Novos concorrentes nas áreas dos Media e da Internet têm cruzado as fronteiras que os separavam das telecomunicações, afectando os modelos de negócio tradicionais e reduzindo a margem de manobra dos incumbentes. Pensar de forma...
Novos concorrentes nas áreas dos Media e da Internet têm cruzado as fronteiras que os separavam das telecomunicações, afectando os modelos de negócio tradicionais e reduzindo a margem de manobra dos incumbentes. Pensar de forma orientada ao consumidor pode ser a chave para um alto desempenho na indústria das telecomunicações móveis.
Em dez anos, a indústria de telecomunicações móveis cresceu mais de dez vezes, com base em novas tecnologias, dispositivos e em serviços mais rápidos e inovadores. Actualmente, vive um clima de incerteza em relação ao futuro, caracterizado por concorrência generalizada e menores receitas médias por utilizador. A inexistência de um caminho de evolução claro propiciou o surgimento de novos "players" na área dos Media e da Internet, que ameaçam o modelo de negócio existente.
A realidade tem passado pelo mercado de voz e "messaging" e por uma incapacidade no domínio da Internet como gerador de valor, que forçaram os operadores a privilegiar tácticas de curto prazo para manter o crescimento, como sejam o ajuste de "pricing" para aumentar as receitas, ou o enfoque na captura de clientes a rivais, através de tarifários e/ou equipamentos apelativos. Num mercado amadurecido, estas tácticas não são sustentáveis; o máximo que se poderá ambicionar com elas são receitas incrementais adicionais suficientes para cobrir os custos.
Os novos "players" estão a capturar valor na convergência das indústrias de Media, telecomunicações e de Internet, e os operadores de telecomunicações, que dominam o acesso às infra-estruturas de rede, necessitam de promover uma reflexão sobre a indústria, sob o risco de se tornarem meros transmissores de sinal.
É necessário por isso encontrar e aprender rapidamente novas formas e territórios onde o êxito seja possível. Para além de permanecerem atentos às movimentações tecnológicas, devem procurar antecipar quais as alterações no modelo de negócio que um processo deste âmbito poderá gerar.
Na Accenture identificámos um conjunto de pistas para o êxito futuro das organizações pertencentes a este mercado, que qualificámos como factores de sucesso.
Inovar através da perspectiva dos consumidores
Um dos factores-chave para o sucesso consistirá na utilização da visão do cliente para promover a inovação, garantindo o desenvolvimento de produtos e serviços com maior probabilidade de procura. As empresas, ao desenvolverem soluções (por exemplo "machine-to-machine" como serviços mais eficientes para o transporte de mercadorias, gestão de frotas), deverão perspectivar o que estas representam para os clientes e qual a vantagem competitiva que originam.
Alavancar a experiência do consumidor
O enfoque no consumidor exige também a interpretação dos ciclos de experiência de utilização dos produtos e serviços. Assumindo a satisfação do cliente como a soma do conjunto de todas as experiências (e.g. produtos, serviços) com o conjunto de todas as expectativas (e.g. valores, comportamentos), algumas tendências de procura relevantes são: simplicidade, conveniência e usabilidade no produto (oferta de conteúdo de fácil utilização), transparência no "pricing" (controlo e simplicidade nos preços), controlo sobre conteúdo (abertura dos "walled gardens" através do acesso, sem restrições a conteúdos).
Desenvolver a capacidade de adaptação às necessidades dos consumidores
As ofertas de serviços são cada vez mais orientadas para um grande número de pequenos segmentos de consumidores, com pacotes diferenciados. É o modelo de distribuição "Long Tail", onde o mercado de produtos pouco populares é superior ao dos grandes êxitos (exemplos são a Amazon ou a Netflix).
Estes segmentos de consumidores são comunidades de interesses mútuos que para além de consumirem conteúdos, também os criam e partilham. As empresas de telecomunicações necessitam de interiorizar este conceito e dirigir as suas ofertas para esses "clusters" de indivíduos.
Conjugando o conceito de comunidades com o de "portal social", os operadores deparam-se com desafios para explorar os limites da tecnologia disponível, ampliando as suas ofertas com "user generated content" como blogues, "video-based services" (e.g. alojamento de vídeos, "mobile TV"), entre outros.
Procurar valor na agregação, alavancagem de inovação e eficiência
As empresas de telecomunicações deverão conseguir operar de forma eficiente nos mercados. A eficiência nas operações facilita o sucesso no "mass market", enquanto a inovação irá apelar aos mercados "high end".
A eficiência operacional deverá partir de uma alteração da visão dos indicadores de "performance" tradicionais, dando prioridade ao custo de servir um consumidor individual.
Quantos mais forem os serviços utilizados pelo cliente, maiores serão os custos de produção, comercialização e operação. Isso implicará revisitar processos de desenvolvimento para reduzir o custo de "ownership" e proteger o investimento. Os novos "players" conseguem-no e, ao expandirem os seus modelos de negócio, utilizam naturalmente estes conceitos na tomada de decisão. A redução do custo final do iPhone, dado que o utilizador é cliente do iTunes e potencial comprador de acessórios e serviços Apple, é disso exemplo.
Os operadores de telecomunicações têm vantagens competitivas que não devem ser subestimadas (tecnologia instalada e capacidade "core" do negócio), e, ao repensar a estratégia de inovação e de enfoque no cliente de telecomunicações, poderão chegar efectivamente a um alto desempenho, apesar do conturbado ambiente, num futuro próximo, das telecomunicações móveis.
* Em colaboração com Daniel Fernandes, "Analyst" da Accenture da área de Estratégia, na divisão de "Management Consulting"
"Senior Manager" da Accenture
da área de Estratégia na divisão de "Management Consulting"
in Jornal de Negócios, Emanuel Agostinho
As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas
Saturday, July 18, 2009
Tuesday, July 14, 2009
Novos Povoadores na SIC MULHER

Hoje, entre as 19h e as 20h, o programa Mundo das Mulheres será dedicado ao projecto Novos Povoadores.
A temática de dinamização do interior continua na ordem do dia, e nesta 2ª vez que o canal SIC Mulheres faz referência ao projecto, contará com a presença de Frederico Lucas, representando o projecto, e com o autarca convidado Alvaro Rocha, Presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova.
link do programa
Monday, July 13, 2009
Aldeias Globais

No mundo de hoje todas as empresas já foram afectadas, directamente ou indirectamente, pela globalização. A cada dia que passa, a “aldeia global” torna-se mais pequena. Essa realidade é desagradável para quem deseja estar isolado, mas nas aldeias, quer se queira ou não, ninguém vive sozinho. Todos influenciam todos.
Para os solitários estar numa aldeia é demasiada exposição, mas para as empresas viver nesse ambiente amplifica de uma forma extraordinária as oportunidades de negócio. Utilizando as ferramentas que as novas tecnologias de informação e comunicação oferecem, o mercado potencial aumenta e as distâncias tornam-se quase irrelevantes.
Portugal em muitas actividades sempre teve um problema de escala. Na aldeia global, o mercado não tem limites. Existem produtos e serviços, e existem clientes nos quatro cantos do mundo, individuais ou empresas, à procura de satisfazer as suas necessidades.
Por outro lado, a dimensão de uma empresa também deixou de ser uma condicionante e procurar parcerias tornou-se uma constante da vida.
São cada vez mais os exemplos que mostram que o mundo está a mudar e que os pequenos também podem ser grandes, com perseverança, criatividade e assegurando uma qualidade de serviço elevada.
Sítios de leilões na Internet mostram que existem nichos de mercado que podem ser preenchidos com produtos específicos e que asseguram a médio prazo rendimentos que permitem gerir um negócio a partir de casa, por exemplo. O produto pode vir do estrangeiro, o marketing é feito a partir de Portugal e a encomenda é enviada para qualquer canto do mundo.
Como em qualquer negócio, um estudo de mercado recomenda-se, mas o investimento para entrar em “jogo” é quase nulo. Todos os “jogadores” e informações estão na internet. Actualmente, uma simples e pequena loja de aldeia pode tornar-se global vendendo através da Internet, inovando nos produtos que oferece aos clientes. Há muita gente na Internet a ganhar a vida a vender sabonetes, bonecas de pano, sacos de lona reciclados ou roupa para criança. A receita é “simples”: Produtos específicos, orientados para nichos de mercado, vendidos à escala global, usando as plataformas de transporte e pagamento existentes no mercado e aceites por todos. É óbvio que a internet não cria excentricos todos os dias. Fazer negócios pela internet exige trabalho, pesquisa e paciência, tal como qualquer forma de negócio. No entanto, abre portas e tem potencialidades que vão muito para além do comércio tradicional. No saber aproveitar, pode estar um verdadeiro ganho.
in arrudatech
Saturday, June 27, 2009
Proposta RTP para o Dia de Portugal
No dia de Portugal a RTP escolheu o nosso projecto como dinamização territorial.
Uma escolha que só nos pode orgulhar!
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Uma escolha que só nos pode orgulhar!
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Friday, June 12, 2009
Empreendedores portugueses marcam pontos fora de casa
Não foi por se mudar para a província mais pobre de Moçambique que Carla Pinto cruzou os braços. Perante a falta de um trabalho dentro da sua área, comunicação empresarial, decidiu desenvolver um projecto próprio, juntando a sua paixão...
Pelos quatro cantos do mundo os empresários portugueses mostram que a localização geográfica não é determinante para desenvolver projectos de sucesso. As boas ideias, aliadas à determinação e alguma sorte, são os ingredientes críticos, contados na primeira pessoa por quem os aplicou na medida certa.
Não foi por se mudar para a província mais pobre de Moçambique que Carla Pinto cruzou os braços. Perante a falta de um trabalho dentro da sua área, comunicação empresarial, decidiu desenvolver um projecto próprio, juntando a sua paixão pela moda com tecidos africanos.
Formou a Ideias a Metro, contratou um alfaiate e começou a divulgar a produção num blogue. "Comecei muito modestamente, com um blogue, as vendas na Internet. Depois, começou a haver interesse das pessoas em Portugal e em Maputo e foi como uma bola de neve", explica a empresária. O negócio foi-se expandindo, também com o desenvolvimento de interesse de clientes em Maputo, e Carla Pinto alargou a produção para dar resposta à procura. Investiu num "site" profissional, começou a vender para lojas e participou em mostras de moda em Moçambique e em Portugal.
ler artigo completo
Fátima Caçador/Casa dos Bits
Saturday, June 06, 2009
Novos Povoadores - Conquistar massa crítica para o interior do país
| From iRegions |
O dia-a-dia frenético das grandes cidades leva muitas famílias ao desejo de viver no interior do país. A centralização de serviços e do emprego nos centros urbanos «prende» quem lá vive e atrai um número crescente de pessoas. Para trás fica um interior com algumas infra-estruturas mas com falta de gente activa. O projecto Novos Povoadores quer inverter esta tendência e conquistar massa crítica para o interior do país, imprimindo-lhe uma nova dinâmica. Qualidade de vida e desenvolvimento rural são as premissas de um projecto fundado em Trancoso. O Café Portugal falou com Frederico Lucas, um dos responsáveis por uma iniciativa que se completa com Alexandre Ferraz e Ana Linhares.
Café Portugal - O projecto Novos Povoadores tem como principal objectivo desenvolver o interior do país. Fale-nos sobre esta iniciativa.
Frederico Lucas - O projecto Novos Povoadores surge da iniciativa de três amigos com interesse em dinamizar o interior de Portugal. A ideia tem por base um diagnóstico sobejamente conhecido: por um lado um vasto território mergulhado na problemática da interioridade, por outro, duas grandes áreas metropolitanas que concentram grande parte da economia do país, recursos humanos inclusive. Uma situação que urge travar para um maior equilíbrio territorial, fortemente encorajado pelo uso crescente das novas tecnologias e também pelo índice de saturação que vem afectando as pessoas imobilizadas na correria urbana. O projecto procura, por um lado a introdução de massa crítica em territórios de baixa densidade. Fundamentalmente, pretende-se que os Novos Povoadores venham ajudar a dinamizar o território. Com a sua experiência, a sua capacidade empreendedora, o seu dinamismo, vão imprimir um novo ritmo no desenvolvimento das regiões. Por outro lado, a melhoria da qualidade de vida das famílias: as famílias que optam por deixar as áreas metropolitanas beneficiam de todas as vantagens associadas a uma vida mais oxigenada em meio rural.
CP - O empreendedorismo é um dos pontos de referência que a família «Novo Povoador» deve possuir. Na ficha de candidatura pedem uma ideia empreendedora. Esta deve ser apresentada desde logo pelo candidato?
F.L. - Considerando o objectivo do projecto, introduzir massa crítica nos territórios de menor densidade, o factor empreendedorismo é importante e desejável devendo corresponder a uma ideia do candidato. Saliente-se, contudo, que não é indispensável avançar com um modelo de negócio por conta própria para responder aos objectivos do projecto. A própria personalidade dos Novos Povoadores pode gerar dinâmicas que estimulem a economia local. O facto de ter uma participação activa na sociedade civil nos mais variados domínios (lazer e bem estar, desporto, cultura, política) pode efectivamente «energizar» o território e ter um efeito multiplicador junto dos restantes habitantes.
CP - As famílias interessadas podem escolher uma localidade a nível nacional, ou restringem-se a uma região?
F.L. - Na fase experimental os candidatos nomeiam apenas os distritos. A partir de 2011 as famílias poderão definir uma aldeia.
CP - Os Novo Povoadores querem imprimir uma nova tendência no mercado. Existe, contudo, um número limitado de famílias a beneficiar deste projecto?
F.L. - Não existem números fixos. O projecto Novos Povoadores ambiciona acelerar uma tendência pelo que quanto maior o número de candidatos maiores são as probabilidades de identificar as famílias que reúnem as condições para iniciar o processo de mudança. Quanto ao processo migratório é desejavelmente um processo lento dado o nível de compromisso que implica. Tem de se verificar um período de reflexão e amadurecimento da ideia antes de completar o processo. A metodologia de intervenção do projecto Novos Povoadores prevê nesta medida várias visitas ao território com vista à criação de laços com a região que constituirão referências importantes na integração das famílias.
CP - Centremos, agora, a conversa no desenvolvimento regional. O que falta em Portugal para alavancar o país interior?
F.L. - O diagnóstico existe, é exaustivo, multiplicando-se os estudos e planos estratégicos de Norte a Sul de Portugal. Não há um município que não esteja implicado numa estratégia de desenvolvimento supra-municipal. Isto é, no plano teórico, podemos considerar que o país está muitíssimo bem preparado mas não tem existido o incentivo necessário para mobilizar a iniciativa privada a optar pelo interior do país. Um interior infra-estruturado que continua à espera de ser potencializado. Numa economia sem geografia onde o capital intelectual vem conquistando novas fronteiras, onde a inteligência colectiva formata um novo pensamento, a desmaterialização da economia abre um vasto campo de possibilidades também no meio rural. O que falta então? A coesão territorial é um acto de cidadania que a classe política não tem sabido mobilizar. Sem liderança, sem estímulo, sem confiança, dificilmente os actores económicos - motor do desenvolvimento - iniciarão um processo massivo que venha a equilibrar a geografia económica do país. Contudo, há espaço para visionários.
CP - No passado foram já empreendidos projectos como o vosso. O que tem este projecto de desenvolvimento regional que o distingue dos outros e pode torná-lo um caso de sucesso?
F.L. - É um projecto que apresenta uma solução clara a uma problemática complexa. Responde aos anseios de uma população citadina cansada do ritmo frenético e apresenta uma solução inovadora às regiões menos desenvolvidas. Traduz uma visão integrada de desenvolvimento territorial.
CP - As três pessoas envolvidas neste projecto vivem no interior. São já um exemplo de novos povoadores?
F.L. - A ideia surge em Trancoso. Encontrámo-nos nesta bela Aldeia Histórica de Portugal, oriundos de 3 sítios bem distintos. A Ana é de Barcelos, o Alexandre de Pombal e o Frederico de Lisboa. A trajectória pessoal e profissional fez com que optássemos por um ritmo mais tranquilo, pelo que sim, somos Novos Povoadores.
in Café Portugal, Sara Pelicano
Monday, June 01, 2009
Quem tem telhados verdes... poupa na energia
por ANA BELA FERREIRA
DN - 31-05-2009
A Suécia é um dos países mais ecológicos do mundo. A sua consciência verde começou a ser trabalhada há décadas, e hoje em dia todos separam o lixo e trocam o carro pela bicicleta ou pelos transportes públicos sem reclamar. Aqui existem ainda bairros ecológicos e sustentáveis com jardins nos telhados, que servem para manter as casas quentes.
E se pudesse escolher, desenhar e mudar o bairro onde vive ao seu gosto? Os habitantes da zona problemática de Augustenborg, em Malmö, Suécia, puderam fazê-lo há 11 anos e agora vivem num dos bairros mais ecológicos do mundo. Aqui o que conta são os pormenores baseados nos desejos dos habitantes.
As casas têm jardins nos telhados, 14 centros de reciclagem, uma escola e um lar para idosos que fabricam a energia que gastam e parques infantis desenhados pelas crianças. A vontade dos mais novos foi ouvida até para a criação de um "hotel para coelhos", um local onde estão mais de cem coelhos que pertencem às crianças de Augustenborg que não podem ter animais de estimação em casa.
Os três mil habitantes desta área são até mais saudáveis do que os restantes habitantes de Malmö, segundo a convicção de Louise Lundberg, da Associação Telhados Verdes Escandinavos. É que além dos jardins em frente das casas, este bairro tem jardins no telhado.
Uma inovação que permite manter o interior quente e que ajuda a absorver grande parte da água da chuva - um problema da zona até à reconstrução. Estes telhados são ainda "uma forma de proteger alguns ecossistemas que as cidades destruíram", defende Louise Lundberg, enquanto mostra os telhados verdes que constrói.
O único senão desta aplicação amiga do ambiente é o preço. A instalação custa 500 a 900 euros por metro quadrado. De resto, este será provavelmente o único dinheiro gasto, pois os telhados-jardins não precisam de manutenção. O solo apenas precisa de ser fertilizado de dois em dois anos e as plantas escolhidas não deixam crescer ervas daninhas e mantêm-se pequenas.
Além dos telhados, todos os edifícios têm outras características que os tornam sustentáveis do ponto de vista ambiental. Para lá dos tradicionais painéis solares para aquecimento e painéis fotovoltaicos para gerar electricidade, as casas recebem energia produzida pelo tratamento do lixo gerado no bairro, que também produz biogás, que alimenta as casas e os transportes públicos.
Um dos exemplos do funcionamento do sistema é a escola de Augustenborg, onde estudam 80 crianças. O espaço tem painéis solares, tintas não poluentes, telhados verdes, sistema inteligente de ventilação e iluminação (que se accionam só quando alguém está na sala).
Esta escola sem muros nem vedações, rodeada por jardins cuidados, e onde os alunos têm aulas no exterior, está construída por módulos, podendo assim ser deslocada de forma separada. "Se a escola for grande de mais para o número de alunos e outra escola precisar de mais espaço, pode deslocar-se um módulo daqui", explica a técnica dos telhados verdes.
Mas se este espaço onde as crianças circulam descontraidamente de jardim em jardim resultou de uma reconstrução financiada pela União Europeia e pela empresa de construção, outros na Suécia foram construídos de raiz a pensar no meio ambiente.
Malmö tem um desses bairros, mas o mais famoso é o Hammerby Sjöstad, em Estocolmo. Esta zona da cidade começou a ser planeada em 1990 para ser a aldeia olímpica de 2004, com a ideia de fazer os Jogos Olímpicos mais limpos de sempre, que acabaram por se realizar em Atenas.
"O objectivo desta construção é que 50% da energia consumida pelos habitantes seja produzida por eles", refere Melina Karlsson, do centro de informação do bairro.
Num cubo de vidro com vista para a zona, a técnica faz questão de sublinhar que as rendas não ultrapassam os 600 euros por mês, que as casas pertencem ao município e que usam tecnologia semelhante à do bairro de Augustenborg.
Enquanto isso, o pouco calor que se faz sentir leva dezenas de crianças a aproveitar a água das fontes instaladas nas ruas de Hammerby. Provavelmente ainda não sabem, mas estas crianças estão a contribuir para um planeta mais verde e menos poluente
Saturday, May 30, 2009
Évora: Primeiro Município a acolher Novos Povoadores
Foi com enorme satisfação que participámos no primeiro anúncio público de adesão ao nosso projecto.Foi ontem apresentado no Salão Nobre da Autarquia Éborense o projecto Novos Povoadores à Comunicação Social, pelo autarca José Ernesto d'Oliveira.
Évora vive um momento interessante da sua história face aos projectos de instalação do cluster aeronáutico no seu território.
Trata-se de uma cidade com população jovem fruto da sua universidade, com uma arquitectura rasteira e com as "melhores noites do mundo" segundo o autarca!
A ligação a Lisboa pela A6 facilitam-lhe a conectividade.
Para os autores deste projecto é uma enorme honra o acolhimento que receberam desta cidade.
Monday, May 18, 2009
Agricultura Biológica
Os territórios de interior têm potencialidades ainda não devidamente valorizadas. A agricultura biológica pode ser uma delas promovendo a sustentabilidade destes territórios.
A agricultura biológica procura alcançar o equilíbrio e biodiversidade dos sistemas agrários, excluindo a quase totalidade de produtos químicos de síntese, protegendo a fertilidade do solo, minimizando a utilização de recursos não renováveis e recorrendo sempre que possível a recursos renováveis locais.
De acordo com o estudo Mundo da Agricultura Biológica 2007 o valor das vendas globais de alimentos e bebidas biológicos aumentou 43% entre 2002 e 2005.
Saiba mais em:
http://www.agrobio.pt/agricultura_biologica.php
http://www.confagri.pt/PoliticaAgricola/Temas/AgriculturaBiologica/ProdutosRegrasObrigacoes.htm
http://ec.europa.eu/agriculture/organic/organic-farming_pt
Também a Permacultura – Permanent agriculture – procura a planificar e construir, positiva e globalmente, habitats humanos em harmonia com a natureza. Baseia-se em 3 princípios éticos: cuidar da natureza, cuidar das pessoas e limitar o consumo. Em Portugal existem já alguns projectos em desenvolvimento.
Saiba mais em:
http://www.nelsonavelar.com/permacultura/index_permacultura.htm
http://www.nelsonavelar.com/permacultura/permacultura_projectos.htm
http://www.portugalpermaculture.blogspot.com/
A agricultura biológica procura alcançar o equilíbrio e biodiversidade dos sistemas agrários, excluindo a quase totalidade de produtos químicos de síntese, protegendo a fertilidade do solo, minimizando a utilização de recursos não renováveis e recorrendo sempre que possível a recursos renováveis locais.
De acordo com o estudo Mundo da Agricultura Biológica 2007 o valor das vendas globais de alimentos e bebidas biológicos aumentou 43% entre 2002 e 2005.
Saiba mais em:
http://www.agrobio.pt/agricultura_biologica.php
http://www.confagri.pt/PoliticaAgricola/Temas/AgriculturaBiologica/ProdutosRegrasObrigacoes.htm
http://ec.europa.eu/agriculture/organic/organic-farming_pt
Também a Permacultura – Permanent agriculture – procura a planificar e construir, positiva e globalmente, habitats humanos em harmonia com a natureza. Baseia-se em 3 princípios éticos: cuidar da natureza, cuidar das pessoas e limitar o consumo. Em Portugal existem já alguns projectos em desenvolvimento.
Saiba mais em:
http://www.nelsonavelar.com/permacultura/index_permacultura.htm
http://www.nelsonavelar.com/permacultura/permacultura_projectos.htm
http://www.portugalpermaculture.blogspot.com/
Saturday, May 16, 2009
Arquitectura Sustentável

Quem pretende mudar algo de importante na sua vida - como é o caso de um processo migratório - possui geralmente motivações muito fortes.
A sustentabilidade ambiental e familiar estão entre os factores mais referidos pelos candidados ao processo migratório.
Partilhamos por isso o link de um interessante gabinete de arquitectura altius.net que identificámos recentemente.
Boas ideias!
Sunday, May 10, 2009
Friday, May 08, 2009
Dia do empreendedor

Celebrámos no dia 1 de Maio o dia do trabalhador. Trata-se duma celebração importante e que sublinha um caminho longo de conquista da dignidade do trabalho no contexto social.
Uma reflexão mais profunda sobre o significado da celebração leva-nos no entanto a constatar que o espectro daquilo que pode ser considerado trabalho é hoje muito mais alargado do que era há algumas décadas e do que era em 1886 quando os trabalhadores de Chicago se rebelaram em defesa da jornada de oito horas de trabalho.
A dicotomia trabalho / capital mantém-se actual em muitos domínios e sectores, mas é hoje complementada por outras realidades cada vez mas importantes como o trabalho de âmbito social, o trabalho por conta própria ou as múltiplas formas de “trabalho” empreendedor.
Sem reduzir a importância e simbolismo do dia do trabalhador, a nossa sociedade deve encontrar uma forma de celebrar de forma mais clara as atitudes empreendedoras que cruzam uma dimensão ética de trabalho e de capital, gerando riqueza e oportunidades de desenvolvimento.
As sociedades modernas distinguem-se pelo capital acumulado de conhecimento, tecnologia e capacidade inovadora, mas também pela confiança e pelo risco com estão dispostas a tirar partido do capital social para gerar dinâmicas de progresso.
A economia sustentável que vai emergir com maior ou menor dificuldade da actual crise que atravessamos vai continuar a precisar muito de investidores e de trabalhadores, mas terá como “pivots” os empreendedores, estejam eles onde estiverem nas várias categorias sociais que se vierem a formar.
Acredito que mais cedo ou mais tarde teremos um dia mundial dedicado à celebração das atitudes éticas e empreendedoras. Não tenho a veleidade de o propor. Apenas assinalo uma tendência que gostaria que se viesse a concretizar, mas que antes de ser consagrada num dia comemorativo, se tem que afirmar nos comportamentos e nas decisões quer tomamos em cada dia, fazendo dele um dia do empreendedor que há em cada um de nós.
in Fazer Acontecer, Carlos Zorrinho
image from knol
Saturday, April 11, 2009
Portugal na rota do Outsourcing
Empresas do sector pretendem criar 10.000 postos de trabalho nos próximos sete anos
A Associação Portugal Outsourcing (APO) quer colocar o nosso país no mapa mundial dos locais que prestam serviços BPO (Business Process Outsourcing). A prioridade é captar clientes de outros países europeus que querem deslocalizar as suas operações e processos de negócio para Portugal (nearshore), tirando partido da proximidade e das diminutas diferenças culturais (em comparação com a Índia ou a China). Segundo Frederico Moreira Rato, presidente da direcção da APO (em representação da Reditus), se esta estratégia for bem sucedida vai ser possível criar nos próximos anos 10.000 postos de trabalho, muitos dos quais fora das grandes cidades. A associação pretende que o sector seja responsável por 1% do produto interno bruto (PIB) nos próximos sete anos, contra os actuais 0,34%. Actualmente, o valor da área de outsourcing cifra-se em €561 milhões, o que está muito abaixo da média europeia (0,61%) e dos países que apostaram forte nesta área. Por exemplo, no Reino Unido representa 1,4% do PIB e na Roménia pesa 2,8%.
Frederico Moreira Rato vai dialogar com o Governo
Muito mais do que simples centros de contacto telefónico, os 15 membros da APO — entre os quais estão empresas nacionais e internacionais como a Accenture, Cap Gemini, Delloite, Glintt, IBM, Indra, Logica, Novabase, Portugal Telecom ou Reditus — pretendem trazer para Portugal centros BPO. Ou seja, pretendem deslocalizar para o país processos de negócio de médias e grandes organizações. Uma transferência que pressupõe a existência de organizações com as melhores práticas e recursos humanos qualificados. “Para que o sector seja bem sucedido, haverá fortes investimentos em formação e qualificação dos trabalhadores”, sublinha Moreira Rato.
Curiosamente, o actual contexto de crise económica até poderá ser vantajoso para o sector. “Há muitas organizações que estão a usar o outsourcing para se adaptarem aos tempos difíceis, na medida em que permite transformar custos fixos em variáveis e obter maior eficiência e qualidade de serviço”, adianta o presidente da APO.
Código de conduta
Mas, para que Portugal se posicione como um destino credível para serviços BPO, a associação (que já representa 81% do mercado nacional) está a procurar que os seus associados adoptem as melhores práticas, de forma a evitar que o bom nome do país no sector possa ser prejudicado pela existência de prestadores com menor qualidade de serviço. “Queremos evitar que uma maçã podre contamine as outras”, diz Moreira Rato. Para o efeito, foram constituídos diversos grupos de trabalho que vão elaborar um código de conduta (coordenado por Fernando Resina da Silva) e enviar propostas ao Governo para criar uma regulação específica ao nível dos contratos de trabalho (tarefa a cargo de Cavaleiro Brandão e Bagão Félix) e da fiscalidade (António Lobo Xavier). “Para sermos competitivos face aos concorrentes, será necessário adaptar o actual quadro fiscal e flexibilizar formas de contratação”, defende o presidente da APO.
A associação quer também promover a adopção do outsourcing na administração pública e está a fazer um estudo de benchmark (comparação) internacional, coordenado por Álvaro Ferreira, em que participará a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal). “Queremos identificar as vantagens de Portugal para os clientes estrangeiros, nomeadamente da Europa”, refere Moreira Rato.
Para debater estes problemas e colocar em realce as vantagens do país no outsourcing (ver caixa), a APO vai realizar este ano a primeira conferência anual, que trará a Portugal diversos especialistas internacionais, e desencadear um diálogo com o Governo, nomeadamente com Carlos Zorrinho, gestor do Plano Tecnológico.
João Ramos jramos@expresso.impresa.pt
BARREIRAS
LEIS DO TRABALHO
Modelo de remuneração rígido e falta de flexibilidade na contratação. A legislação do trabalho dificulta a prestação de serviços para o estrangeiro
FISCALIDADE
IVA e IRC em Portugal é dos mais elevados da Europa, o que retira competitividade ao sector. E, ao contrário de outros países, não existe regime específico para o outsourcing
CULTURA
Existe uma percepção negativa do outsourcing na opinião pública, ao nível da protecção do emprego e de direitos laborais
IMAGEM
Portugal continua a não ser encarado como uma primeira escolha pelos potenciais clientes internacionais
NÚMEROS
561 milhões de euros é o valor actual do negócios de outsourcing em Portugal, dos quais €267 milhões são de tecnologias de informação e €294 milhões são de BPO)
43 mil postos de trabalho de outsourcing em Portugal são as previsões para 2015, graças ao forte incremento do negócio externo
VANTAGENS
RECURSOS HUMANOS
Disponibilidade de elevada quantidade de recursos humanos qualificados com salários competitivos
FLEXIBILIDADE
Capacidade inata dos portugueses em se adaptarem a outras culturas e facilidade aprendizagem de outras
TELECOMUNICAÇÕES
Rede de banda larga com cobertura e qualidade dentro dos parâmetros dos países mais desenvolvidos
CUSTOS
Em relação a outros países europeus, Portugal tem preços competitivos ao nível de mão-de-obra e de instalações
ESPAÇO EUROPEU
Mobilidade da força de trabalho, bens e capitais é facilitada pelo facto de Portugal fazer parte da zona euro e do espaço Schengen
in EXPRESSO
Sunday, April 05, 2009
Uma revolução silenciosa
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| From Inovação & Inclusão |
por António Bob dos Santos
Nos últimos anos temos assistido a uma penetração cada vez maior das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) no nosso dia-a-dia. Se está a ler este artigo é provável que possua pelo menos um telemóvel (possivelmente com acesso à Internet), um computador (provavelmente portátil), que entregue a sua declaração de impostos pela internet (bem como utilize outros serviços públicos online) e que esteja inserido numa ou mais redes sociais (Facebook, Hi5, Orkut, Twitter, Linkdin, etc.). Embora esta não seja ainda uma situação igual para todos os portugueses, há segmentos da população onde esta realidade é mais evidente. Por exemplo, cerca de 85% dos jovens entre os 10 e 15 anos são utilizadores de telemóvel (62% em 2005)[1], mais de 90% utilizam regularmente a Internet, e uma percentagem muito elevada frequenta as redes sociais. O mesmo se passa na faixa etária dos 16-24 anos, onde, por exemplo, o número de utilizadores da Internet passou de 64% em 2004 para cerca de 90% em 2008[2]. É esta geração que irá entrar no mercado de trabalho daqui a poucos anos; não serão apenas consumidores de serviços online e de gadgets, mas também produtores e construtores de uma nova realidade, aproveitando as oportunidades da Web 2.0 e da futura Web 3.0. Trata-se também de uma geração ao mesmo nível que o resto dos jovens europeus no que respeita ao acesso às tecnologias de informação e comunicação (TIC). O grande desafio será na utilização dessas mesmas tecnologias, na capacidade de as usar para acrescentar valor ao que já existe. E essa capacidade pode ser “aprendida” e estimulada pelos professores, pela família, mas principalmente pelos seus pares, ou seja, pelo contacto com os milhares de jovens que em todo o mundo acedem à Internet e às redes sociais.
Nunca como agora foi possível aceder e também participar na construção de redes globais de conhecimento, de partilha, de interacção. Contudo, se hoje as nossas sociedades são cada vez mais globais e interligadas, muito devido ao desenvolvimento das TIC, há também uma tendência para que as diferenças e as especificidades de cada um tomem uma importância sem precedentes. As dinâmicas globais estimulam também a construção de “personalidades” cada vez mais diferenciadas, dada a facilidade de acesso à informação e aos conteúdos que mais nos interessam. É fácil hoje em dia construirmos os nossos próprios espaços na rede global, com ou sem limites, dado que somos nós que os definimos. É por isso que acredito que os jovens que actualmente “vivem” na Internet estão silenciosamente a construir uma sociedade mais heterogénea, multicultural, multifacetada e mais criativa, elementos propícios a uma dinâmica de progresso e de inovação.
Creative Commons License
[1] Cardoso, Gustavo, Rita Espanha e Tiago Lapa (2008), E-Generation 2008: Os Usos de Media pelas Crianças e Jovens em Portugal, CIES-ISCTE
[2] INE/UMIC, Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias 2002 - 2008.
Friday, March 27, 2009
Munícipios do interior perdem 10% de populaçãopor ano
por Ana Tomás Ribeiro

A desertificação do interior do país continua a crescer e boa parte destas autarquias perdem anualmente entre 10% a 15% da população, disse ao DN o presidente da Associação Nacional dos Municípios. O projecto Novos Povoadores, que quer levar para lá quem vive nas grandes cidades, já contava ontem com mais de cem famílias candidatas à mudança.
A desertificação do interior do país continua a crescer. "Uma parte dos municípios do interior já está a perder anualmente entre 10% a 15 da sua população " ,disse ontem ao DN o presidente da Associação Nacional dos Municípios, Fernando Ruas, baseando os seus cálculos em dados dos censos populacionais. Uma percentagem que virá a agravar-se se nada se fizer para travar o problema.
O autarca diz que não existem políticas nacionais para combater o problema, que não se resolve apenas com medidas locais. Pelo contrário, diz, há até políticas nacionais que têm "incentivado ou acelerado o despovoamento de algumas regiões, como é o caso do encerramento de serviços públicos" , como as maternidades. As grandes obras públicas que o Governo quer levar por diante são para o representante dos autarcas, projectos importantes para o país em termos de combate ao desemprego. "Mas uma parte da mão-de-obra para as executar também sairá do interior e isso poderá ser mais um factor a contribuir para a desertificação".
A prioridade da associação é travar a saída de mais pessoas do interior e fixar as famílias que lá existem. Com esse objectivo aquela estrutura associativa apresentou recentemente ao Governo um programa de combate ao problema que exige apoios estatais da ordem dos 730 milhões de euros com os quais "os munícipes podiam alavancar quer o emprego quer as economias locais", referiu Fernando Ruas. Aguardam agora pela resposta governamental.
Quanto a atrair pessoas dos grandes centros urbanos para essas regiões, um objectivo do projecto Novos Povoa- dores, cujos primeiro dados foram divulgados ontem pelo DN, considera que é importante, mas não prioritário.
Seja como for o projecto criado por três amigos - Frederico Lucas, Ana Linhares e Alexandre Ferraz (ver caixa perfis) - e que conta, na sua implementação com a parceria do Intec, Instituto de Tecnologia Comportamental, e coma experiência de Patrícia Palma e Miguel Lopes (ver caixa)- já contava ontem com mais de cem famílias candidatas a deixar os grandes centros urbanos para irem viver para uma cidade de média dimensão.
A primeira autarquia a acolher alguns destes novos povoadores, que deverão mudar-se no início do próximo ano lectivo, será Abrantes. A Câmara local e a Associação Tagus Vallei, a promotora do Tecnopólo Vale do Tejo, deverão assinar o protocolo com os Novos Povoadores ainda em Abril , disse ao DN Céu Albuquerque, vereadora do ambiente e desenvolvimento económico daquela autarquia (ver reportagem no texto ao lado). Numa primeira fase vão acolher 20 famílias. Mas há já outros municípios interessados na ideia.
in DN

A desertificação do interior do país continua a crescer e boa parte destas autarquias perdem anualmente entre 10% a 15% da população, disse ao DN o presidente da Associação Nacional dos Municípios. O projecto Novos Povoadores, que quer levar para lá quem vive nas grandes cidades, já contava ontem com mais de cem famílias candidatas à mudança.
A desertificação do interior do país continua a crescer. "Uma parte dos municípios do interior já está a perder anualmente entre 10% a 15 da sua população " ,disse ontem ao DN o presidente da Associação Nacional dos Municípios, Fernando Ruas, baseando os seus cálculos em dados dos censos populacionais. Uma percentagem que virá a agravar-se se nada se fizer para travar o problema.
O autarca diz que não existem políticas nacionais para combater o problema, que não se resolve apenas com medidas locais. Pelo contrário, diz, há até políticas nacionais que têm "incentivado ou acelerado o despovoamento de algumas regiões, como é o caso do encerramento de serviços públicos" , como as maternidades. As grandes obras públicas que o Governo quer levar por diante são para o representante dos autarcas, projectos importantes para o país em termos de combate ao desemprego. "Mas uma parte da mão-de-obra para as executar também sairá do interior e isso poderá ser mais um factor a contribuir para a desertificação".
A prioridade da associação é travar a saída de mais pessoas do interior e fixar as famílias que lá existem. Com esse objectivo aquela estrutura associativa apresentou recentemente ao Governo um programa de combate ao problema que exige apoios estatais da ordem dos 730 milhões de euros com os quais "os munícipes podiam alavancar quer o emprego quer as economias locais", referiu Fernando Ruas. Aguardam agora pela resposta governamental.
Quanto a atrair pessoas dos grandes centros urbanos para essas regiões, um objectivo do projecto Novos Povoa- dores, cujos primeiro dados foram divulgados ontem pelo DN, considera que é importante, mas não prioritário.
Seja como for o projecto criado por três amigos - Frederico Lucas, Ana Linhares e Alexandre Ferraz (ver caixa perfis) - e que conta, na sua implementação com a parceria do Intec, Instituto de Tecnologia Comportamental, e coma experiência de Patrícia Palma e Miguel Lopes (ver caixa)- já contava ontem com mais de cem famílias candidatas a deixar os grandes centros urbanos para irem viver para uma cidade de média dimensão.
A primeira autarquia a acolher alguns destes novos povoadores, que deverão mudar-se no início do próximo ano lectivo, será Abrantes. A Câmara local e a Associação Tagus Vallei, a promotora do Tecnopólo Vale do Tejo, deverão assinar o protocolo com os Novos Povoadores ainda em Abril , disse ao DN Céu Albuquerque, vereadora do ambiente e desenvolvimento económico daquela autarquia (ver reportagem no texto ao lado). Numa primeira fase vão acolher 20 famílias. Mas há já outros municípios interessados na ideia.
in DN
Thursday, March 26, 2009
33 famílias serão Novos Povoadores do interior em Setembro
por Ana Tomás Ribeiro

Há 277 municípios a precisar de recursos humanos. E famílias de grandes cidades a quererem mudar de vida. O projecto Novos Povoadores é o ponto de encontro.
Há 277 municípios a precisar de recursos humanos qualificados e de gente empreendedora capaz de criar projectos geradores de emprego, com efeito multiplicador, e de competir a nível internacional. E há certamente famílias nos grande centros urbanos com vontade de mudarem para a província, para desenvolver um projecto próprio tendo mais qualidade de vida.
Foi nisto que Frederico Lucas pensou quando decidiu desafiar dois amigos, a Ana Linhares, socióloga, e o Alexandre Ferraz, técnico de uma associação de desenvolvimento local em Trancoso, para criarem conjuntamente o projecto Novos Povoadores (divulgado pela Visão há duas semanas), que tem como objectivo encontrar, nos grandes centros urbanos, candidatos à altura das necessidades regionais. Depois era preciso encontrar um parceiro que os ajudasse a pôr em prática o desafio. Encontraram o Intec - Instituto de Tecnologia Comportamental. Assim, o projecto só começou a ser posto em prática em Dezembro.
De então para cá já se candidataram 25 famílias. "Mas daqui por um mês já devemos ter 100 candidaturas. Uma estimativa que faço de acordo com o número de contactos que temos recebido", explica Frederico Lucas.
Para garantir o sucesso da família na sua nova vida, um dos membros do casal deverá ter um emprego assegurado, quer por via da transferência da sua actual entidade empregadora ou de uma entidade da região que o venha previamente a contratar. O outro membro da família terá de desenvolver um projecto empreendedor, para o qual conta, desde logo, com apoios de várias entidades, incluindo do próprio município.
Contudo, das cem famílias que deverão ser candidatas dentro de um mês, só um terço concretizará a mudança. Ou seja, 33.
De acordo com o cálculos de um dos mentores do projecto, "a maioria vai desistir ou prorrogar a decisão a meio do processo de aproximação à nova realidade. Um processo que pretendemos fazer de uma forma lenta, e com várias etapas, para que os candidatos se apercebam de todos os prós e contra" (ver caixa com passo a passo). Os que vão desistir, diz Frederico Lucas, fazem-no essencialmente por questões culturais. As que se mantêm mudam-se no começo do próximo ano lectivo, em Setembro, para uma cidade ligada por auto-estrada. Porque os mentores do projecto Novos Povoadores querem iniciar a experiência piloto num centro urbano de fácil acesso. Em cima da mesa estão várias hipóteses: Castelo Branco, Évora, Abrantes. Uma ilha nos Açores também está a ser estudada.
Entre as 15 famílias que já estão em processo de avaliação, há casais sem filhos e famílias numeroas (com 5 pessoas ), muitos profissionais da comunicação, marketing, engenheiros e projectistas, bem como emigrantes que regressaram ao país e querem investir em projectos de turismo rural.
in DN
Há 277 municípios a precisar de recursos humanos. E famílias de grandes cidades a quererem mudar de vida. O projecto Novos Povoadores é o ponto de encontro.
Há 277 municípios a precisar de recursos humanos qualificados e de gente empreendedora capaz de criar projectos geradores de emprego, com efeito multiplicador, e de competir a nível internacional. E há certamente famílias nos grande centros urbanos com vontade de mudarem para a província, para desenvolver um projecto próprio tendo mais qualidade de vida.
Foi nisto que Frederico Lucas pensou quando decidiu desafiar dois amigos, a Ana Linhares, socióloga, e o Alexandre Ferraz, técnico de uma associação de desenvolvimento local em Trancoso, para criarem conjuntamente o projecto Novos Povoadores (divulgado pela Visão há duas semanas), que tem como objectivo encontrar, nos grandes centros urbanos, candidatos à altura das necessidades regionais. Depois era preciso encontrar um parceiro que os ajudasse a pôr em prática o desafio. Encontraram o Intec - Instituto de Tecnologia Comportamental. Assim, o projecto só começou a ser posto em prática em Dezembro.
De então para cá já se candidataram 25 famílias. "Mas daqui por um mês já devemos ter 100 candidaturas. Uma estimativa que faço de acordo com o número de contactos que temos recebido", explica Frederico Lucas.
Para garantir o sucesso da família na sua nova vida, um dos membros do casal deverá ter um emprego assegurado, quer por via da transferência da sua actual entidade empregadora ou de uma entidade da região que o venha previamente a contratar. O outro membro da família terá de desenvolver um projecto empreendedor, para o qual conta, desde logo, com apoios de várias entidades, incluindo do próprio município.
Contudo, das cem famílias que deverão ser candidatas dentro de um mês, só um terço concretizará a mudança. Ou seja, 33.
De acordo com o cálculos de um dos mentores do projecto, "a maioria vai desistir ou prorrogar a decisão a meio do processo de aproximação à nova realidade. Um processo que pretendemos fazer de uma forma lenta, e com várias etapas, para que os candidatos se apercebam de todos os prós e contra" (ver caixa com passo a passo). Os que vão desistir, diz Frederico Lucas, fazem-no essencialmente por questões culturais. As que se mantêm mudam-se no começo do próximo ano lectivo, em Setembro, para uma cidade ligada por auto-estrada. Porque os mentores do projecto Novos Povoadores querem iniciar a experiência piloto num centro urbano de fácil acesso. Em cima da mesa estão várias hipóteses: Castelo Branco, Évora, Abrantes. Uma ilha nos Açores também está a ser estudada.
Entre as 15 famílias que já estão em processo de avaliação, há casais sem filhos e famílias numeroas (com 5 pessoas ), muitos profissionais da comunicação, marketing, engenheiros e projectistas, bem como emigrantes que regressaram ao país e querem investir em projectos de turismo rural.
in DN
Conhecida a primeira finalista do "Melhor Emprego do Mundo"
Com mais de 150 mil votos, uma jovem de Taiwan foi a preferida dos internautas que votaram nos candidatos ao melhor emprego do mundo. Os outros 10 finalistas, escolhidos pelo Turismo de Queensland, só serão conhecidos para a semana. Veja o VÍDEO da vencedora
Fechada a votação, a candidata Clare Wang, de Taiwan, foi a escolhida pelos internautas, com mais de 151 mil votos. No total, serão 11 finalistas a terem a possibilidade de se deslocarem à Austrália para a última etapa, uma entrevista. Os 10 que faltam são escolhidos pelo Turismo de Queensland e anunciados apenas a 2 de Abril.
O emprego, esse é "duro": Seis meses de contrato, 100 mil dólares, casa de sonho na paradisíaca ilha de Hamilton e a difícil missão de assegurar algumas tarefas básicas e relatar a experiência num blogue.
Candidataram-se 34 mil pessoas e os 50 primeiros selecionados foram anunciados na terça-feira, 3 de Março. (Vale a pena espreitar a lista dos finalistas para ver a criatividade dos vídeos dos candidatos).
Entre esses 50 pré-selecionados, oriundos de 22 países, encontra-se um angariador de fundos para caridade, um instrutor de dança, um fisioterapeuta, um chef, um DJ, um cientista, um actor, estudantes, jornalistas e intérpretes.
O vencedor será anunciado no dia 6 de Maio.
in Visão
Fechada a votação, a candidata Clare Wang, de Taiwan, foi a escolhida pelos internautas, com mais de 151 mil votos. No total, serão 11 finalistas a terem a possibilidade de se deslocarem à Austrália para a última etapa, uma entrevista. Os 10 que faltam são escolhidos pelo Turismo de Queensland e anunciados apenas a 2 de Abril.
O emprego, esse é "duro": Seis meses de contrato, 100 mil dólares, casa de sonho na paradisíaca ilha de Hamilton e a difícil missão de assegurar algumas tarefas básicas e relatar a experiência num blogue.
Candidataram-se 34 mil pessoas e os 50 primeiros selecionados foram anunciados na terça-feira, 3 de Março. (Vale a pena espreitar a lista dos finalistas para ver a criatividade dos vídeos dos candidatos).
Entre esses 50 pré-selecionados, oriundos de 22 países, encontra-se um angariador de fundos para caridade, um instrutor de dança, um fisioterapeuta, um chef, um DJ, um cientista, um actor, estudantes, jornalistas e intérpretes.
O vencedor será anunciado no dia 6 de Maio.
in Visão
Monday, March 16, 2009
As novas indústrias do próximo futuro

Existe uma grande convicção no sentido do surgimento de um novo paradigma de desenvolvimento no período que se seguirá à actual crise económica e financeira global. A grande interrogação que se coloca aos decisores empresarias reside na determinação dos sectores que vão crescer, dos que se vão
Existe uma grande convicção no sentido do surgimento de um novo paradigma de desenvolvimento no período que se seguirá à actual crise económica e financeira global.
A grande interrogação que se coloca aos decisores empresarias reside na determinação dos sectores que vão crescer, dos que se vão reduzir e dos novos sectores de actividade económica que surgirão ou se afirmarão de uma forma significativa.
Correndo os riscos associados às previsões, particularmente altos em períodos de elevada turbulência e de transição, considero útil desenvolver algumas reflexões em torno das indústrias potenciais do futuro próximo, que permita a discussão e o estabelecimento de caminhos para o futuro das empresas portuguesas.
Neste exercício prospectivo, as actividades empresariais que se evidenciarão no futuro próximo, serão, em minha opinião, agrupadas em torno das seguintes áreas:
• Indústrias da sustentabilidade que integrarão os "clusters" ligadas ligados às novas formas de conservação e produção de energia e de protecção do ambiente, onde se incluirão as unidades ligadas à energia eólica, células fotovoltaicas, carros eléctricos, novos materiais compósitos, componentes electrónicos….
• Indústrias da saúde e bem-estar, integrando as unidades da área da bioquímica e farmacêutica, equipamentos hospitalares, materiais recicláveis, novos sistemas de tratamento e prevenção de doenças, clínicas especializadas…
• Indústrias do entretenimento e da qualidade de vida, integrando as áreas do turismo, desporto, cultura, dos conteúdos multimédia…
• Indústrias da produtividade e da eficiência, integrando as tecnologias de informação e comunicação, a indústria informática, os novos sistemas de criação, transporte e distribuição de informação…
• Indústrias da geografia, integrando a "customização" das diferentes tecnologias para diferentes geografias, com especial relevo para as tecnologias tropicais que permitam o desenvolvimento da agricultura, pecuária, medicina… dos países de África e de outras regiões menos desenvolvidas.
Assistiremos, simultaneamente, ao declínio ou redução da actividade de um conjunto de sectores, com graus elevados de ineficiência produtiva, associados a um modelo de consumo intensivo, tais como a indústria automóvel, imobiliária e electrónica de consumo tradicional, assim como ao decréscimo de rendibilidade de sectores que apostaram numa diferenciação artificial não suportada no "value for money" dos seus produtos. Nestes sectores assistiremos a uma alteração qualitativa significativa do portefólio de produtos que o mercado virá a aceitar.
Os sinais que a economia americana emitirá nos próximos meses vão ser fundamentais para testar e corrigir estas projecções, e para a construção de opções sólidas para o futuro da actividade produtiva portuguesa. Neste aspecto, especial atenção deve ser dada aos programas de investigação aplicada das universidades americanas de referência, já que os mesmos ditarão as grandes linhas de desenvolvimento tecnológico e empresarial para o próximo futuro.
Em relação aos sectores tradicionais de consumo das famílias - têxtil, vestuário, mobiliário, decoração, etc., verificar-se-á uma maior sensibilidade ao preço pelo que serão essenciais os esforços de aumento de produtividade e redução de custos. As famílias tenderão a afectar uma parte menor do seu rendimento disponível a este tipo de produtos, concentrando o rendimento remanescente nas novas áreas atrás referidas ligadas à saúde e qualidade de vida, aos quais exigirão um elevado índice do "value for money".
Os próximos tempos vão ser tempos de reflexão e estudo intensivo. Não são, tradicionalmente, as áreas preferenciais de aplicação de recursos dos nossos agentes empresariais. Mas terão de passar a ser!
in JN, Luís Todo Bom
Monday, March 02, 2009
A Busca Interior

São cada vez mais os que partem dos centros urbanos para o Interior. Procuram, não o ideal romântico de outros tempos, mas oportunidades de trabalho e de vida que as cidades lhes vão negando.
Ana Berliner foi das que trocaram Lisboa pelo Vale do Côa, terra que lhe vai servindo para cumprir o gosto pela conservação da natureza. Bióloga, é presidente da Associação Transumância e Natureza (ATN), actividade a que se vai dedicando como "hobby". A subsistência da família é assegurada pela exploração de uma casa de turismo rural.
É à frente dos destinos da ATN que Ana Berliner sente a solidão imposta por uma paixão que ainda não é valorizada pela sociedade em geral. "Temos falta de meios físicos e humanos", contou ao JN. "Enquanto há projectos, as coisas vão correndo bem... Mas os nossos meios são muito escassos". A carência é combatida pelos apoios que recebem de organizações internacionais. "Em Portugal, não recolhemos muitos apoios e não existe mecenato em projectos de conservação da natureza", lamenta a bióloga.
Os atrasos nos pagamentos do Ministério da Agricultura e o excesso de burocracia para passar à prática algumas das iniciativas, como o sempre adiado campo de alimento de aves necrófagas, desgastam e moem, exemplifica Ana Berliner. Mas não matam o gosto de quem deitou mãos e alma à dinamização de associações de desenvolvimento rural. O JN falou com vários jovens, actualmente à frente de projectos no Douro Internacional (ver página 3 e 4). A falta de apoios e o excesso de burocracia são queixas unanimente partilhadas.
Rui Rafael, do Gabinete de Planeamento e Políticas (GPP) do Ministério da Agricultura, desmonta, no entanto, a ideia da insuficiência de apoios. No âmbito da aplicação dos fundos comunitários, a sociedade civil tem ao dispor uma dotação de 453 milhões de euros para aplicação em projectos que vão da diversificação da economia e criação de emprego, à melhoria qualidade de vida, implementação de estratégias de desenvolvimento local e para o funcionamento dos Grupo de Acção Local (GAL), explicou.
Até à data, adiantou, ainda, o técnico do GPP, foram criados 44 GAL, que cobrem 80% do território nacional. Estes gabinetes têm como tarefa a gestão da aplicação das verbas numa determinada área. "Sabemos por experiência que quem faz melhor o que é melhor para si é a comunidade local", explicou Rui Rafael, justificando, assim, a criação de unidades locais para a gestão dos fundos.
As associações podem submeter aos GAL os projectos que pretendem aplicar no terreno, sendo que têm que ter como filosofia subjacente a criação de investimento, emprego e competitividade, o que por si só não garante a resolução do problema da fixação de recursos humanos, sublinhou Rui Rafael.
Renato Carmo, investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), apesar de reconhecer a forte dependência das associações de desenvolvimento rural dos fundos comunitários, salienta a ausência de políticas públicas direccionadas para este tipo de dinâmicas. "Quando acabam os apoios não têm capacidade de continuidade", sublinhou o sociólogo, defendendo a criação políticas capazes de atrair pessoas ao Interior.
Gente que parte das cidades à procura de uma vida melhor, mas que partilha a intenção de preservar, valorizar e revitalizar o património rural das terras que a acolhe. Américo Tomé, vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, embora reconheça a importância de receber forasteiros, mostra-se ciente das dificuldades. "Por cá, temos muito espaço para poucas pessoas", lamenta, consciente de que as oportunidades só vingam onde há gente.
in JN, Maria Cláudia Monteiro
Saturday, February 28, 2009
Friday, February 27, 2009
Gerir a Inovação para inovar a Gestão
Novas estratégias à volta de temas centrais para o futuro do País e da Europa estão em cima da mesa.
Francisco Jaime Quesado
Novas estratégias à volta de temas centrais para o futuro do País e da Europa estão em cima da mesa. Pensar a Inovação e Criatividade como factores centrais duma nova sustentabilidade em que a participação dos cidadãos se assume numa lógica colaborativa em rede justifica uma atenção muito especial aos novos factores estratégicos de competitividade que devem nortear qualquer actuação para o futuro. Não se pode conceber uma lógica de mudança na sociedade portuguesa se não se fizer da Inovação e Criatividade os "enablers" estratégicos duma nova atitude perante a participação individual em sociedade. O evento "Business Innovation" que traz a Portugal especialistas como Kjell Nordstrom, Henry Chesbrough e Peter Skarzinsky é um importante marco na discussão desta pretendida mudança de agenda.
A importância estratégica que a temática da Inovação e Criatividade assume justifica uma participação activa da sociedade civil na discussão dos caminhos que se têm que definir daqui para a frente. Há claramente um sentido de urgência no envolvimento dos "actores operacionais" (Estado, universidades, centros I&D, empresas) na abordagem estruturada das opções que estão em cima da mesa na definição dos investimentos a realizar. A vinda destes especialistas a Lisboa afigura-se neste contexto muito oportuna: a mensagem de mudança e de abertura a um novo compromisso que terão ocasião de deixar bem expressa será certamente um sinal de confiança para com os desafios que se colocam à economia e sociedade portuguesa nos próximos tempos.
Mudar a agenda para agendar a mudança é um desafio colectivo no qual a participação individual se configura como estrategicamente mais do que necessária. O objectivo de consolidação da Sociedade do Conhecimento em Portugal não se pode fazer por mero decreto e face à dimensão estratégica assumida pelos objectivos da sustentabilidade torna-se fundamental que o Estado, as universidades e os players empresariais na área das telecomunicações firmem um verdadeiro pacto estratégico sobre as parcerias a desenvolver para a implementação de plataformas em que os cidadãos se revelem nesta nova lógica participativa que cada vez mais é o Portugal 2.0.
A participação empreendedora da sociedade civil neste amplo movimento de reflexão estratégica sobre as novas temáticas para o futuro do país fecha o circuito. São boas as notícias que nos chegam quanto à oportunidade de afirmação da Plataforma Construir Ideias, na linha do capital de intervenção de prestigiados "Think tanks" como é o caso do Policy Network ou do Bruegel, entre outros. Também aqui a actualidade estratégica da temática energética veio ao de cima, corporizada na discussão profunda sobre as questões suscitadas pela opção do nuclear como fonte energética alternativa em Portugal. Trata-se duma matéria polémica e a sua abordagem torna-se fundamental para sustentar opções que se venham a fazer daqui para a frente.
A construção duma Sociedade da Inovação e Criatividade é um desafio complexo e transversal a todos os actores e exige um capital de compromisso colaborativo entre todos. Em 2009 Portugal é já claramente um país da linha da frente em matéria de infra-estruturas de última geração na área das telecomunicações e da produção de novas fontes de energia. Assumir o desafio duma perspectiva estratégica de aposta num novo modelo de economia sustentável, centrada na Inovação e Criatividade, implica por isso saber dar resposta às solicitações das várias frentes e acima de tudo tomar de forma consciente opções sobre qual as melhores soluções a adoptar para o futuro.
A Estratégia de Lisboa em que assenta o compromisso para o futuro de Portugal e da Europa é um processo em permanente renovação. Assumir o desafio das melhores opções para Portugal numa Europa indefinida e num mundo global complexo passa por saber discutir as questões que estão em cima da mesa. A Inovação define uma agenda que tem que ser "agarrada" com sentido de futuro. Por isso, os "diálogos" que a partir de agora se vão desenvolver um pouco pelo País vai são um sinal de resposta ao desafio. O primeiro passo é dado com o "Business Innovation" em Lisboa. Esperemos que os resultados correspondam às expectativas.
Gestor do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento
in Jornal de Negócios
Francisco Jaime Quesado
Novas estratégias à volta de temas centrais para o futuro do País e da Europa estão em cima da mesa. Pensar a Inovação e Criatividade como factores centrais duma nova sustentabilidade em que a participação dos cidadãos se assume numa lógica colaborativa em rede justifica uma atenção muito especial aos novos factores estratégicos de competitividade que devem nortear qualquer actuação para o futuro. Não se pode conceber uma lógica de mudança na sociedade portuguesa se não se fizer da Inovação e Criatividade os "enablers" estratégicos duma nova atitude perante a participação individual em sociedade. O evento "Business Innovation" que traz a Portugal especialistas como Kjell Nordstrom, Henry Chesbrough e Peter Skarzinsky é um importante marco na discussão desta pretendida mudança de agenda.
A importância estratégica que a temática da Inovação e Criatividade assume justifica uma participação activa da sociedade civil na discussão dos caminhos que se têm que definir daqui para a frente. Há claramente um sentido de urgência no envolvimento dos "actores operacionais" (Estado, universidades, centros I&D, empresas) na abordagem estruturada das opções que estão em cima da mesa na definição dos investimentos a realizar. A vinda destes especialistas a Lisboa afigura-se neste contexto muito oportuna: a mensagem de mudança e de abertura a um novo compromisso que terão ocasião de deixar bem expressa será certamente um sinal de confiança para com os desafios que se colocam à economia e sociedade portuguesa nos próximos tempos.
Mudar a agenda para agendar a mudança é um desafio colectivo no qual a participação individual se configura como estrategicamente mais do que necessária. O objectivo de consolidação da Sociedade do Conhecimento em Portugal não se pode fazer por mero decreto e face à dimensão estratégica assumida pelos objectivos da sustentabilidade torna-se fundamental que o Estado, as universidades e os players empresariais na área das telecomunicações firmem um verdadeiro pacto estratégico sobre as parcerias a desenvolver para a implementação de plataformas em que os cidadãos se revelem nesta nova lógica participativa que cada vez mais é o Portugal 2.0.
A participação empreendedora da sociedade civil neste amplo movimento de reflexão estratégica sobre as novas temáticas para o futuro do país fecha o circuito. São boas as notícias que nos chegam quanto à oportunidade de afirmação da Plataforma Construir Ideias, na linha do capital de intervenção de prestigiados "Think tanks" como é o caso do Policy Network ou do Bruegel, entre outros. Também aqui a actualidade estratégica da temática energética veio ao de cima, corporizada na discussão profunda sobre as questões suscitadas pela opção do nuclear como fonte energética alternativa em Portugal. Trata-se duma matéria polémica e a sua abordagem torna-se fundamental para sustentar opções que se venham a fazer daqui para a frente.
A construção duma Sociedade da Inovação e Criatividade é um desafio complexo e transversal a todos os actores e exige um capital de compromisso colaborativo entre todos. Em 2009 Portugal é já claramente um país da linha da frente em matéria de infra-estruturas de última geração na área das telecomunicações e da produção de novas fontes de energia. Assumir o desafio duma perspectiva estratégica de aposta num novo modelo de economia sustentável, centrada na Inovação e Criatividade, implica por isso saber dar resposta às solicitações das várias frentes e acima de tudo tomar de forma consciente opções sobre qual as melhores soluções a adoptar para o futuro.
A Estratégia de Lisboa em que assenta o compromisso para o futuro de Portugal e da Europa é um processo em permanente renovação. Assumir o desafio das melhores opções para Portugal numa Europa indefinida e num mundo global complexo passa por saber discutir as questões que estão em cima da mesa. A Inovação define uma agenda que tem que ser "agarrada" com sentido de futuro. Por isso, os "diálogos" que a partir de agora se vão desenvolver um pouco pelo País vai são um sinal de resposta ao desafio. O primeiro passo é dado com o "Business Innovation" em Lisboa. Esperemos que os resultados correspondam às expectativas.
Gestor do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento
in Jornal de Negócios
Thursday, February 26, 2009
O actual momento é de ouro!

NUNCA VI TANTA GENTE A QUESTIONAR-SE SOBRE A VALIDADE DOS SISTEMAS INSTITUÍDOS, muitos deles verdadeiros cancros à modernização e COMPETITIVIDADE do país que nos une.
Julgo que é consensual que reside no empreendedorismo a chave para a dinamização da economia. E neste domínio há muito para fazer.
Desde logo, EDUCAMOS OS NOSSOS FILHOS PARA SEREM FUNCIONÁRIOS, num modelo de trabalho que se esgotou na geração dos nossos pais. Os rendimentos sobre o trabalho dos nossos filhos vão variar directamente com a sua produtividade pelo que os modelos de "endividamento para toda a vida e depois dela" valem hoje o mesmo que os fundos Madoff.
Por outro lado, O ESTADO NÃO SABE LIDAR COM O EMPREENDEDORISMO: Sendo o maior cliente nacional, porque não promove a partilha de conhecimento através de equipas mistas e multidisciplinares com estruturas de comunicação actuais ao invés das tradicionais "comissões" que mais se assemelhavam a reuniões de condomínio?
Mas para tudo isto precisamos de uma estratégia forte. Precisamos de compreender a geografia dos clusters e NÃO SOFRER CONDICIONALISMOS para explorar as oportunidades emergentes.
Um exemplo:
Estive recentemente a oportunidade de participar numa conferência onde a maioria dos presentes já colabora em conjunto há mais de uma década. Tratava-se do sector turístico do Algarve. Foram aquelas pessoas que decidiram COLECTIVAMENTE que Portugal tinha condições para se afirmar como destino de golfe a NÍVEL GLOBAL.
Hoje, 35% dos turistas mundiais que praticam golfe indicam Portugal como destino de eleição. E esse resultado, que se traduz em receitas significativas na economia portuguesa, mais não é do que o resultado da união de empresários, políticos e investigadores num objectivo comum.
Por curiosidade, entende HOJE este grupo de trabalho que o TURISMO RESIDENCIAL pode ser uma nova oportunidade de afirmação do turismo de Portugal angariando NOVOS POVOADORES provenientes de economias mais abastadas que a nossa.
Wednesday, February 18, 2009
As Cidades mais Vazias da América

O seguinte texto é uma adaptação do artigo “America’s Emptiest Cities” de Zack O’Malley, da revista Forbes
«As Cidades mais Vazias da América
Durante décadas Las Vegas vibrou com nova construção e um desenvolvimento económico alucinante. Detroit, o centro da indústria americana, estagnou e enferrujou sob o seu próprio peso. Assim, Las Vegas e Detroit “disputam” o título de cidade mais abandonada da América. Atlanta surge em terceiro, seguido por Greensboro, N.C. e ainda por Dayton, no 6º posto.
Estes resultados surgem de uma combinação entre taxas de ocupação de casas alugadas e casas próprias realizada pela Forbes com valores obtidos no Census Bureau, em que o valor final é uma média dos dados acima observados, para as 75 maiores áreas metropolitanas dos Estados Unidos da América.
Cidades como Detroit e Dayton são vítimas do longo declínio industrial americano, já outras como Las Vegas e Orlando, são vítimas da recente quebra na procura de casa (existem 18.9 milhões de casas vagas nos EUA). Boston e New York estão na situação oposta,
Ainda assim, os bairros vazios estão-se a transformar num problema cada vez mais grave no país. A taxa de casas de aluguer livres a nível nacional está agora em 10.1%, acima de 9.6% de um ano atrás.
“Está uma confusão” diz o construtor Laurence Hallier de Vegas. “Agora, as coisas estão congeladas. Toda a gente está assustada.” Hallier, sabe-o por experiência. O seu complexo Panorama Towers era um sucesso no início, há três anos. O primeiro dos quatro arranha-céus residenciais planeados foi vendido em seis meses, o segundo, que abrira em 2007, vendeu em 12 semanas. Já a terceira torre, perto da data de conclusão no Outono passado, tinha apenas vendido 92% de suas unidades. Com a recessão apenas metade dos negócios foram concluídos. Hallier diz que demorará anos para vender o restante e o projecto para a quarta torre foi atrasado indefinidamente.
Enquanto os preços dos bens imobiliários subiram rapidamente durante o crescimento, os consumidores contraíram grandes empréstimos para comprar casas, partindo do principio que os valores iriam continuar a aumentar. Em vez disso os preços tiveram uma queda abrupta, em especial em lugares como Las Vegas, Florida e Phoenix, onde o crescimento do parque habitacional era grande. Muitos proprietários encontraram-se então de repente com o valor das propriedades longe do valor das hipotecas que realizaram. A situação em Las Vegas é bastante má mas em Detroit os problemas são muito mais profundos. O grande desenvolvimento industrial durante a primeira metade do século XX, a população de Detroit cresceu de 285.000 em 1900 a 990.000 em 1920, alcançando um pico de 1.8 milhões em 1950. Mas no começo dosanos 60, Detroit começou o declínio. A sua população é agora de 900.000 - metade do que era no meio do século - e muitos dos seus bairros deterioram-se rapidamente.
A maioria dos estudos responsabilizam o alargamento dos subúrbios, o outsorcing de trabalhos fabris e os programas federais que dizem agravar a situação criando uma cultura do desemprego e de dependência.
Contudo após mais do que meio século, ainda ninguém foi capaz de encontrar uma solução para recuperar Detroit.
Las Vegas sofrerá eventualmente o mesmo destino?»
Daniel Tiago via 5ª Cidade
Monday, February 16, 2009
INTERIORIDADES: ENTRE MITOS E REALIDADES
A palavra em si, “interioridades”, possui densas conotações psicanalíticas e intimistas, geográficas e etnográficas, e, ultimamente, tem vindo mesmo a tomar contornos míticos que urge reposicionar, sob pena deste termo servir de “pau para toda a colher” nas teses políticas de sinal contrário, e confundir a cidadania sobre as prementes questões territoriais, demográficas, sociais, económicas, sanitárias, educacionais, ambientais, culturais, políticas e administrativas, que impendem sobre o que comummente se denomina hoje por “questão da interioridade”.
Sobre esta questão, no actual contexto, e porque de questão se trata, enunciemos com pertinência os principais dados do problema, do nosso ponto de vista, e, como ponto de vista.
Primeiro, este debate não dispensa uma análise desmistificadora das ideologias dominantes em matéria de desenvolvimento, e daquilo que não feito e porque o não foi, como daquilo que foi feito e de que modo o foi.
Esta necessidade assenta na constatação de que naquilo que se fez até agora muito erro de perspectiva se cometeu, e que muitas sanguessugas e rémoras de interesses ilegítimos estiveram sempre disfarçadamente coladas a programas e acções vocacionadas para o desenvolvimento do país e do interior.
Também não dispensa uma análise fina e pormenorizada da situação actual e dos valores que defendemos para um território e suas comunidades de vida sustentáveis.
Como modelo de desenvolvimento, desde já dizemos que nos parece errado encarar as necessidades e lógicas de desenvolvimento sustentável do interior nos moldes em que foram e têm sido perspectivadas, guiadas por critérios que já abriram falência, designadamente as lógicas de desenvolvimento materialista e economicista, assente em lógicas do lucro e no consumismo, em vez de se atenderem às necessidades e valores essenciais à qualidade de vida das populações e comunidades locais.
Os sinais anunciados pelos decisores nacionais e locais em matéria de acções e projectos previstos para aproveitar os fundos comunitários do QREN são anunciadores de megalomanias, caprichos ou lógicas eleitoralistas nacionais e autárquicas que auguram repetidas oportunidades perdidas.
O interior, antes tudo, precisa de se afirmar como identificação territorial, cultural e social e apostar convictamente na valorização do seu património endógeno.
Porque, no passado, nesta matéria, fizeram-se pequenas e desacreditas acções de índole folclórica e sem investimento crítico e estruturante.
Nunca se apostou de forma séria em conservatórios de artes e ofícios tradicionais regionais. O artesanato e as artes e ofícios foram sempre vistos como pequenos animadores de feiras locais oportunistamente montadas para fins contrários aos legítimos interesses dos artesãos.
Os autarcas do interior, de um modo geral, têm praticado a política do cimento armado anárquico, ao sabor dos interesses alheios ao bem comum, e do centralismo urbano em detrimento das comunidades rurais.
Se perguntarem aos decisores locais o que entendem por desenvolvimento imaterial sustentável, vão rir-se na vossa cara!
JOÃO SERRA DOS REIS
Tuesday, January 27, 2009
Don Tapscott em Lisboa (CCB)
Don Tapscott - co-autor do best seller WIKINOMICS - vem a Lisboa no âmbito da conferência de Abertura do Ano Europeu da Criatividade e Inovação.A abertura oficial do Ano Europeu da Criatividade e Inovação em Portugal decorrerá no dia 3 de Fevereiro, no Centro Cultural de Belém, sala Luís de Freitas Branco, em Lisboa.
11h00 ‐ Sessão de Abertura
Carlos Zorrinho ‐ Coordenador Nacional do AECI
Representante da Comissão Europeia
11h45 ‐ Don Tapscott ‐ “Governação 2.0: Como a geração Internet está a mudar a
governação, a inovação e a democracia”
12h45‐ Almoço
14h30 – Workshop: Aplicações da Criatividade e da Inovação
Dinamização: Arminda Neves (Coordenadora Adjunta da Estratégia de Lisboa), Alexandra Sá Carvalho
(Representação da Comissão Europeia em Portugal)
1ª parte: Aprender, Inventar Imaginar, Cooperar
Leonel Moura – Artista plástico, Representante Português no lançamento do Ano Europeu da Criatividade e
Inovação – “ A nova cultura do Séc XXI”
Dulce Maria Santa Marta Soure – Directora da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro – “A criatividade na
aprendizagem”
Elvira Fortunato – Directora do CENIMAT ‐ Centro de Investigação em Materiais da FCT/ UNL , Laboratório
Associado I3N – Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação ‐ “O Papel do Futuro”
Teresa Ricou – Directora do Chapitô – “As artes e as novas tecnologias – uma boa conjunção no combate à
exclusão”
Manuel Brandão Alves – Professor Catedrático no ISEG “O microcrédito: Uma experiência económica e
socialmente Inovadora”
Debate
16h00‐ 16h15 – Pausa café
2ª parte: Comunicar, Criar, Realizar, Viver
Augusto Mateus, Professor no ISEG ‐ “ Cultura, criatividade, competitividade”
Nuno Gaioso Ribeiro, Presidente N‐Partner – “Capital de risco e as indústrias criativas”
Jorge Cerveira Pinto – Agência INOVA – “Arte, cultura e indústrias criativas: Uma realidade de valor,
sustentabilidade e desenvolvimento”
António Câmara – Ydreams – “Realizar nas empresas do futuro”
António Cunha, Presidente da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e Júlio Mendes, Verador na Câmara
Municipal de Guimarães – “Guimarães: O futuro tem um coração antigo”
Debate
17h30 Encerramento: Conclusões e Perspectivas
Mais informações em Criar2009
Saturday, January 24, 2009
Estrangeiros que escolhem Portugal para viver!
A fortuna da família Brenninkmeijer é a maior da Holanda e equivale a cerca de oito vezes a riqueza de Belmiro de Azevedo.
Ascende a qualquer coisa como 15 mil milhões de euros, tendo agigantado 20,2% em 2005, segundo a revista Quote. Muito reservado e avesso a entrevistas, Norman Brenninkmeijer escolheu Portugal para viver e Alcabideche para morar. Daí a sua proximidade à loja de Cascais, um dos 25 estabelecimentos que o grupo explora no país.
O gestor pertence à quinta geração da família holandesa que fundou o terceiro maior grupo de retalho europeu, no longínquo ano de 1861. Como muitos estrangeiros que residem em Portugal, Brenninkmeijer mantém-se em contacto com a comunidade local dos seus conterrâneos, que se apaixonaram pelo país onde vivem e elogiam o clima, a tradição, a segurança e a simpatia dos portugueses. "O maior desafio que enfrentam, para além da aprendizagem da língua, é terem de conviver com as grandes burocracias e alguma falta de disciplina em termos de horários e compromissos", alerta Eduarda Luna Pais, managing partner da consultora Egon Zehnder.
"Mas a evidência de que essas dificuldades acabam por ser vencidas é que muitos gestores decidem permanecer em Portugal. Nalguns casos, quando se reformam, continuam a exercer funções não executivas no país." Guilhermina Vaz Monteiro, managing partner da consultora Horton International, diz que o que leva estes responsáveis de topo a ficar em Portugal é, do lado profissional, a qualidade dos recursos humanos e a sua capacidade de improvisação estratégica e organizacional e, do lado pessoal, a boa gastronomia e o casamento que, por vezes, acontece com cidadãos locais. "O mar, o peixe ao sal, o arroz de marisco, as pataniscas e o cheiro do café expresso são tão poderosos quanto o sol, que aqui alimenta a alma", ironiza.
Charme natural
Lars Bo Hansen, 44 anos, nasceu na Dinamarca, é casado com uma norueguesa, vive na zona do Farol da Guia, em Cascais, e tem dois filhos portugueses. Dirige as operações das Pousadas de Portugal, do grupo Pestana, mas confessa ter aceite o cargo "sem grande conhecimento prévio do negócio, antes da privatização". Teve apenas dez dias para visitar 40 pousadas e ficou impressionado.
Sentiu mesmo que havia injustiça na avaliação do produto turístico. "Cada pousada era como a mais bonita boneca da loja, mas tinha um risco na cara. Esse detalhe feio era a rentabilidade." O gestor estudou na África do Sul, onde chegou com 7 anos, acompanhado pelo pai que era electricista na indústria de construção naval. Formou-se numa escola de hotelaria e quando deixou o país, aos 22 anos já tinha experiência de direcção de compras no Royal Hotel, de cinco estrelas, em Durban. Regressou à Dinamarca, onde encontrou muito desemprego, e aceitou trabalhar como porteiro da noite no Plaza Hotel da cadeia Sheraton, em Copenhaga.
"Agarrei-me à primeira oportunidade na hotelaria europeia. Mas a gestão percebeu que eu tinha outras competências e ofereceu-me a posição de gerente financeiro no departamento de alimentos e bebidas do Sheraton, de Oslo, na Noruega". A experiência durou dois anos, até 1986.
Os profissionais de hotelaria têm agentes que os promovem e identificam oportunidades de carreira. O agente britânico de Lars Bo Hansen sugeriu-lhe a Madeira porque Joe Berardo e Horácio Roque tinham acabado de comprar o grupo Savoy e queriam reformular os produtos turísticos.
"Foi o meu primeiro contacto com a língua portuguesa. Fiquei dois anos e desenvolvi a área de alimentos e bebidas, mas queria outras experiências. De Portugal conhecia apenas Lisboa, Setúbal e Algarve." Partiu então para projectos de turismo de outros grupos nas Caraíbas, na China e, de novo, na África do Sul depois do apartheid.
Mas acabou por regressar ao Savoy como director-geral, para liderar a expansão da oferta resort, experiência que durou cinco anos, até surgir o convite do grupo Pestana.
Hoje sente-se privilegiado em dirigir as Pousadas de Portugal, que o aproximam da história, da cultura e da gastronomia, temperadas pelo clima, segurança e campos de golfe que não se cansa de elogiar, a par de tradições como "a valorização do campo e o almoço familiar ao domingo, que ainda não se perdeu, ao contrário do que acontece na Escandinávia".
Estas vertentes do país têm charme natural e são únicas no mundo. "As good as it gets", afirma Lars Bo Hansen, num raro desvio ao seu português com ligeiro sotaque madeirense. Visita a Dinamarca uma vez por ano e continua em contacto com o seu agente britânico. Mas sublinha que é em Portugal que vive melhor, ao fim de tantos destinos turísticos percorridos profissionalmente.
Deixar obra feita
Para os gestores estrangeiros a possibilidade de liderarem projectos em subsidiárias de países pequenos é frequentemente estimulante porque as suas decisões podem deixar um cunho pessoal. Gerd Boehmer, 60 anos, administrador-delegado da Victoria Seguros, conduziu a construção da nova sede do grupo na Avenida da Liberdade, em Lisboa, e liderou o processo de transformação das agências gerais em sociedades anónimas. Diz que se orgulha dessa obra, que não poderia ter dirigido num mercado maior. Este gestor nasceu na Alemanha Ocidental, estudou Matemática Aplicada e programou software na NASA, nos Estados Unidos, e fez ainda carreira académica na Venezuela, durante dois anos.
Chegou a Portugal em 1982. Na altura era muito raro encontrar fora da Alemanha gestores oriundos da casa-mãe Victoria. Gerd Boehmer era a excepção, que se justificava pela precaução exigida num pequeno mercado em crise económica. Submeteu--se à prova de um país que não conhecia.
"Encontrei um sistema económico que se comparava ao da Alemanha do Leste, mas aqui as pessoas podiam exprimir livremente a sua opinião e entrar e sair do país sem grande dificuldade. Lembro-me de como era chocante comprar coisas bonitas e de qualidade noutros países, com etiqueta portuguesa, mas que não estavam disponíveis no mercado interno." Boehmer radicou-se em Portugal acompanhado pela sua mulher, de nacionalidade alemã, que seguiu a carreira de enfermagem, e de quem teve dois filhos que falam português. "Criei laços de amizade, dentro e fora da empresa, e nos torneios de golfe. E isto conta, na decisão de ficar." Contudo, o gestor queixa-se da excessiva intervenção do Estado na economia e diz que gostaria de ver mais justiça fiscal. "Nos seguros o Estado é árbitro através da entidade de supervisão, mas é também uma empresa estatal que domina o mercado e assume o papel de maior jogador." O nosso país deu a oportunidade a Urs Mahler, 61 anos, de desenvolver um projecto próprio na área farmacêutica, a Kiron, após ter liderado a sucursal nacional da Ciba-Geigy, actual Novartis. Este gestor nasceu em Zurique, mas tem nacionalidade portuguesa "por razões emocionais".
Trabalhou na Suíça, Venezuela e Espanha antes de se ter instalado em Portugal, em 1979, para conduzir o processo de aquisição do laboratório Normal. Aceitou o convite da casa-mãe para ficar radicado no país porque, nessa altura, já conhecia Cascais.
Comprou aí um apartamento que partilhou com a sua esposa portuguesa nos últimos 27 anos. Ainda se lembra do dia em que estreou o espaço. "A mudança estava concluída, mas tive de levar o meu televisor a uma loja de reparações. Disse ao técnico que havia qualquer coisa de errado porque a imagem estava a preto e branco, e só recebia dois canais. Naquela época a televisão portuguesa ainda era assim", recorda, com a imagem nítida na memória de um país onde encontrou muito por fazer.
Carreiras em países pequenos
Nos anos 80 as multinacionais promoviam a carreira em países pequenos, e atribuíam depois responsabilidades em mercados maiores se a operação corresse bem. Urs Mahler não quis sair de Portugal porque sempre gostou da sua equipa local, tendo levado colegas da Novartis para o novo projecto, a Kiron, que abraçou em 1997. Esta farmacêutica factura hoje cerca de 8 milhões de euros em formação, coaching, promoção e distribuição de produtos de diversos laboratórios.
As ligações que o gestor estabeleceu com amigos portugueses levaram-no a fundar um clube de todo-o-terreno que realiza seis encontros por ano "para descobrir a paisagem portuguesa". Também fez um curso de pilotagem de aviões e, até conquistar o brevet, desenvolveu a prática da língua portuguesa.
A aproximação dos gestores estrangeiros a Portugal nem sempre foi planeada. Para Denis Coubronne, 43 anos, general manager da PrimeDrinks, empresa distribuidora de marcas como Herdade do Esporão, Caves Aliança, Quinta da Aveleda, Grant's, Absolut Vodka e Pisang Ambon, o primeiro contacto com Lisboa nasceu de uma decisão burocrática no seu país de origem, a França. Quando tinha 22 anos escolheu prestar serviço civil numa embaixada, em alternativa ao serviço militar. Calhou-lhe Portugal. Trocou a bonita região vinícola e de castelos do Loire pelo alojamento durante um mês no hotel de charme York House, em Lisboa, em 1986. "O país estava a abrir-se à CEE e a despertar para o grande consumo. Não havia hipermercados, nem auto-estrada a ligar Lisboa e Porto. Marcou-me o cheiro do café na rua.
veitei para sair à noite no Bairro Alto e também descobri o Alentejo." Foi uma atracção fatal, a que se juntou o namoro com uma portuguesa, sua actual mulher.
Sabia que queria ficar no país e encontrou na Danone uma oportunidade de carreira.
Acompanhou a força de vendas do grupo francês, então designado por BSN, que estava a lançar a cerveja Kronenbourg através do importador Caves Aliança. Na gestão pôs a descoberto o contraste entre o rigor, transparência e união social da Europa Central, e a emoção, criatividade e individualismo do Sul.
Em 1993 aceitou o convite da Caves Aliança para ser brand manager de marcas importadas, e casou no ano seguinte. Em 2001 assumiu a direcção-geral e a designação da empresa acabou por mudar para PrimeDrinks, após a entrada no capital da Herdade do Esporão.
Morou num prédio pombalino da Praça de São Paulo, "uma zona que não é decente" segundo os seus colaboradores. Gosta de teatro e de arte, mas lamenta que a capital esteja a perder qualidade de vida e tenha dado lugar à construção em excesso, em vez da reabilitação de edifícios. "Portugal teve um desenvolvimento pouco estruturado.
As grandes cidades precipitaram-se no consumo e arriscam-se a perder a alma.
Não podemos perder o que é mais bonito, o que vai atrair turismo", lamenta. "Lisboa esvaziou-se. Morreu o comércio de rua. As pessoas estão apressadas, não se encontram, vivem em condomínios fechados. À noite não há luz nas janelas."
Rendeu-se ao condomínio
Este desencanto com a capital levou à sua mudança de residência para o Monte do Estoril, em Julho de 2006. "Estava farto de não ver melhorias, em mais de dez anos. A falta de qualidade em prédios antigos, no centro de Lisboa, é tão evidente que não tive outra opção. Agora estou num condomínio fechado, imitei os portugueses."
Graham Dewar, 64 anos, também não conduziu o seu destino na aproximação a Portugal. Foi a multinacional Johnson & Johnson que escolheu por si, após dez anos na filial da sua terra natal, a África do Sul, e a força de duas licenciaturas em Engenharia Química e em Gestão. Em 1981 iniciou uma carreira internacional para dirigir a sucursal em Lisboa. "Senti que Portugal entrava na modernidade. Acreditei que essa transição teria um desfecho positivo.
O país era uma jóia, com gente boa. E o clima para desenvolver negócios estava a melhorar." Viveu sete anos no país e mudou para a sede da multinacional em Nova Jérsia, Estados Unidos, mas queria voltar a Lisboa. "Tinha casado com uma mulher portuguesa. Ficara com grande atracção por Portugal. Sentia saudades de praticar vela no Estoril e na praia Del'Rey".
A Celulose do Caima, actual Altri, e, em 2002, a Central de Cervejas, deram-lhe posições de CEO e a possibilidade de radicar-se. Hoje, como gestor da sua consultora Task Management, aponta as dificuldades "do sistema legal, que necessita de modernizações". Mas, ainda assim, garante que vale a pena viver e fazer negócios em Portugal.
http://www.exame.pt/carreiras/html/daquinaosaio.html
Sunday, January 04, 2009
José Maria Prazeres Pós-de-Mina nomeado pela revista OneWorld
The mayor of one of Portugal's smallest and poorest municipalities has launched one of the largest green business initiatives in the world, and now he's spearheading an eight-country project to create communities run entirely on renewable energy.
Artigo completo sobre a nomeação das personalidades do ano pela revista ambientalista OneWorld
Thursday, December 18, 2008
Viver na Cidade ou no Campo?!

Professor catedrático na Universidade do Minho, José Mendes tem estudado a dinâmica das cidades e o ordenamento do território. Em 1999 publicou o estudo 'Onde viver em Portugal - uma análise de qualidade de vida nas capitais de distrito'. À GINGKO sistematizou as vantagens e desvantagens da vida nos grandes centros e nos meios mais pequenos. Solução? Desenvolver as cidades médias.
GINGKO - Depois do êxodo rural, há quem fuja dos grandes centros. É possível conciliar a cidade e o campo?
José Mendes - A questão campo versus cidade é hoje mais pertinente do que nunca. Avanços recentes no domínio das comunicações e da desmaterialização das actividades permitem alimentar a ideia de que é possível a qualquer um manter-se profissionalmente activo e integrado e, simultaneamente, viver fora dos meios congestionados das grandes urbes. Isto é verdade e... não é verdade.
G - O que distingue os dois meios?
JG - Num extremo estão as grandes cidades onde tudo acontece: os negócios, as oportunidades, os eventos, a cultura, o entretenimento, as melhores escolas. E também o congestionamento, o tráfego, a poluição, e a habitação mais cara. No outro extremo está o campo onde nada acontece: nem negócios, nem oportunidades, nem eventos, nem cultura, nem entretenimento, nem boas escolas. E também não há congestionamento, nem tráfego nem poluição, e a habitação é mais barata.
G - Onde se vive melhor?
JG - Depende do conceito de qualidade de vida. Se os almoços de negócios e as peças de teatro estão na rota da minha qualidade de vida, então quero estar na grande cidade. Se acho que as horas desperdiçadas em filas de tráfego ou o ruído ensurdecedor das ruas carregadas de tráfego arruínam a minha qualidade de vida, então quero viver na tranquilidade do campo. Mas, se preciso de almoços de negócios e também não quero estar horas dentro do automóvel em filas infindáveis? Bom, aí a questão não é líquida.
G - Qual a solução?
JG - A solução ideal seria que as grandes cidades funcionassem de forma mais sustentável, com bons transportes públicos, muitos parques, esquemas de acalmia de tráfego, pistas cicláveis, regras de controlo de poluição e ruído. Ou ter áreas rurais com boa acessibilidade, boas escolas, banda larga e eventos culturais. Isso é possível? Talvez. Cidades como Viena, Copenhaga ou Sydney deram passos importantes nesse sentido. Áreas rurais de alguns países nórdicos também evoluíram favoravelmente. Nem umas nem outras fazem o pleno. No balanço da contabilização da qualidade de vida, as cidades, mesmo as megacidades, continuam a levar vantagem. Isto porque o Homem é uma espécie com comportamentos e necessidades marcadamente sociais, que vive e se realiza através da interacção, do movimento, da riqueza e da sinergia que resulta da concentração de pessoas e de actividades. O campo pode ser tranquilizador e ter o rótulo de inspirador, mas é na cidade que nasce a criatividade, que se forjam os artistas e as obras que referenciam a nossa existência.
G - Portanto, o melhor é viver em cidades?
JG - Apesar de tudo, mesmo com as cidades a levar vantagem enquanto destino da nossa felicidade e garante da nossa qualidade de vida, a poluição e as filas de trânsito continuam lá. E ninguém gosta delas. Enquanto não temos cidades ideais, se é que algum dia existirão, a solução mais equilibrada é viver nas cidades médias. Têm hoje muito do que se encontra de bom nas grandes cidades e pouco do que se encontra de mau nessas mesmas cidades. Os recursos virtuais, a banda larga na cidade média, colmatam muito do que um profissional activo e cidadão exigente precisa para se realizar.
G - E onde se vive melhor em Portugal?
JG - Nas cidades médias. Temos cidades médias? Sim e não. Sim porque existe Braga, Coimbra e Aveiro, com elevadíssimo potencial, apenas parcialmente realizado. Não porque não há uma política de cidades médias em Portugal, o que faz com que as três referidas estejam muito aquém do potencial que encerram, e que outras como Évora e Faro simplesmente não descolem. E porque é precisa uma política de cidades médias em Portugal? Porque é a melhor solução para o país e, sobretudo, para Lisboa e Porto. É nas cidades médias que reside boa parte do nosso futuro. Que lufada de ar fresco seria para este país, se nas eleições autárquicas de 2009 os candidatos deixassem na gaveta os planos de mais infra-estruturas e apresentassem visões e propostas centrados na qualidade de vida e na competitividade das suas cidades.
in Gingko
Saturday, December 06, 2008
Pequenas e médias cidades, no futuro, apenas acessíveis aos mais abastados
No final dos trabalhos, a Professora Teresa Noronha, coordenadora do Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações da Universidade do Algarve, que promoveu o encontro, realçou que "as mais modernas tendências das economias regionais apontam para uma maior aglomeração" das zonas urbanas.
De acordo com esta investigadora, isto quer dizer que, ao contrário do que muitos advogam hoje em Portugal, os próximos cinquenta anos verão nascer grandes aglomerados urbanos que procurarão economias de escala combinadas com uma evolução tecnológica muito motivada pelo esgotamento dos recursos naturais.
Em resultado desta tendência, as pequenas e médias cidades tenderão a transformar-se em territórios de fuga para os que privilegiam a qualidade de vida o que, naturalmente, terá um preço elevado.
Segundo Teresa Noronha as pequenas cidades "manter-se-ão por questões de romantismo" e serão acessíveis aos que as possam pagar.
Ao longo dos dois dias da conferência, que decorreu no Auditório Vermelho da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, investigadores oriundos de diferentes pontos da Europa apresentaram pesquisas na área do desenvolvimento sustentável das regiões, confrontaram modelos e questionaram os actuais paradigmas do desenvolvimento económico.
Um debate de ideias que, segundo Teresa Noronha, apenas pecou pela ausência da sociedade civil, em especial dos empresários e dos decisores políticos que, lamentou, "optaram por não estar presentes" não obstante o tema serem as cidades, as pessoas que nelas vivem e as empresas que nelas se instalam.
Aliás, no que toca à realidade portuguesa, Teresa Noronha considerou que o "grande bloqueio ao desenvolvimento do País continua essencialmente na área da governação institucional".
Segundo a investigadora, continuamos a ter "políticos que não estão preparados cientificamente" o que se reflecte na qualidade das decisões estratégicas que têm sido tomadas para o País.
Por essa razão, a investigadora reforça que toda a sociedade tem de se envolver e responsabilizar pelo modelo de desenvolvimento pretendido para Portugal, salientando ainda que é fulcral escolher com muito cuidado os recursos e a forma como estes serão aplicados nessa escolha.
No que toca ao Algarve, a investigadora acredita que há características que distinguem a região da lógica de aglomerados mas alerta que "terá de encontrar uma forma de ligar as suas cidades", gerando a partir desse formato uma aglomeração com características mais de região do que de metrópole.
Os vários trabalhos de investigação apresentados nesta conferência deverão agora ser compilados e editados em livro pelo Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações da Universidade do Algarve."
MYP, LUSA
in RTP
Thursday, December 04, 2008
Portugal tem de mudar "tão rapidamente quanto possível" a sua estrutura produtiva - Cavaco Silva
"Para conseguirmos de facto competir no mercado global, temos de alterar tão rapidamente quanto possível a estrutura da nossa produção", afirmou Cavaco Silva, na inauguração de um novo edifício do Tecmaia -- Parque de Ciência e Tecnologia da Maia.
O chefe de Estado elogiou o "esforço que Portugal tem vindo a desenvolver" na inovação e tecnologia, mas sublinhou que é necessário "fazer muito mais".
À semelhança do que tinha feito momentos antes na Efacec, em Matosinhos, Cavaco Silva considerou o Tecmaia "um bom exemplo" do caminho que a economia portuguesa deve seguir para se tornar competitiva.
Empreendedorismo, cultura de inovação e aposta na investigação são as três áreas em que, na opinião do Presidente da República, o Tecmaia tem dado um "contributo muito positivo".
Cavaco Silva afirmou que gosta de "apresentar bons exemplos", para "aumentar a auto-estima" dos portugueses.
"Neste tempo que atravessamos, de notícias que nos caem todos os dias sobre as nossas cabeças, notícias de recessão, às vezes mesmo de depressão, de índices de confiança a níveis baixos historicamente, estive há pouco noutro caso de sucesso, a Efacec", salientou.
O Presidente da República reconheceu que o Tecmaia "nasceu de uma adversidade", a transferência para outro país da antiga fábrica da Texas Instruments e Samsung, mas sublinhou a atitude positiva do então presidente da Câmara da Maia, Vieira de Carvalho.
"Perante uma adversidade, não se baixou os braços", frisou, enaltecendo o facto de o Tecmaia ser o segundo parque tecnológico do país em nível de desenvolvimento, depois do TagusPark, com 48 empresas instaladas.
FZ.
Lusa
in RTP
Wednesday, December 03, 2008
Formação de preços nos bens de consumo

Não foi há muito tempo que ficámos a saber que os preços dos combustiveis não poderiam voltar aos valores de 100 dolares barril porque o custo da refinação estava a aumentar, isto é, já não existia petróleo tão "puro" como outrora.
Também ficámos a saber na mesma altura que a formação do preço do pão oscilava em 50% com a variação do custo da farinha.
As "COISAS" fantásticas que nos ensinaram.
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