água, ...)

Porque continuamos a insistir no aumento da produção (mesmo que "verde") em vez de reduzirmos o consumo? Não começará a real sustentabilidade neste último?

Não será a sustentabilidade mais rapidamente alcançada se actuarmos nas nossas práticas de consumo tanto quanto investimos em “produtos verdes”ou “energias limpas”?

Algumas propostas de práticas...

Adquirir apenas os produtos que realmente necessitamos

Consumir produtos de proximidade local – evita gastos inerentes ao transporte

Consumir cada produto até à última gota – cremes, detergentes, shampoo, comida, ...

Adquirir apenas a comida que consumimos

Evitar ter vários aparelhos que se sobrepõem ligados ao mesmo tempo – televisão, computador, aparelhagem

Optar por equipamentos eléctricos eficientes

Prolongar o tempo de utilização de roupas, equipamentos, móveis

Não deixar os equipamentos em stand by

Utilizar lâmpadas economizadoras

Retirar os carregadores das fichas depois de carregados os equipamentos

Desligar luzes e equipamentos nas divisões que não estão a ser utilizadas

Tomar duche em vez de banho de imersão

Utilizar redutores de caudal de água

Usar a carga máxima nas máquinas de lavar loiça e roupa

Aproveitar a água do duche enquanto se espera que fique quente

Utilizar a água de lavar os legumes para regar plantas

Regular o aquecimento para 20ºc e desligar em períodos de ausência e durante a noite

Adquirir os produtos com menos embalagens

...

Para os curiosos: http://sustentabilidade.usabilidade.org/