As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Thursday, February 08, 2007

Portugal 2007 – o tempo da "classe criativa"

Quando se percorre o Portugal real e se contacta com os "actores" da sociedade civil, de norte a sul, do interior ao litoral, nos meios rurais, nas áreas urbanas, fica cada vez mais patente a consolidação duma classe operativa capaz de induzir dinâmicas de diferenciação qualitativa positiva que sustentam alguma esperança estratégica em relação ao futuro. Na senda dos trabalhos de Richard Florida e Irene Tinagli, trata-se duma verdadeira "classe criativa", muitas vezes oculta, mas que em diferentes plataformas de participação social vai aos poucos impondo a diferença.
Os conhecidos baixos índices de "capital estratégico" no nosso país e a ausência de mecanismos centrais de "regulação positiva" dificultam o processo de afirmação dos diferentes protagonistas da "classe criativa". Independentemente da riqueza do acto de afirmação individual da criatividade, numa sociedade do conhecimento, importa de forma clara "pôr em rede" os diferentes actores e dimensioná-los à escala duma participação global imperativa nos nossos tempos. Apesar dos resultados de iniciativas como as "Cidades e Regiões Digitais", vocacionadas para posicionar o território no competitivo campeonato da inovação e conhecimento, falta uma estratégia transversal.
A sociedade civil tem nesta matéria um papel central. A "classe criativa", na sua diferença e no seu sucesso, é o resultado dum "tecido social" que se pretende voltado para um futuro permanente. Os índices de absorção positiva por parte da sociedade dos contributos inovadores da "classe criativa" passam muito pela estabilização de condições estruturais essenciais. Entre muitas, destacaríamos as seguintes:
1. Cultura empreendedora – A matriz comportamental da "população socialmente activa" do nosso país é avessa ao risco, à aposta na inovação e à partilha de uma cultura de dinâmica positiva. Ou seja. Dificilmente se conseguirá impor por decreto uma "revolução empreendedora" e mesmo o aumento do desemprego, por força da desindustrialização e emagrecimento dos Serviços Públicos / Privados poderá não ser suficiente para suscitar uma "auto-reacção" das pessoas.
2. Cultura do rigor – A falta de rigor e organização nos processos e nas decisões, sem respeito pelos factores "tempo" e "qualidade" já não é tolerável nos novos tempos globais. Não se poderá a pretexto de uma "lógica secular latina" mais admitir o não cumprimento dos horários, dos cronogramas e dos objectivos. Não cumprir este paradigma é sinónimo de ineficácia e de incapacidade estrutural de poder vir a ser melhor.
3. Cultura de cooperação – A ausência da prática de uma "cultura de cooperação" tem-se revelado mortífera para a sobrevivência das organizações. Na Sociedade do Conhecimento sobrevive quem consegue ter escala e participar, com valor, nas grandes Redes de Decisão. Num país pequeno, as Empresas, as Universidades, os Centros de Competência Políticos têm que protagonizar uma lógica de "cooperação positiva em competição" para evitar o desaparecimento. Querer cultivar a pequenez e aumentá-la numa envolvente já de si pequena é firmar um atestado de incapacidade e de falta de crença no futuro.
4. Cultura de ambição – É doentia a incapacidade em definir, operacionalizar e dinamizar a lógica de "Capital Social" do nosso país. Não é obviamente o paradigma da Inovação dos países da Europa Central, porque os índices rating da Competitividade estão em todas as análises aquém destes casos de sucesso. O diagnóstico está feito há muito tempo sobre esta matéria. Mas também já não pode ser, porque não é, a lógica do "low cost support" como referencial de criação de emprego e de fixação de "capital social básico" no território.
5. Cultura de inovação – Desenvolvimento Sustentável, Aposta nas Cidades, Criatividade dos Diferentes Segmentos da População, Inovação Empresarial Permanente, Inserção permanente nas Redes Globais – claramente que numa lógica de afirmação do país no panorama internacional o papel de alavancagem destes Factores se pode revelar determinante. A diferença está na sua prática operativa permanente, numa lógica de desígnio nacional.A mensagem de Richard Florida é mais do que nunca actual entre nós. A "classe criativa" que se quer legitimar no tecido social português terá que ser capaz de ganhar estatuto de verdadeiro "parceiro estratégico" do desenvolvimento do país. Isso faz-se com "convergência positiva" e não por decreto. Importa por isso, mais do que nunca, estar atento e participar com o sentido da diferença.



Francisco Jaime Quesado

In Jornal de Negócios

Wednesday, February 07, 2007

O fa(r)do português

Há sinais sugerindo que algo específico das famílias portuguesas não ajuda ao bom desempenho dos filhos

Faço parte de uma geração que cresceu aprendendo que Portugal era um país de emigração. Todos nós tínhamos familiares no estrangeiro e ao longo da juventude víamos alguns dos amigos a emigrar. Hoje, na geração do meu filho, a situação é distinta. O fluxo inverteu-se, e o comum é os nossos filhos aumentarem o número de colegas provenientes de outros países.

As nossas escolas têm, por isso, vindo a ser confrontadas com novos desafios. Não só são locais onde se decide muito do futuro potencial produtivo do país, como têm um papel na inclusão social dos que vêm viver entre nós.

Neste contexto, li recentemente com muito interesse um artigo que, para cada país, procura comparar os desempenhos escolares dos jovens nascidos no país com os dos jovens que para aí imigraram. O primeiro aspecto a ser realçado é que em Portugal o desempenho relativo dos jovens portugueses e dos jovens imigrantes não é muito distinto. Entre os países da OCDE, Portugal está mesmo entre os que têm as menores diferenças. Mesmo assim, em média, os jovens portugueses têm um desempenho um pouco melhor do que os jovens imigrantes. Porém, como as características das duas populações não são iguais, num segundo passo, os autores procederam à identificação das diferenças que são explicadas pela heterogeneidade nas características dos jovens. Aqui a grande descoberta é que, para Portugal, comparando jovens portugueses e jovens imigrantes com as mesmas características, os imigrantes têm, em média, melhores resultados. Neste segundo nível de análise, Portugal situa-se no meio dos países da OCDE. Controlando para as diferenças de características das populações, países há, como os EUA, em que os jovens imigrantes têm desempenho muito melhor que os jovens nacionais, tal como o contrário sucede em outros países, como a Alemanha. Ao desafio para a melhoria do desempenho geral dos estudantes em Portugal, vêm pois juntar-se sinais sugerindo que algo específico das famílias portuguesas não ajuda ao bom desempenho dos nossos filhos.

Fernando Branco

in Expresso

Monday, February 05, 2007

Teletrabalho na Renault francesa



A alta direção da Renault e os sindicatos franceses assinaram um acordo no dia 22 através do qual os empregados poderão trabalhar de dois a quatro dias por semana em casa.

Como diz a montadora, novas tecnologias facilitam a geração de novas maneiras de trabalho que tornam a empresa mais competitiva, e vêm de acordo com as aspirações de funcionários que aspiram por um melhor equilíbrio entre a casa e o trabalho. Reduzindo o transporte, o acordo também contribui à ação Renault de desenvolvimento sustentável.

O acordo aplica-se ao pessoal administrativo, técnicos, engenheiros e gerentes na empresa, e é voluntário. Para trabalhar de casa de dois a quatro dias por semana, o funcionário tem de receber aprovação de seu supervisor e passar pelo menos um dia por semana em seu local de trabalho normal. O acordo pode ser invalidado a qualquer momento, sujeito a um período de aviso prévio de um mês. Os telefuncionários mantêm seus direitos individuais e coletivos dentro da montadora. A Renault cobre o custo do equipamento de trabalho na casa – incluindo um computador laptop, uma conexão Internet de alta velocidade e uma cadeira ergonômica.

O acordo foi acelerado por mudanças tecnológicas recentes que facilitam novas maneiras de trabalhar e oferecem aos funcionários interessados a oportunidade de um melhor equilíbrio entre a carreira e a família. Novas ferramentas de telecomunicação possibilitam que o funcionário trabalhe tão eficientemente em casa como no escritório.


por José Luis Vieira

Sunday, February 04, 2007

Intelligent Cities

Intelligent Cities - Cidades Inovadoras e Competitivas para o Desenvolvimento Sustentável

O projecto Intelligent Cities, promovido pelo Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional, é apoiado pelo Programa de Iniciativa Comunitária INTERREG III C – Sul.

Objectivos:

O projecto Intelligent Cities tem como objectivo essencial a preparação de uma estratégia para uma política de cidades (no conceito de “city region”) numa lógica de cooperação inter-regional, a ser testada em Portugal; em simultâneo com a definição de um dos seus instrumentos de intervenção específicos centrados no conhecimento – o "innovation hub". Um "innovation hub" traduz-se num espaço de excelência onde a ciência, a tecnologia e a inovação são colocados ao serviço da revitalização e desenvolvimento urbano sustentável das cidades.

Actividades:

As actividades integradas no projecto abrangem as seguintes áreas:

- Análise de “Boas Práticas” de Intervenções Urbanas Internacionais, Europeias e Nacionais: Pretendem identificar-se “boas práticas” a nível internacional, europeu e nacional no que concerne a recomendações e opções políticas ou intervenções urbanas inovadoras. Neste sentido, esta actividade integra a análise das recomendações internacionais e comunitárias em matéria de política de cidades e desenvolvimento regional; as opções nacionais em termos de desenvolvimento económico e espacial; assim como casos interessantes ao nível político ou operacional inovadores de âmbito internacional, europeu ou nacional.

- Definição de uma Estratégia Nacional para uma Política de Cidades: Pretende-se definir uma estratégia nacional para uma política de cidades a testar em Portugal, numa lógica de cooperação inter-regional, no sentido de uma estratégia de desenvolvimento das cidades como habitats de inovação, aprendizagem, criatividade e conhecimento. Neste âmbito será de tomar em consideração diversos temas críticos à escala urbana, regional e global, a saber: planeamento estratégico da cidade; partenariado/contratualização público-privada; marketing territorial; princípio da sustentabilidade; valorização das cidades médias; redes de cidades; integração territorial das cidades nas regiões envolventes, entre outros.

- Definição de um Instrumento de Suporte à Política de Cidades – Innovation Hub: Contempla a definição de um conceito de ‘innovation hub’ enquanto um dos instrumentos da política de cidades onde a ciência, a tecnologia e a inovação são colocados ao serviço da revitalização e desenvolvimento urbano sustentável das cidades, como desenvolvimento e complemento das tradicionais abordagens aos “tecnopólos” ou “parques de ciência e tecnologia”. Pretende-se conceptualizar um modelo aplicado à realidade portuguesa em função das trajectórias de desenvolvimento globais, das opções de política nacionais e das oportunidades existentes no binómio território/especialização sectorial. Para tal, o ponto de partida serão casos europeus e internacionais conhecidos de onde se poderão retirar “boas práticas” como o “22@bcn” em Barcelona, o “The Digital Hub” em Dublin e o “One North” em Singapura que, apesar de realidades económica, institucional e culturalmente diferentes, apresentam traços comuns que importa explorar.

- Lançamento de Experiências Piloto: Pretendem-se lançar preliminarmente algumas experiências piloto de intervenções urbanas inovadoras coerentes com os princípios da política de cidades definida e, eventualmente, com o instrumento “innovation hub”. Deverão traduzir-se em projectos com elevado conteúdo de inovação que partam de uma base de contratualização entre as autoridades locais, a Administração Central e parcerias público-privadas pré-definidas. A título de exemplo, pode ser definida uma cidade piloto para a realização de um plano estratégico participado ou pode ser induzida a criação de uma rede de cidades com objectivos específicos. Além do mais, pode ser proposta a criação de um "innovation hub" numa cidade ou anel de cidades associado a um perfil de especialização específico numa lógica de demonstração.

Resultados:

As realizações efectivas do projecto poderão assumir um carácter material ou imaterial. Assim, em primeiro lugar, irão produzir-se diversos documentos orientadores: "Guia com Boas Práticas de Intervenções Urbanas Inovadoras", "Documento Orientador para uma Estratégia Nacional de Política de Cidades", "Código de Conduta para Processos de Participação Pública", "Metodologia de Avaliação do Capital Intelectual das Cidades", "Guia com Casos de Innovation Hubs", entre outros. As realizações da iniciativa, em segundo lugar, induzirão resultados interessantes em matéria de cooperação inter-regional, dado terem como base a troca, difusão e transferência de informação, conhecimento e "boas práticas" entre diversas regiões europeias com vista à construção de novas políticas e instrumentos de política em matéria de desenvolvimento regional e estratégia de cidades. Neste sentido, será possível induzir a criação de cidades inovadoras e competitivas capazes de se afirmarem a nível nacional e internacional, quer numa lógica de desenvolvimento das áreas metropolitanas quer de valorização da redes estratégicas de cidades médias e regiões envolventes. O impacto do projecto a longo prazo será a promoção do desenvolvimento sustentável das cidades e regiões/países com base na inovação em direcção a uma economia baseada no conhecimento, numa perspectiva de ordenamento territorial equilibrado e no contexto de uma maior coesão económica e social.

Parceiros:

Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional
INTELI – Inteligência em Inovação, Centro de Inovação Fundación Metropoli (Espanha)
INTA – International Association of Urban Development (Holanda)
Universidade de Cardiff – Cardiff School of City and Regional Planning (Reino Unido)

in Inteli (IAPMEI/CEIIA)

Saturday, February 03, 2007

Innovation day

Uma ideia do Frederico Dinis para discutir e implementar!

Sendo, em algumas organizações, a sistematização do tradicional casual day uma prática bem recebida por todos, gostaríamos de desafiar todas as organizações nacionais a instituir o innovation day (talvez à sexta) para estimular cada colaborador a sair fora do seu quadrado, fora do seu local de trabalho, quem sabe em combinação com pessoas e ideias de outros sectores: estatais, universitários ou empresariais…

Promoçao de Portugal



José Sócrates é notícia em todas as suas viagens pelo jogging matinal.
Além de ser um acontecimento de inegável força comunicacional, fica muitíssimo bem a um país medalhado no atletísmo e conotado internacionalmente com o turísmo de lazer.

Parabéns!

PS: A publicidade à Adidas é que podia ser substituída por marcas portuguesas com fortes presenças no exterior.

Thursday, February 01, 2007

Cidades do Conhecimento

Mais um excelente texto de Jorge Nascimento Rodrigues:

O conceito de "cidade do conhecimento" esta a transformar-se numa oportunidade para as cidades médias europeias ou para corredores de cidades com uma massa populacional citadina entre os 50 mil e os 250 mil habitantes. Cidades que não podem aspirar, naturalmente, aos campeonatos das "cidades globais" ou das cidades emergentes com funções globais. A mensagem de esperança é trazida, a nível ibérico, por experiências como as de Mataró (uma cidade portuária da industrialização histórica catalã com mais de 100 mil habitantes), na área metropolitana de Barcelona, que pretende ser um "laboratório" de conceitos e práticas na área da gestão urbana do conhecimento e do capital humano, e pelo projecto pioneiro de "rede" transfronteiriça de cidades do conhecimento nas regiões do Alentejo português e Extremadura espanhola, em que estarão envolvidas Évora e Badajoz. (...)

Wednesday, January 31, 2007

Escolher, agir e inovar


O Governo está a ultimar a criação do Fundo de Inovação com recursos públicos e privados

Os países que ambicionam competir e vencer na economia global e baseada na circulação de informação e na valorização do conhecimento, têm de fazer escolhas. Escolher é a essência da estratégia. Com o Plano Tecnológico, Portugal fez a sua escolha.

Sabemos o que queremos e o que não queremos. Não queremos competir no mercado dos bens e serviços massificados e indiferenciados com base no custo dos factores e não podemos ainda competir no mercado global, exclusivamente com base nas qualificações e nas competências.

Por isso escolhemos a inovação, a criatividade e a capacidade empreendedora, como base para a recombinação, a modernização e o aumento da competitividade da economia portuguesa.

Sabemos que não é uma escolha fácil. Temos, no entanto, a força da convicção e a determinação necessária para remover obstáculos e atingir objectivos. A filosofia é clara. Queremos ajudar os empreendedores e os inovadores a chegarem bem preparados ao julgamento do mercado.

O European Venture Summit que decorreu em Lisboa em 4 e 5 de Dezembro juntando meio milhar de empreendedores e cerca de 150 fundos de investimento, constituiu uma excelente oportunidade de promover de forma sistemática os projectos inovadores desenvolvidos em Portugal.

Esta é uma prática que queremos que se repita sempre que o volume de projectos identificados o justifique.

Estamos a concretizar uma agenda de acção concreta no domínio das políticas de apoio e suporte à inovação. Ouvido o Conselho Consultivo do Plano Tecnológico, o Governo está a ultimar um novo modelo de governação do Sistema Nacional de Inovação, incluindo a criação de um Conselho Nacional de Inovação e de um Fundo de Inovação combinando recursos públicos e privados.

Está também a dinamizar uma matriz de redes de inovação, juntando pólos locais, regionais e pólos nacionais de tecnologia e competitividade certificados e com vocação internacional, para reforçar a ligação entre os centros de competências e as empresas e desenvolver plataformas competitivas agressivas, capazes de concorrer no mercado global.

Fizemos escolhas e estamos a caminhar determinadamente para as concretizar.

A chave do sucesso na economia global é a capacidade de empreender, criar riqueza, inovar nos processos, nas atitudes, nos produtos e nos conceitos.

As escolhas feitas marcarão também o novo ciclo da Agenda de Lisboa, no desenho do qual a Presidência Portuguesa da União Europeia no 2º semestre de 2007 terá uma palavra a dizer. Uma palavra reforçada pela força da prática e da experiência adquirida na modernização da sociedade portuguesa.

Carlos Zorrinho, Coordenador nacional do Plano Tecnológico e da Estratégia de Lisboa

Friday, January 26, 2007

Turismo Rural quer captar argentinos

Os solares e as aldeias de Portugal querem mostrar-se como alargamento natural da fronteira espanhola para desviar os turistas sul-americanos

Se Portugal é a principal porta de entrada dos brasileiros na Europa, a Espanha é o destino inicial europeu para a maioria dos hispano-americanos. É com essa premissa que o turismo rural português quer captar parte dos milhares de argentinos que anualmente chegam a Espanha. A estratégia dos Solares e das Aldeias de Portugal é criar com os agentes de turismo da Argentina circuitos comuns com as ‘Casas Grandes de Hispania’, além de, por exemplo, desenvolver o caminho português de Santiago de Compostela.

Segundo Francisco de Calheiros, presidente dos Solares, a meta é seduzir já para 2007 cerca de 2.500 argentinos, 10% dos que anualmente chegam a Portugal. O número só não é maior devido à falta de voos entre Buenos Aires e Lisboa. Um acordo aéreo adormece pronto há meses à espera das assinaturas oficiais e do interesse das companhias.

“Queremos atrair os mercados emergentes da América do Sul para que descubram a Europa genuína, mas temos que avançar na questão aérea. Vamos pressionar as companhias para tornar mais fácil a ligação entre os países”, indicou Calheiros ao Expresso.

Enquanto os aviões não descolam para este canto, as associações de turismo rural do Minho e da Argentina anteciparam-se às oportunidades e fecharam em Buenos Aires um convénio de cooperação mútua que permite um país difundir o outro, numa sinergia de promoção e de experiências, a exemplo do que já existe entre Portugal e outros países do Mercosul (Brasil, Uruguai, Paraguai e Chile).

O português Fernando Martins, dono da agência de turismo argentina Algarve Turismo, é um dos que mais leva argentinos a Portugal. “Acredito que seja possível incrementar as actuais vendas em 40% já para o próximo ano, embora, devido à falta de de voos directos e aos voos indirectos insuficientes, tenhamos sofrido neste ano uma queda de 50% no movimento de argentinos a Portugal”, compara Martins. “Com voos directos, a minha capacidade de venda aumenta em pelo menos quatro vezes”, conclui.

O acordo também desperta expectativas deste lado. A Argentina tem-se tornado um destino emergente e barato para os portugueses.

Márcio Resende, correspondente na Argentina

Wednesday, January 24, 2007

Clique na web em 2007

Para o ano, a Internet vai chegar onde nunca esteve e esforçar-se para andar bem mais depressa. Os milhões de cidadãos comuns eleitos pela revista ‘Time’ assim o exigem

Nunca o mundo esteve tanto aos nossos pés como agora. Colocar um vídeo no YouTube oferece uma audiência planetária. Comentar uma obra na megalivraria «on-line» Amazon.com pode disparar a compra do título junto de milhares de outras pessoas como nós: cidadãos comuns. Criar um blogue influencia a opinião de amigos e dos amigos dos amigos… Nunca os cibernautas puderam dizer com tanta certeza: a rede sou eu!

Foi assim em 2006 e assim será em 2007. Com uma pequena diferença: os internautas estão mais conscientes do seu poder. Para tal, muito terá contribuído a revista ‘Time’ ao eleger como figura do ano todos aqueles que inseriram novas entradas na enciclopédia Wikipedia, os que criaram uma vida virtual no «site» Second Life ou os que já estão presentes no Myspace. Até agora os internautas vinham à rede para consultar informação. Por estes dias, estão lá para partilhar conteúdo. A web 2.0 veio para ficar e daqui só pode evoluir.

A net terá de estar em toda a parte. Onde não estiver «online» pode estar «offline», mas sem dúvida que estará lá. Confuso? Talvez tudo fique mais claro sabendo que o iPod - o mais popular leitor de música portátil -, caminha a passos largos para a integração total com o automóvel.

Não se trata de conduzir com os auriculares nos ouvidos, mas de escolher os ficheiros transferidos para o iPod (sejam programas de rádio ou tão somente música) através do próprio sistema de som do automóvel. Segundo um estudo de mercado realizado pelo «site» Autobytel.com 30.7% dos que têm um iPod estão interessados em usar o aparelhómetro no carro.

No entanto, nem só de iPod se faz a net móvel. Se não for já em 2007, pouco mais deverá faltar para que os automóveis possam estar ligados: entre si e à Internet. Aplicações práticas: o diagnóstico remoto e o suporte centralizado do sistema de navegação, ou, por outras palavras, a possibilidade de ser avisado de uma avaria iminente ou de receber, em tempo real, o itinerário que lhe permita fugir ao irritante pára-arranca.

Empenhada em tornar as estradas mais seguras, a União Europeia pretende, até 2010, dotar a rede viária de um eficiente sistema de comunicação, não só entre veículos mas também entre os automóveis e os pontos fixos.

O caminho não se advinha fácil e passa pela implementação de um protocolo de comunicação, ou seja, pelo estabelecimento de regras para a transmissão de dados. Para dar uma ideia, o projecto CVIS, um dos cinco financiados que envolve mais de 60 entidades, desde construtores de automóveis, operadores de telecomunicações, organismos públicos, entre outros. Não é realmente fácil, mas o caminho está a ser desbravado.

Não há nada mais fácil do que consumir largura de banda, entenda-se, a capacidade máxima de troca de dados na rede. Não fosse a massificação dos acessos de banda larga - ADSL, cabo, 3G - a nova rede colaborativa, conhecida como Web 2.0, não passaria de um mito. Ainda assim, quem nunca se queixou de que a Internet está lenta?

Exactamente por causa da velocidade, desde 1996 que um grupo de académicos norte-americanos trabalham no projecto Internet2. Estão a desenvolver novas aplicações bem como a infra-estrutura que as suporta. A rede em fibra óptica que já liga dois terços das universidades e um terço das escolas secundárias nos EUA terá, no próximo Verão, a impressionante capacidade para transmitir 100 gigabits por segundo. E então? Então em 2007 as primeiras aplicações há alguns anos a funcionar no projecto Internet2 deverão chegar ao mercado. Velocidade sem igual.

Por outro lado, o gigante das telecomunicações norte-americano AT&T já anunciou a distribuição de sinal televisivo sobre a Internet, levando a fibra óptica até à casa de alguns clientes de Chicago, como de resto já acontece em algumas residências de estudantes desde 2002.

E a comunidade eleita pela ‘Time’, todos nós, como fica no meio disto tudo em 2007? Reforçada e mais preparada para ser novamente rainha. Desta feita da web 3.0, a da realidade virtual.


in Expresso, Carlos Abreu

Thursday, January 18, 2007

Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável 2015 (ENDS)

Aprovado pelo Conselho de Ministros

A Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS), hoje aprovada na sua versão final, visa a aproximação de Portugal aos padrões de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia assegurando o equilíbrio das dimensões económica, social e ambiental do desenvolvimento, tendo uma profunda articulação com o Quadro de Referencia Estratégia Nacional, que servirá de suporte à programação de iniciativas co-financiadas por fundos comunitários no horizonte de 2007-2013.

Pretende-se que a ENDS seja um instrumento mobilizador da sociedade portuguesa, dos diferentes parceiros sociais e, individualmente, de cada cidadão, em particular para os desafios do desenvolvimento sustentável, aplicando as orientações da Estratégia Europeia de Desenvolvimento Sustentável, aprovada no Conselho Europeu de 9 de Junho de 2006.

Assim, após um período de discussão pública, consagra-se uma perspectiva de cidadania alargada e aprofundada na concretização dos vectores chave da Estratégia de Lisboa, apostando-se, designadamente, na qualificação dos portugueses e no aproveitamento do potencial científico, tecnológico e cultural como suportes de competitividade e coesão; na internacionalização e na preparação das empresas para a competição global; na sustentabilidade dos sistemas de protecção social e numa abordagem flexível e dinâmica dos processos de coesão; na gestão eficiente dos recursos e na protecção e valorização do ambiente, com adopção de soluções energéticas menos poluentes; na conectividade do País e na valorização equilibrada do território; no reforço da cooperação internacional e na melhoria da qualidade na prestação dos serviços públicos.

Deste modo, a ENDS está organizada em torno de sete objectivos estratégicos, desdobrados em prioridades e vectores: (i) Preparar Portugal para a «Sociedade do Conhecimento»; (ii) Crescimento Sustentado, Competitividade à Escala Global e Eficiência Energética; (iii) Melhor Ambiente e Valorização do Património; (iv) Mais Equidade, Igualdade de Oportunidades e Coesão Social; (v) Melhor Conectividade Internacional do País e Valorização Equilibrada do Território; (vi) Um Papel Activo de Portugal na Construção Europeia e na Cooperação Internacional e (vii) Uma Administração Pública mais Eficiente e Modernizada.

A ENDS tem como metas transversais para 2015 colocar Portugal num patamar de desenvolvimento económico mais próximo da média europeia, melhorar a posição do País no índice de Desenvolvimento Humano do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e reduzir o défice ecológico em Portugal.

O acompanhamento e monitorização da implementação da ENDS serão garantidos tecnicamente por um grupo de trabalho operacional, coordenado pelo Professor António Gonçalves Henriques, membro da equipa de projecto que elaborou a ENDS e actual ponto focal do Governo português junto da Comissão Europeia.

A equipa de projecto responsável pela elaboração da ENDS, presidida pelo Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, manterá a responsabilidade de acompanhar e avaliar a sua execução, tendo como objectivo fundamental assegurar a articulação com a implementação das outras estratégias de âmbito nacional, continuando, para o efeito, a contar com a rede de pontos focais da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, que integra os diversos ministérios.

in Portal do Governo

Wednesday, January 17, 2007

Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT)

Elaborada proposta de Lei para discussão e votação na Assembleia da República

Com esta Proposta de Lei, a submeter à aprovação da Assembleia da República, pretende-se aprovar o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), o qual, juntamente com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS), deve constituir o quadro de referência para as diversas intervenções com impacte territorial.

O PNPOT visa dotar o País de uma visão estratégia para as diversas políticas com incidência territorial, constituindo, também, um instrumento de cooperação com os demais Estados-membros para a organização do território da União Europeia.

O PNPOT estabelece, assim, as grandes opções com relevância para a organização do território nacional, consubstanciando o quadro de referência a considerar na elaboração dos demais instrumentos de gestão territorial.

Considerando que o ordenamento do território nacional deve traduzir e apoiar as grandes opções estratégicas definidas para o País, numa óptica de construção de unidade na diversidade, o PNPOT define como objectivos estratégicos a concretizar nos vários níveis de planeamento:

a) Conservar e valorizar a biodiversidade, os recursos e o património natural, paisagístico e cultural, utilizar de modo sustentável os recursos energéticos e geológicos, e prevenir e minimizar os riscos;

b) Reforçar a competitividade territorial de Portugal e a sua integração nos espaços ibérico, europeu, atlântico e global;

c) Promover o desenvolvimento policêntrico dos territórios e reforçar as infra-estruturas de suporte à integração e à coesão territoriais;

d) Assegurar a equidade territorial no provimento de infra-estruturas e de equipamentos colectivos e a universalidade no acesso aos serviços de interesse geral, promovendo a coesão social;

e) Expandir as redes e infra-estruturas avançadas de informação e comunicação e incentivar a sua crescente utilização pelos cidadãos, empresas e administração pública;

f) Reforçar a qualidade e a eficiência da gestão territorial, promovendo a participação informada, activa e responsável dos cidadãos e das instituições.

O programa de acção que integra o PNPOT desenvolve e concretiza estes objectivos estratégicos através de um conjunto de objectivos específicos, de medidas prioritárias e de orientações para os instrumentos de gestão territorial. A execução desse programa de acção será descentralizada a nível regional e sectorial, contando com o envolvimento e a co-responsabilização de todos os Ministérios na prossecução do objectivo comum de ordenar o território de Portugal.

in Portal do Governo

Tuesday, January 16, 2007

Descentralizar a Inovação

Seria bom haver mais casos no país como o «cluster» das telecomunicações de Aveiro em torno da InovaRia. Emergiu um grupo de PME e atraíram-se multinacionais

Num mundo cada vez mais globalizado, os processos e funções das empresas tendem a localizar-se nos sítios onde a relação custo-benefício é mais atractiva. Esta realidade, que conduz muitas vezes a situações dramáticas de aumento de desemprego, começa a abranger não só as actividades de produção e de serviços de suporte, mas também as actividades de Investigação e Desenvolvimento.

Os grandes fornecedores têm já localizados nos países de maior potencial de crescimento, como a China e a Índia, pólos de I&D que, tirando partido da oferta abundante de quadros qualificados, complementam a capacidade dos centros de competência situados nos Estados Unidos e na Europa.

Assim sendo, para que uma política de atracção de investimento estrangeiro seja credível e sustentável ela terá que conseguir fixar actividades de I&D que garantam a participação das unidades localizadas em Portugal, na cadeia de valor do grupo empresarial a que pertencem.

Portugal terá assim que desenvolver uma estratégia concertada, envolvendo universidades, autarquias, agências governamentais, associações e empresas de referência, que permita criar condições competitivas para a atracção de investimento de qualidade. Esta estratégia implica fazer escolhas sectoriais e regionais por forma a criar a massa crítica necessária para poder competir no mercado mundial.

O «cluster» de telecomunicações existente em Aveiro é um exemplo de que é possível ter sucesso. Tendo como âncora a PT Inovação, o «cluster», hoje organizado em redor da associação Inova Ria, permitiu criar um número significativo de PME de base tecnológica e atrair empresas como a NEC e, mais recentemente, a Siemens. O volume de vendas ultrapassa já os cem milhões de euros, empregando mais de 1000 pessoas, na sua maioria engenheiros e técnicos. Estes quadros são oriundos essencialmente das universidades de Aveiro, Coimbra e Porto.

Seria bom que casos como este se pudessem multiplicar e alargar às diferentes regiões do país.

paulo.nordeste@sapo.pt

in Expresso, Paulo Nordeste

Monday, January 15, 2007

Desafios para a globalização

Portugal deveria ter a ambição de se tornar um centro de excelência, atraindo talento de todo o mundo em áreas tecnológicas avançadas
As mudanças que se observam em múltiplas e diversificadas actividades económicas a nível mundial têm em comum a utilização do conhecimento e inovação como factores de competitividade. Enquanto que o valor económico do conhecimento depende da sua maior ou menor adequação às actividades geradoras de produtos e serviços, a relevância da inovação depende da sua maior ou menor adequação para os diferenciar.

Conhecimento e inovação com estas características só podem ser alicerçados num sistema de educação de alta qualidade e nivelado internacionalmente. A educação de nível superior terá que conceder prioridade aos domínios tecnológicos que suportam as indústrias de conhecimento intensivo e atribuir-lhes papel catalizador do desenvolvimento económico nacional. Será com o conhecimento e a inovação, mais do que com a intensidade de capital ou o custo de mão-de-obra, que será conquistada a competitividade internacional.

A rápida modernização do tecido industrial nacional de base tecnológica e, em particular, a emergência de sectores tecnológicos não tradicionais, requer a existência de condições estruturantes que garantam capacidade de engenharia, em quantidade e qualidade. Perante o desafio de terem que crescer rapidamente por força da dinâmica da competitividade mundial, as novas empresas tecnológicas serão inevitavelmente confrontadas com a necessidade de assegurarem um elevado e constante «in-flow» de engenharia de alta qualidade. A alternativa à dificuldade de se encontrar a curto e médio prazo a capacidade de engenharia nacional necessária só poderá ser o recurso à utilização de capacidade de engenharia estrangeira. Portugal deveria ter a ambição de se tornar num centro de excelência para a atracção de capacidades e talentos internacionais em domínios tecnológicos avançados, pelo impacto que resultaria na sustentabilidade a curto e médio prazo das novas empresas que ambicionam competir à escala global.

A não materialização deste objectivo conduzirá inevitavelmente à deslocalização internacional de centros de investigação e desenvolvimento para grandes centros de produção de engenharia altamente qualificada, de que são exemplos mais paradigmáticos a Índia e a China.

O desafio é grande, mas ainda maior será o impacto negativo que poderá ter para a sustentabilidade de um novo tecido industrial emergente em Portugal a incapacidade de o alimentar com a matéria-prima estratégica que o capital humano representa. Este desafio deverá representar um enorme estímulo para que ocorram muito rapidamente mudanças significativas promovidas por políticas de desenvolvimento acelerado de recursos internos e, sobretudo, de captação de recursos externos.

CEO da Chipidea

in Expresso, Epifânio da Franca

Sunday, January 14, 2007

Edia dinamiza Museu da Luz

O Museu da Luz lança este ano um conjunto de iniciativas de dinamização para a comunidade dirigidas a um vasto leque de públicos. Os eventos a realizar em 2007 estão enquadrados no programa educativo em curso e têm como principal objectivo sensibilizar para a identidade cultural do espaço e do tempo de “Alqueva”.

A participação nas iniciativas exige inscrição prévia no Museu e as visitas orientadas desenvolvem-se em quatro vertentes: Museu da Luz e sua Colecção, Museu e Igreja da Luz, trajecto temático de Arqueologia e um outro de Arquitectura.

Os percursos privilegiam a descoberta do grande lago com passeio de barco, visita ao Museu e lugares de memória, contacto com as novas arquitecturas e passeio pela aldeia da luz.



Voz da Planície, Ana Elias de Freitas

Saturday, January 13, 2007

As novas cidades-aeroporto


Os aerotropolis são vistos como uma estratégia de desenvolvimento económico para o século XXI

Os aeroportos são cada vez mais vistos como um motor da economia mundial. “Estas infra-estruturas vão ser determinantes na localização das empresas e dos negócios, assim como no desenvolvimento urbano para o século XXI, tal como as auto-estradas o foram no século XX, os caminhos-de-ferro no século XIX e os portos marítimos no século XVIII”, defende John Kasarda, o grande teórico dos ‘aerotropolis’ (vocábulo que resulta da combinação de aeroporto com metrópolis).

Este professor universitário americano, e director do Kenan Institute of Private Enterprise, advoga que, em vez de se construírem os aeroportos na periferia das cidades para serem o mais possível evitados, devemos antes transformá-los no centro e planear o resto da cidade à sua volta. Os aerotropolis são precisamente isso: cidades cujo centro é o aeroporto, rodeado de centenas de hectares de espaço industrial, escritórios, serviços de logística, hotéis, restaurantes, entretenimento e habitação.


Não é ficção


Apesar do conceito parecer futurista, quase ficção científica, os aerotropolis começam a ser uma realidade: na Ásia vários destes projectos estão em curso em Pequim, Seul, Xangai, Banguecoque e Kuala Lumpur. Nos Estados Unidos, estão planeados aerotropolis em Detroit, Memphis, Denver e Dallas. Na América do Sul, está previsto um em Belo Horizonte, no Brasil. E na Europa, o aeroporto de Amesterdão já começa a ganhar contornos de uma cidade-aeroporto.

Mas qual o grande objectivo dos aerotropolis? Tudo se prende com a evolução do comércio global. John Kasarda afirma que a questão crítica é a competitividade: “O comércio é cada vez mais global e exige maior rapidez de transporte, o que é feito cada vez menos pela via terrestre e mais por meio aéreo. As empresas valorizam mais a rapidez, agilidade e acessibilidade no fornecimento dos seus produtos e serviços aos clientes”, comenta.

Kasarda sublinha que, nos últimos 30 anos, o PIB Mundial cresceu 154% e o valor do comércio mundial cresceu 355%. Mas o valor da carga aérea disparou para um astronómico valor de 1395%.

Hoje 40% do valor económico de todos os bens produzidos no mundo é aerotransportado, assim como 70% de todas as compras feitas pela Internet. Dos vários projectos de aerotropolis em curso, o Dubai World Central é o mais megalómano.

A primeira fase de conclusão do aeroporto deste emirado será em finais de 2008 e terá uma cidade logística com 1,2 milhões de metros quadrados, servido por auto-estradas próprias com fábricas e armazéns para empresas como a Boeing, Caterpillar, Chanel, LMVH, Mitsubishi, Porsche e Rolls-Royce. Num segundo anel, estarão sediadas empresas como a IBM, Microsoft e Oracle.

No terceiro anel, surgirão habitações para 77 mil residentes, servidas de alguns dos maiores centros comerciais do mundo, campos de golfe, torres de escritórios e complexos de entretenimento.


in Expresso, Manuel Posser de Andrade

Thursday, January 11, 2007

Privados investem 13 mil milhões em ‘resorts’

Durante os próximos dez anos, promotores privados como o Grupo Pestana, José Roquette, Amorim, Sonae Turismo, Pelicano ou Acordo vão investir cerca de 13 mil milhões de euros em projectos na área do turismo residencial e em ‘resorts’, e criar 40 mil novos apartamentos em Portugal. As projecções são da consultora ILM/THR - Internacional Tourism Advisers, num estudo que agrega todos os empreendimentos licenciados ou em fase de licenciamento com mais de 70 hectares. É o caso do Bom Sucesso, em Óbidos, ou dos vários ‘resorts’ projectados para Tróia, um investimento conjunto da Sonae Turismo e da Amorim Turismo a nascer onde antes se erguia a Torralta, demolida em 2005. Só para estes empreendimentos, que incluem dois hotéis e aldeamentos turísticos, estão previstos 400 milhões de euros de investimentos. Valor que poderá ser superior, uma vez que o empreendimento já foi classificado como Projecto de Interesse Nacional (PIN) e incluirá uma série de equipamentos colectivos. Outro exemplo é o Douro Marina Hotel, da promotora Douro Azul, cujo projecto tem levantado inúmeras questões ambientais e que por isso ainda não se encontra licenciado, apesar de já ser PIN.

in DE, Ana Baptista

Wednesday, January 10, 2007

Agricabaz


Esta mensagem destina-se aos que vivem em Coimbra ou Figueira da Foz; especialmente aos que são fãs da alimentação saudável ou da pequena agricultura doméstica enquanto factor de equilíbrio ambiental.

O Agricabaz distribui-nos, a casa, hortaliças e frutas (bio ou da agric. familiar) de Gouveia, S. Pedro do Sul, Tocha e Quinta da Confraria. É uma forma de distribuir os produtos dos pequenos agricultores, apoiando a sua sustentabilidade.

Eu sou «freguesa» e sou fã!
Os preços não são muito competitivos (fica mais ou menos ao preço que se compra na mercearia do bairro). Mas o cheiro e o sabor!!! Já não cheirava e comia tangerinas e laranjas daquelas desde a minha infância. Bróculos, acelgas fresquíssimos... O perigo é que o pessoal se habitue a estes leguminhos e fruta e depois não queira outra coisa.

Não queres encomendar um cabaz para experimentar??:



por: Maria José Tovar

Monday, January 08, 2007

Elefante perde para o dragão

As comparações com a China não são lisonjeiras para a Índia: o país vizinho e rival lidera hoje em quase todos os indicadores económicos e de desenvolvimento humano. No entanto, os dois países mais populosos do mundo estavam no mesmo patamar em 1984. Eram predominantemente agrícolas e tinham rendimentos «per capita» inferiores a 250 euros. Mas, foi a China quem mais beneficiou da abertura ao comércio mundial. Hoje tem um Produto Interno Bruto (PIB) que é o dobro do indiano. Conseguiu reduzir para 13% a proporção da população que vive com menos de 80 cêntimos ao dia, enquanto que ainda está nos 31% na Índia. Por outro lado, a China atrai 12 vezes mais investimento estrangeiro que a Índia (50 mil milhões de euros «versus» 4 mil milhões de euros). Porque foi possível à China ter disparado no crescimento económico e o país fundado por Gandhi ter ficado a marcar passo? O ministro indiano das Finanças, P. Chidambaram, dizia no final de 2005 à revista ‘Fortune’ que o fraco desempenho do seu país nas duas últimas décadas se deve à lentidão em reestruturar empresas públicas não lucrativas e à tardia abertura ao exterior. “Tentamos todos os dias, mas nós somos uma democracia. Temos imprensa livre. Nós só conseguimos dar pequenos passos que parecem lentos em relação à China. Para avançar, tenho de carregar com os meus parceiros de coligação e com a oposição”, referiu à revista americana.

in EXPRESSO

Saturday, January 06, 2007

Avis, no Alentejo, é o concelho com menos área urbanizável do país (0,34%)

Esta informação pode ser obtida numa base de dados sobre Ambiente, a Ecoline,consultável por todos na Internet, inaugurando uma abordagem histórico-social dos problemas ambientais que se propõe ir à raiz dos problemas.
O Observa, núcleo de investigação do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e do Instituto de Ciências Sociais (ICS), disponibilizou a Ecoline, uma base de dados de acesso livre onde se podem encontrar notícias publicadas em jornais (como a Ilustração Portuguesa, o Século Ilustrado, a Vida Mundial ou o Expresso), mas também pequenos filmes, documentários e dados estatísticos.

O objectivo é “cobrir uma dimensão evolutiva, espacial, geográfica e temática das questões ambientais", diz Luísa Schmidt, coordenadora do projecto. A investigadora do Observa, explica que o projecto Ecoline é pioneiro no sentido em que inaugura uma abordagem histórico-social dos problemas ambientais e do modo como, ao longo do século XX foram tratados nos media e na investigação científica; "pegamos na raiz dos problemas".

Como seria de esperar, é nas áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa que a percentagem de área urbanizável é maior. Num extremo está o concelho do Porto (com a maior área de todos, 69,15%), depois São João da Madeira (63,61%), Gaia (52,33%) e Espinho (52,22%), Oeiras (51,10%), Lisboa (49,80%)ou Amadora (48,66%); no outro, Avis (0,34%) seguido de muito próximo por Alvito (0,36%), ambos no Alentejo, a região com menos área urbanizável.

Base de dados Ecoline

In arquitectos.pt

Friday, January 05, 2007

Que raio estão vocês a fazer aí dentro?

Quando é simples publicar, participar e criar, o caminho para a cidadania está aberto

Um doente mental passeia pelo jardim da instituição onde está internado. Aproxima-se do gradeamento que separa o espaço da via pública e chama um indivíduo que está a passar. “Se faz favor”. “Sim?”, responde o homem. “Pode esclarecer-me uma dúvida?”, continua o doente. “Claro, diga.” “Que raio está você a fazer aí dentro?”

A história, que pode ser encarada como uma piada, não deixa de ser uma grande metáfora. E se aplicada à Internet, então parece um autêntico fato à medida. Não no que toca a demência mental - quem é 100% são que atire o primeiro «mail» -, mas principalmente sobre o facto de ser cada vez mais incompreensível perceber a razão de alguém (voluntariamente, óbvio) insistir em ficar de fora do ciberespaço.

Na previsão do que será a Internet no próximo ano fica uma certeza: isto não vai parar. Ou melhor, isto encontrou o caminho certo para acelerar. O rumo, portanto.

É que até há bem pouco tempo só os especialistas, supra-especialistas e outros ‘istas’ se pronunciavam sobre o que seria o futuro da rede, como se desenharia e blá, blá, blá. Milhares de textos tecnocratas, comunicações académicas enfadonhas, discursos frios e notícias desinteressantes deixaram de fora, durante anos, um pequeno detalhe: as pessoas, o cidadão comum.

A sensação de que a Internet não era coisa para todos levou ao aparecimento e proliferação da horrível expressão - mais do que justa como mecanismo de defesa - “Não percebo nada de computadores”. Uma frase disparada sempre que alguém que não navegava era confrontado com o mundo dos 3Ws.

Isso acabou. Felizmente para todos nós, grupos de investigadores tornaram a navegação mais simples, as ferramentas de publicação mais simples, a participação mais simples. E quando é simples publicar, participar e criar, o caminho para a cidadania está aberto.

É por isso que hoje existem na rede milhões de blogues, milhões de vídeos, milhões de comentários de leitores em jornais tão importantes como o ‘New York Times’, o ‘El País’ ou o ‘Libération’. É por isso que 2007 continuará a ser o ano da nossa rede.

É também por isso que vale a pena fazer uma pergunta a quem se mantém de fora: que raio estão vocês a fazer aí dentro?

Expresso, Miguel Martins

Thursday, January 04, 2007

Ecoline: Conhecer para mudar!

O projecto ECOLINE - Conhecer mais para Mudar melhor traduz-se em três objectivos de níveis diferentes e relacionados entre si:

Objectivo Geral
Fornecer informação sobre ambiente. Disponibilizar essa informação de forma acessível através de aplicações multimédia em português, no sentido de suprir uma carência crónica patente na sociedade portuguesa: o elevado défice informativo em matérias ambientais.

Objectivo Operacional
Contribuir para a comunicação ambiental. Construir uma página on line sobre ambiente, que trate e divulgue informação de diversas proveniências: dados recolhidos na imprensa escrita para o século XX, imagens fotográficas e televisivas, históricas e actuais, e estatísticas de ambiente.

Objectivo Estratégico
Promover a cidadania ambiental. Estimular o maior envolvimento dos cidadãos nas questões ambientais através da criação de um instrumento que permita uma informação diversificada e completa, consistente e acessível, potenciando uma participação pública mais efectiva e eficaz no que diz respeito ao ambiente e qualidade de vida.

Tuesday, January 02, 2007

O que Portugal faz bem

Imagine um garfo. Um garfo normal, é um produto bem aborrecido e desinteressante. Um gafo é um garfo, não tem nada que saber. Agora imagine que esse garfo em questão é Made in Germany, como é que seria o tal garfo alemão? E se o garfo fosse italiano, que tal seria? Já agora, como é um garfo fabricado no Japão?

Nesta internacional cutelaria imaginária, encontram-se alguns dos seguintes produtos: Pesados garfos alemães de liga fantástica, que nunca se enferrujam, nem sequer se entortam; Uns lindíssimos faqueiros italianos, do tipo que transpira design, ideais para decorar a mesa num jantar, mas só se for de cerimónia, porque se são italianos e provavelmente intragáveis no dia-a-dia; Finalmente, os garfos japoneses, que se não forem pauzinhos, serão miniaturas equipadas com um sensor electrónico de temperatura, não vá o comensal queimar-se.

Estes países têm uma percepção da sua nacionalidade que se reflecte nos seus produtos e que os ajuda a vender a sua produção. Percepção esta que deriva da sua História e que dá aos seus produtos verdadeiras vantagens competitivas. Veja-se a França em que o luxo de Versailhes, vende hoje o luxo dos seus cosméticos e perfumes líderes mundiais. Ou o oposto, a terra da oportunidade, tão abundante e com tão pouca história. Uma Herança que faz do Made in USA sinónimo de tudo o que for grande e descartável. ORA, como se vê, a percepção dos produtos nacionais é, em primeiro lugar, condicionada pela percepção da História dos seus países. Mesmo em Portugal.

Só que para o consumidor europeu médio, Portugal não tem grande História. Ou seja, os Europeus sabem que em Portugal não se passa grande coisa: O clima é bom e tolerante; Não há animais venenosos; Não existem tufões, nem terroristas; Há pouco crime e até as revoluções são com flores. Enquanto os italianos herdaram o seu estilo, do estilo que impõem ao mundo desde o renascimento, os portugueses têm o país onde nada acontece, nem as coisas excitantes (como em Espanha), nem tão pouco as coisas neutras e previsíveis (como na Suíça). Em Portugal não acontece nada, pelo que Portugal é um país onde se está bem, onde se vive bem e com vagar. Portugal é assim o país do conforto. E o principal produto do país do conforto tem de ser o turismo residencial de terceira idade.

A maior indústria da rica Florida são os condomínios para reformados e Portugal, a exemplo da Florida, pode tratar de pôr os reformados da Europa ao sol para viver à custa das suas europeias seguranças sociais. Depois, com os reformados, viriam nas férias os respectivos filhos e netos e com eles mais consumo. Se Portugal acolher 250mil reformados, o consumo directo cresce 3% do PIB. E se vier um milhão de reformados? Já se vê, fica um país rico.

A esse dinheiro (que está disponível porque não existe ninguém a apostar a sério nesta oportunidade de mercado) junta-se ainda todo o efeito de contágio dos produtos nacionais. Móveis confortáveis, Sapatos que não aleijam, Roupa para ir à esplanada. Televisões que não ferem os olhos. O país do conforto é uma ideia onde Portugal pode competir. Não é tecnológica, porque os europeus têm tanta razão para temer a inovação portuguesa, como nós temos para desconfiar dos Fiats usados. Não é mão-de-obra barata, porque nisso e felizmente, nos ganham os sempre pobres filipinos que cosem ténis por dois dólares e uma malga de arroz. O conforto é algo que Portugal faz bem (fazer nada) e se deduz directamente da nossa Herança.

As marcas que querem ser preferidas pelos consumidores precisam de um Motivo de Compra que seja uma declinação da sua Herança. Em Portugal, a Herança é ser um País pequeno e periférico, pacato e humilde, onde nada de mal se passa, tal como nada de bem se faz. Se esta é a Herança da Marca Portugal, não há como o renegar, Portugal é um país algo banana, sem chegar a ser uma república das bananas. Então, que se assuma o Conforto e se faça dele o motivo unicamente excelente para comprar o que é Português.

in DE, Henrique Agostinho

Monday, January 01, 2007

População do Porto pode diminuir para números de há um século

O Porto terá apenas 200 mil habitantes em 2011, descendo a um nível demográfico próximo do que tinha no advento da República (183 mil residentes em 1911), segundo uma projecção do Instituto de Ciências Sociais. A confirmar-se este cenário, o concelho cairá do terceiro para o quarto lugar da classificação dos maiores centros populacionais, atrás de Sintra (que terá quase 480 mil habitantes), Lisboa (471 mil) e Gaia (321 mil).
A maior população do Porto foi atingida em 1981, com 327 mil habitantes, número que desceu para 302 mil em 1991 e para 263 mil em 2001. Já em 2005, uma contagem intercensitária do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que restavam no Porto 233 mil moradores, uma perda de 11,3 por cento em apenas quatro anos.
Em números absolutos, a perda populacional do Porto está abaixo da registada em Lisboa (menos 45 mil habitantes), mas é percentualmente superior à da capital (que teve menos oito por cento). Em contraciclo, Gaia passou, no último ano, as três centenas de milhar de residentes, consolidando o estatuto de terceiro concelho português mais povoado, que já subtraíra ao vizinho da Norte em 2001.
Em 2005, o INE atribuiu ao concelho da margem sul do rio Douro uma população de 304 mil habitantes, confirmando a tendência crescente evidenciada em sucessivos censos: 1981, 226 mil moradores; 1991, 249 mil; e 2001, 289 mil.
Só um bairro de Gaia, o de Vila D"Este, freguesia de Vilar de Andorinho, tem mais habitantes do que as quatro freguesias do centro histórico do Porto. A população de Vila d"Este está estimada em 17 mil habitantes, mais cinco mil do que a verificada, nos Censos de 2001, nas freguesias portuenses de Sé, S. Nicolau, Vitória e Miragaia. Estas quatro freguesias da zona histórica do Porto perderam metade da população entre 1981 e 2001, passando de 28 mil para 13 mil habitantes. No mesmo período, o conjunto citadino - que compreende mais 11 freguesias - perdeu 64 mil habitantes, o equivalente ao que o município de Gaia ganhou no mesmo hiato (63 mil).
Mas a perda demográfica do Porto não favoreceu apenas Gaia, já que sete outros concelhos periféricos ganharam, no mesmo período, um total de 90 mil residentes. Maia foi o município da região que maior crescimento demográfico percentual registou. Entre 2001 e 2005, a população da Maia, concelho imediatamente a norte do Porto, cresceu 10,8 por cento, somando quase 13 mil novos moradores aos 120 mil que já possuía.

in Lusa

Saturday, December 30, 2006

2007

A Justiça é o novo nome da Paz.

Faça do próximo ano a sua quota parte na construção da PAZ JUSTA.

A aventura

Sinto a necessidade de formular um desejo limitado ao meu país, não facilmente definível, e que certamente ultrapassará o período de um ano. Desejo que ‘a aventura’ passe a ser o estado de espírito dominante dos portugueses.

Portugal enfrenta hoje uma competição internacional inescapável. A visão só pode ser uma: vencê-la. As nossas empresas têm que dominar globalmente nos mercados em que actuam. Temos que criar e vender produtos a essa escala.

Esta visão é ainda um sonho. Temos que o realizar para que não se transforme numa alucinação.

Algumas empresas estão preparadas para estes desafios. Mas a maioria dos portugueses não foram educados para eles. As nossas universidades criam empregados e não empreendedores. O conforto é mais desejado do que a aventura.

O grande desafio para o próximo ano é iniciar a reforma das universidades. As universidades têm que mudar os sistemas de governação e de gestão. Mas estes sistemas devem ser desenhados com um objectivo simples: recrutar os melhores professores e deixá-los à vontade.

Os melhores professores são os que ensinam e investigam na fronteira. São eles que atraem os melhores estudantes e os formam para a liderança científica e empresarial.

Os melhores professores são também aqueles que mais desejam e que melhor sabem utilizar a liberdade. Os sistemas de gestão devem ser desenhados para que a liberdade seja o valor primordial da Universidade.

Neste momento, as nossas melhores universidades têm corpos docentes envelhecidos. Entretanto, o país financiou a formação de milhares de jovens cientistas nas melhores universidades do mundo. Portugal começa também a ser atractivo para jovens investigadores de outros países.

Para contratar estes jovens talentos vão ser necessários recursos financeiros que as universidades só vão poder obter através de receitas próprias. Neste domínio, vão ter que profissionalizar a angariação de fundos.

A mudança na Universidade simbolizará o rejuvenescimento da sociedade portuguesa. Confio nas novas gerações de universitários para a criação de um ambiente de aventura intelectual que transforme Portugal.

Este processo não pode ser mais adiado. Tem que ser iniciado em 2007.

in Expresso, António Câmara

Thursday, December 28, 2006

Êxodo Urbano já chegou à cidade do Porto

Francisco Assis reclamou, na última Assembleia Municipal do Porto, medidas de combate à “desertificação da cidade”.

A cidade do Porto, tal como Lisboa, sofre de ausência de qualidade de vida, provocando uma “debandada” na sua população. A este “Êxodo Urbano”, designação técnica para este movimento que se iniciou nos finais da década passada, não será estranho o arrefecimento económico em Portugal. Isto é, os sacrifícios sociais e económicos impostos pelas grandes cidades deixaram de ser economicamente compensados com boas retribuições salariais.

Julgo, por isso, tratar-se de demagogia politica pedir tais medidas ao executivo municipal, uma vez que não estarão nas suas capacidades a implementação de algumas medidas fundamentais que se indicam a título de exemplo:
- Regulamentar o custo dos diversos serviços de primeira necessidade prestados pelo sector privado, nomeadamente creches e ATLs, cujos índices atingem os 500% quando comparados com os praticados nas cidades do “interior”;
- Incapacidade de ajustar os custos habitacionais aos praticados num raio de 40 kms
- Reduzir a entrada a 100.000 viaturas diárias na respectiva cidade, por forma a reequilibrar a sua qualidade ambiental;
- Replantação de 100.000 árvores no respectivo município, por falta de espaço físico para o realizar
- Etc.

Não é por isso expectável que as áreas metropolitanas voltem a atingir valores populacionais tão elevados como na passada década de 90, numa era em que as autoestradas da informação permitem a deslocalização de grande parte do sector terciário e da totalidade do sector quaternário. Isto é, o conceito geográfico de proximidade entre o sector produtivo e os seus consumidores deixou de fazer sentido para a maioria da trabalhadores dos últimos sectores de actividade.

As grandes cidades são hoje pólos inquestionáveis de história e cultura, para além de detentoras de boas acessibilidades, devendo por isso explorar de forma qualitativa e quantitativa as suas potencialidades turísticas, quer na área da cultura e património quer no turismo de negócios.

Tuesday, December 26, 2006

Placing Innovation: A Geographical Information Systems (GIS) Approach to Identifying Emergent Technological Activity

Political leaders and economic planners from Albuquerque to Zurich widely recognize that the future economic well-being of their respective regions depends to a significant extent upon the innovative capacity of the people and institutions they attract and retain. Effective policy formulation and program design require at minimum (1) accurate, current and comprehensible information regarding the characteristics of regional innovation systems over time, and (2) indicators that assist in understanding the potential complementarities of public policy and private incentives resulting in desired social outcomes. This project seeks to advance research along both of these dimensions. Specifically, the paper proposes a method for identifying regions with emergent technological capabilities. The method builds upon work by CHI Research that uses patent data to identify nascent technological domains. We present maps of regional innovative capacity constructed from a method that is (1) applied consistently across different spatial scales of analysis, and (2) based on an underlying model of the process of technology development. We identify economic, cultural, and policy determinants of regional innovative capacity and technology entrepreneurship.

by Philip E Auerswald, School of Public Policy, George Mason University, VA, USA

Thursday, December 14, 2006

I Want to break free!



"A vida é o que fazemos dela!"

Bom fim de semana.

:-)

Provedor do Interior

Nos gabinetes alcatifados se enunciam retóricas condoídas sobre as áreas deprimidas, magníficos manifestos, e, todavia, mais força tem, na adversidade, a simples esteva com a sua alva fragilidade rompendo o chão pedregoso, a falha de xisto.

Audio do programa Sinais da TSF.

in TSF, Sinais de Fernando Alves

Comissão propõe Provedor do Interior

A Comissão Nacional de Combate à Desertificação propôs terça-feira ao Governo criar a figura do Provedor do Interior que, tal como o da Justiça, tenha capacidade legal para interpelar instituições e fazer sugestões.

Segundo o presidente daquela comissão, Victor Louro, «a ideia é que este órgão possa sugerir critérios próprios para as regiões desertificadas, para que estas não sejam desagregadas neste jogo de subsídios.

A comissão anunciou hoje o balanço do ano internacional dos desertos e desertificação, no qual foram organizadas várias acções de sensibilização em universidades, junto de populações e escolas, envolvendo também membros do Governo e especialistas em desertificação.

«Oitenta e seis entidades realizaram iniciativas próprias, entre as quais 12 do ensino superior, cinco do ensino básico e secundário, sete associações de desenvolvimento local e de ambiente, 21 de administração central e local e 20 de outras de outras organizações», adiantou o presidente da comissão.

Victor Louro disse que mais de sete mil pessoas participaram nessas realizações, sem contar com os «milhares de pessoas» que visitaram feiras e exposições organizadas sobre o tema da desertificação.

Os últimos dados divulgados indicam que o fenómeno da desertificação atinge cerca de um terço do território nacional.

in TSF

Tuesday, December 12, 2006

Inovação e conhecimento com olhar na modernidade

O executivo da Câmara Municipal de Vila Verde apresentou as opções para 2007/2010, das quais se destaca uma forte aposta nas áreas da Inovação e Conhecimento. O presidente da autarquia fala ainda do reforço das tradições e economia locais. (+)

Monday, December 11, 2006

Lutar contra a pobreza é lutar contra terrorismo, diz Yunus

É uma fórmula para pôr fim ao terrorismo. Muhammad Yunus recebeu, este domingo, em Oslo, o Nobel da paz. O "banqueiro dos Pobres" defendeu, na cerimónia, que a pobreza é a verdadeira ameaça à paz.

O economista do Bangladesh, de 66 anos, partilha o prémio com o banco Grameen que fundou há 33 anos para ajudar os mais necessitados a ter acesso a crédito bancário.

Ao receber o Nobel sublinhou a ideia de que as frustrações, a hostilidade e a raiva que nasce na pobreza não trazem paz em nenhuma sociedade.

«A pobreza é uma ameaça à paz», disse Muhammad Yunus, depois de receber o prestigioso galardão, na Câmara de Oslo.

«As frustrações, a hostilidade e a raiva geradas pela pobreza abjecta não podem garantir a paz, em nenhuma sociedade», afirmou.

Na cerimónia, o Banco Grameen estava representado por Mosammat Taslima Begum, aldeã que escapou à miséria graças a um empréstimo de cerca de vinte dólares.

«Com este prémio, o Comité Nobel norueguês deseja este ano chamar a atenção para o diálogo com o mundo muçulmano, sobre a situação das mulheres (principais beneficiárias do micro-crédito) e para a luta contra a pobreza», afirmou o seu presidente, Ole Danbolt Mjoes.

Na cerimónia esteve presente a família real norueguesa e as actrizes norte-americanas Sharon Stone e Anjelica Huston, que apresentarão segunda-feira o tradicional concerto Nobel.

«Devemo-nos debruçar sobre as causas do terrorismo para lhe podermos pôr um fim definitivo. Penso que consagrar recursos a uma melhoria de vida dos pobres é a melhores estratégia, melhor do que a compra de armas», defendeu, sendo aplaudido pela assistência.

in TSF

Sunday, December 10, 2006

Obrigado!

Ao fim de 4 meses de blogue atingimos as 2000 visitas!
Apesar de existirem posts em datas anteriores, inicialmente publicados no Beira Medieval sob o título "Inovação & Inclusão:(...)", só em Agosto foi criado este blogue e colocado o respectivo contador.

O visitante 2000 é oriundo das terras de Santarém e é cliente da Cabovisão!

A todos o meu muito obrigado!

Centro de inovação e incubação de empresas em Abrantes


A Câmara de Abrantes aprovou o projecto de execução de arquitectura e especialidades do Centro de Inovação, Incubação e Desenvolvimento de Empresas (CIIDE)”, a construir no Tecnopolo do Vale do Tejo. O orçamento previsto para a obra é de 2,259 milhões de euros.

O projecto foi elaborado pela empresa de arquitectura “Pedro & Cecília Costa”, localizada no concelho de Abrantes. Visa a reabilitação de um edifício já existente no Tecnopolo, onde se pretende que venham a funcionar o Centro de Inovação e Incubação de empresas e o Centro de Desenvolvimento de Empresas. O novo equipamento terá capacidade para acolher 24 empresas nas 18 salas distribuídas por três pisos. Esta nova valência levará à cessação do actual Centro de Incubação de empresas.

in O Mirante

Friday, December 08, 2006

Óbidos: Primeiro parque temático europeu alusivo ao Natal

O primeiro parque temático europeu alusivo ao Natal, com cerca de dois hectares, abriu as portas quinta-feira em Óbidos. A vila medieval espera acolher cerca de 80 mil visitantes enquanto o parque estiver aberto, até 6 de Janeiro.

O projecto "Óbidos Vila Natal" foi inaugurado na noite da passada quinta-feira, 30 de Novembro, para reconstruir «toda a fantasia inerente ao imaginário próprio da época natalícia», afirmou o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Telmo Faria.

O parque temático ocupa cerca de dois hectares e conta com várias atracções, como a "Aldeia do Pai Natal", a "Terra do Presépio" ou o "Espelho de Gelo".

Uma pista de gelo com aproximadamente 200 metros quadrados e uma cobertura em forma de tenda, espaços cenografados e espectáculos animados por figurantes são outras atracções disponíveis no parque.

A organização espera contar com a presença de cerca de 80 mil visitantes, em particular crianças, até ao dia 6 de Janeiro, altura em que o parque temático encerrará as portas.

in TSF

Wednesday, December 06, 2006

Sector Quaternario



O novo sector de actividade - Comunicação e Informação - já emprega 48.000 trabalhadores. A produtividade média por trabalhador é de 287.000 euros por ano (±60.000 contos em moeda antiga).

Outra curiosidade é que 36% das empresas deste sector são exportadoras.

Fonte: DN

Monday, December 04, 2006

Lisboa e Porto perdem 75 mil habitantes


As capitais de distrito não param de perder população e os custos com as acessibilidades disparam. Lisboa foi a capital europeia que mais residentes viu partir e Sintra vai ser, certamente, o maior concelho português

A Lisboa mágica que inspirou o realizador Wim Wenders está a ser gradualmente abandonada. Milhares de novas famílias foram empurradas para a periferia, por não encontrarem na capital casas a preços acessíveis.


Lisboa é a capital da Europa que perdeu mais população, segundo um «ranking» da Comissão Europeia. Em quatro anos, desde 2001 a 2005, de acordo com as estimativas oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE), Lisboa assistiu, quase sem reacção, à fuga de cerca de 45 mil habitantes. Nos últimos 10, mais de 20% da população virou as costas às sete colinas.

A desilusão com Lisboa é tal que, se a cidade não seduzir novas gentes e não conseguir convencer os alfacinhas a ficar, arrisca-se a ter menos de meio milhão de habitantes e em breve deixará de ser o maior concelho do país, passando o emblemático estatuto para a vizinha Sintra. O facto, inédito na nossa longa história, pode vir a ser alcançado já em 2011, de acordo com uma previsão do Instituto de Ciências Sociais (ICS), no âmbito de um projecto de investigação urbanística e ambiental.


Este cálculo mostra que, a manterem-se as mesmas tendências de decréscimo verificadas nos últimos anos, Lisboa pode ter nessa data perto de 470 mil residentes e Sintra pouco menos de 480 mil. Um futuro ainda mais preocupante está marcado para o Porto. A Invicta, que tinha no início da década de 90 mais de 300 mil habitantes e era o segundo concelho mais populoso, chegou a 2001, ano do censo nacional do INE, com menos 40 mil residentes, sendo ultrapassada por Vila Nova de Gaia, o concelho que mais cresceu a seguir a Sintra. Segundo ainda as estimativas do INE, até ao final do ano passado mais 30 mil pessoas abandonaram o Porto. Ou seja, entre 1991 e 2005, a cidade perdeu quase 23% da população.

As estimativas do ICS prevêem para o final desta década que o Porto caia para o quarto lugar, a escassos menos de dois mil residentes de Cascais e Seixal.


Curiosamente, entre as 25 cidades que perderam mais população nos últimos quatro anos, encontram-se, além de Lisboa e Porto, outras sete capitais de distrito (Coimbra, Funchal, Portalegre, Ponta Delgada, Évora, Castelo Branco e Beja), tornando o abandono das capitais um desaire nacional.

À volta destas, principalmente do Porto e de Lisboa, crescem outras metrópoles-dormitórios, a maior parte com falta de equipamentos e serviços suficientes. Prognostica o ICS que Cascais, Vila Franca de Xira, Odivelas, Mafra e Alverca vão quase duplicar a população da década de 90 e Oeiras, Setúbal e Torres Vedras quase triplicar.


Deslocações custam 14,3% do PIB




A maior parte dos novos moradores destes concelhos trabalha em Lisboa ou no Porto. A custos enormes. ‘‘Custos colectivos bem maiores que os ganhos privados’’, diz João Seixas, investigador do Centro de Estudos Territoriais, do ISCTE. Um estudo com base em cálculos feitos em Espanha e em Portugal conclui que só a despesa no transporte individual privado (incluindo custos dos automóveis, dos seguros, dos investimentos nas rodovias, do tempo de trânsito, dos acidentes, do combustível) destes fluxos de tráfego diário em direcção às grandes cidades, equivalem a cerca de 14,3% do PIB (150 mil milhões de euros).

Estudiosos dos fenómenos demográficos responsabilizam a especulação imobiliária, a falta de estratégias governamentais e a ausência de medidas que rejuvenesçam os moradores. ‘‘Ainda não se compreendeu que a qualificação da cidade é um dos maiores motores da qualificação económica e social do país e que Lisboa ou Porto revigorados, ou cidades centrais médias revigoradas, sem dispersão contínua, darão uma maior força ao país’’, sublinha João Seixas.

in EXPRESSO, Valentina Marcelino

CAUSAS DO ÊXODO URBANO
MÁRIO LESTON BANDEIRA, demógrafo e investigador do ISCTE


Um dos factores de declínio da vitalidade da cidade é o envelhecimento da sua população. Lisboa está entre as 10 cidades europeias com maior percentagem de população acima dos 65 anos.

Não há incentivos para que se estabeleçam famílias jovens na cidade. Os preços das casas são determinantes. Além disso, falta uma série de equipamentos e apoios a essas famílias e, principalmente, às mães. A Suécia, que chegou a ter uma população mais envelhecida do que Portugal, conseguiu, através de políticas de apoio às mulheres e à maternidade, começar a inverter a situação.

As grandes empresas ligadas à habitação deviam apostar nas famílias jovens, com bons rendimentos, como clientes prioritários de habitação nos centros das cidades. São as que podem ter mais filhos e, por isso, contribuirão para o repovoamento.

As autarquias têm a obrigação de colocar, na primeira linha das suas prioridades, consistentes políticas de investimento em habitações a preços acessíveis para jovens e determinar cotas para estes nas novas construções ou reabilitações.

VÍTOR MATIAS FERREIRA, catedrático de Sociologia

Responsabilidade do sistema imobiliário em que a célebre lei de oferta e procura não se aplica: em Lisboa há excesso de oferta de casas para venda, com preços inflacionados, de hiper-especulação imobiliária. Havendo excesso, seria de admitir que esses preços dominuíssem, o que não acontece. Isso porque não há um mercado imobiliário, mas um verdadadeiro ‘cartel imobiliário’.

Perante o ‘cartel imobiliário’ a tendência é, para quem procura casa, indagar nas diversas periferias do concelho, onde os preços são menos especulativos.

As classes médias não encontram respostas para as suas capacidades financeiras.

Seria de pensar numa Entidade Reguladora de Habitação que procurasse moralizar o dito mercado imobiliário, acompanhando as diversas situações.

JOÃO SEIXAS, professor universitário, especialista em sistemas de governação de cidades e autor de vários estudos sobre Lisboa

Fragmentação da metrópole muito acentuada, com dispersão de empresas e dos locais de trabalho pelos diferentes municípios.

Elevada complacência, ou mesmo um apoio explícito, do poder local em relação a um crescimento imobiliário que desestrutura profundamente a metrópole.

Perspectiva errada de gestão urbana que encara os mercados do solo e do imobiliário como puramente financeiros.

É uma actividade que implica uma ocupação humana e o seu desenvolvimento significa o desenvolvimento da vitalidade e das energias da cidade

Não existe em Lisboa uma qestratégia de cidade, uma estratégia que defina claramente objectivos, projectos e acções a médio e a longo prazo, que delimite responsabilidades e comprometa responsáveis.

Falta de gestão de proximidade à escala do cidadão e das freguesias

A "defesa da honra" de Rui Rio: ‘‘O Porto não é uma cidade fantasma nem vai ser’’

Para Rui Rio, presidente da Câmara, mais importante do que fixar população é garantir o dinamismo e atractividade do Porto

P Por que está o Porto a perder população?

R Antes de mais é preciso relativizar essas estimativas. São só isso: estimativas. Por outro lado, é preciso notar que estas estatísticas não consideram, por exemplo, a ocupação de hotéis e a população estudantil da cidade. Não estão registados como residentes, mas somam mais de 20 mil pessoas que também dormem no Porto, embora recenseados noutro lado. De qualquer forma, a perda de população residente é um problema real. Mas isso não significa que o Porto esteja em declínio. Durante o dia, o Porto tem perto de meio milhão de pessoas. Não podemos olhar para a grandeza de uma cidade pelo número de aglomerados de prédios que servem de dormitório e de registos para estatísticas. Uma cidade é muito mais do que isso. Vale muito mais pela sua qualidade como espaço urbano, pela dinamização económica, pelo grau de atracção cultural. E nestes aspectos, o Porto pode não ser a cidade com maior número de habitantes a dormir, mas é sem dúvida um dos maiores pólos de atracção do país. Estamos muito longe de ser uma cidade-fantasma.

P Não é importante travar a saída de residentes?

R Insisto que o Porto não está a competir com ninguém para ter mais gente a dormir, mas sim para ter mais gente a viver. O importante é que continue a ser um centro de dinamismo económico, social e cultural. De qualquer forma, por uma questão de valorizar ainda mais a cidade nesses aspectos, temos em curso o projecto de reabilitação da Baixa. O nosso desejo é que essas casas possam ser ocupadas por famílias que actualmente trabalham ou estudam no Porto, mas vêm de concelhos limítrofes. Cerca de 20 a 30 mil pessoas que podem vir a residir definitivamente na cidade com esse programa de longo prazo. De realçar ainda que uma das minhas preocupações logo que assumi a presidência foi travar a construção nova na cidade, limitando-a no Plano Director Municipal. A prioridade é a reabilitação.

Sunday, December 03, 2006

E. M. Forster revisited

Um post de Jack Nilles a não perder:

"One of the issues we worried about in our first test of telecommuting in 1973-74 was the impact of telecommuting on land use. In particular, we were concerned that the location independence feature of telework might induce people to move away from the cities to rural—and particularly to scenic—areas in such numbers as to destroy the primary reason for their move. That was more thirty years ago.(...)"

Versão integral do post de Jack Nilles

Saturday, December 02, 2006

O «copy» contratado por «messenger»

As aplicações de «Instant Messaging» são frequentemente vistas como um bloqueio à produtividade das empresas, quando o trabalho dá lugar aos «chats» entre amigos pela Internet. Por isso, o seu acesso é, muitas vezes, proibido pelos sistemas informáticos.

Mas entre «smileys» e animações gráficas, a Euro RSCG encontrou uma poderosa ferramenta de gestão de recursos humanos. Esta multinacional de comunicação e publicidade descobriu no «messenger» uma aplicação mais eficaz na contratação de novos quadros. Um “tubo de ensaio”, realizado em Portugal, e que será brevemente replicado a todas as filiais do grupo.

A experiência partiu da necessidade de contratar um jovem «copywriter» para a Cyberlab, a empresa do grupo Euro RSCG que integra toda a parte de Internet. “Trata-se de um cargo onde é fundamental saber escrever textos e criar campanhas para a net”, explica Jõao Paulo Ferreira, director-geral desta empresa. “Para quê seguir o método clássico de recrutamento, onde se entrevistam pessoalmente as pessoas para falar do CV, quando um dos aspectos mais importantes é determinar a qualidade de escrita dos candidatos para um ambiente web?”, questiona o responsável.

A oferta de emprego começou por ser lançada por «e-mail»: um anúncio para o cargo de «copywiter» júnior foi enviado para a rede de contactos pessoais e profissionais de João Paulo Ferreira que, em apenas um dia, recebeu 20 currículos de potenciais candidatos. “O efeito de rede funcionou na perfeição”, sublinha.

Mas a resposta obtida pelos candidatos não foi para agendar uma entrevista tradicional, mas um desafio diferente: conversar com o seu entrevistador pelo «messenger». Após a troca de «nickames», combinou-se uma hora no ciberespaço.


A entrevista diferente



“A entrevista foi muito mais produtiva: reparei logo que havia um maior à-vontade da parte dos candidatos, que responderam de forma mais espontânea às perguntas da praxe: qual a campanha preferida e porquê? Qual o conceito criativo? Como pegava nessa campanha de televisão e a adaptava à net? Anunciante «on-line» preferido. Falar sobre os trabalhos que já fez”.

O facto da plataforma ser o «messenger» permitiu aos candidatos enviar ficheiros com os seus trabalhos (portefólio) e trocar impressões com o entrevistador. “Por outro lado, apercebi-me logo do tipo de escrita dos candidatos, do seu sentido de humor e, sob pressão, puderam resolver casos práticos a escrever anúncios para determinada campanha”, salienta o director-geral da Cyberlab. Dos 20 candidatos entrevistados, apenas 10 passaram à fase da entrevista presencial “que serviu para confirmar cara-a-cara a ideia que tinha”, salienta.

A notícia da contratação foi novamente dada ao candidato apurado por «messenger», “que respondeu com um «smiley» sorridente”. A satisfação neste processo convenceu a Euro RSCG a replicar esta prática, não só para todas as contratações em Portugal, como para as restantes filiais do grupo.

in EXPRESSO, Manuel Posser de Andrade

Friday, December 01, 2006

Criação de Emprego

Há uma área profissional onde não existe desemprego. Trata-se do sub sector "Call Centers", do sector quaternário da economia: Comunicação e Informação.

Estas unidades empresariais podem ser instaladas em qualquer parte do Mundo, sendo as regiões de menor custos as preferênciais para instalação.




"(...)Segundo Roberto Meir (Presidente da Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente, Brasil), o governo de Lula da Silva tem como objectivo criar 120,000 novos empregos no Brasil durante 2007, 25% dos quais na área dos Contact Centers."

Expansão Urbana: Costa portuguesa ameaçada



Metade das zonas urbanas do continente estão concentradas em 13 quilómetros de costa, refere um relatório da Agência Europeia de Ambiente (AEA) divulgado esta segunda-feira. «Portugal tem tido um dos mais rápidos crescimentos urbanos da União Europeia»

Os maiores focos concentram-se na linha de costa das áreas metropolitanas de Lisboa/Setúbal e Porto/Viana do Castelo, assim como no Algarve. Locais onde a expansão urbana, entre 1990 e 2000, foi superior a 10%.

A AEA explica que o crescimento é sobretudo residencial e se deve à procura de imigrantes da Europa do Norte e de reformados portugueses.

«A Europa é dos continentes mais urbanizados da terra», cerca de 75% da população vive em áreas urbanas e esse valor poderá crescer para 80% em 2020.

«Diariamente, todos testemunhamos as mudanças aceleradas, visíveis e críticas no uso dos solos que, de uma forma sem precedente, modelam a paisagem e afectam o ambiente no interior e na periferia das cidades», alerta o relatório.

Em Portugal, não faltam exemplos dessas alterações, algumas ainda em discussão, como o Ikea em Gaia ou a plataforma logística no Ribatejo, ambos previstos para uma zona da reserva ecológica nacional.

Se, nalguns casos este crescimento pode ter efeitos benéficos no ambiente- «o consumo de energia tende a ser menor nas áreas urbanas»,o tratamento de resíduos urbanos e de águas residuais também fica facilitado-, por outro lado, nascem novos problemas localmente- poluição atmosférica (na Avenida da Liberdade registam-se as mais altas emissões de CO2 da Europa), ruído, escassez de água potável, dificuldades na gestão de resíduos, ausência de espaços verdes, entre outros.

«A expansão é particularmente evidente em países ou regiões que beneficiaram de políticas regionais e de financiamentos comunitários» e que, para além de terem uma elevada densidade populacional, têm apresentado um «vigoroso crescimento económico», tendo sido esse o caso de Portugal, segundo a AEA.

A agência acusa ainda as actuais políticas de ordenamento de falta de visão de desenvolvimento urbano e de serem demasiado permeáveis às lógicas de mercado. Recorde-se que em Portugal ainda não foi aprovado o programa nacional de política de ordenamento do território.

ioli.campos@sol.pt

in SOL, Ioli Campos

Thursday, November 30, 2006

Televisão perde para a internet

A disseminação do acesso à internet através de ligações de banda larga está a provocar uma queda nas audiências de televisão, relata um estudo do Ofcom, a entidade fiscalizadora das telecomunicações no Reino Unido, levado a cabo em 11 países.

O estudo revela que, em média, cerca de um terço dos cibernautas com acesso banda larga de internet vêem menos televisão, desde que começaram a navegar na internet. O número de telespectadores que troca a televisão pela internet é cada vez maior, aliciados pela quantidade de serviços oferecidos pela web, como serviços de mensagens instantâneas, como por exemplo o MSN, blogues, sites de redes sociais e com conteúdos gerados pelos próprios cibernautas, como o YouTube. E este fenómeno não atinge apenas os mais jovens, já se começa a fazer sentir em classes etárias mais elevadas.

A pesquisa, realizada em 11 países, inquiriu mil pessoas em cada país. Na Holanda, Suécia e Japão situam-se os índices mais elevados de penetração da banda larga, 58, 45 e 44 por cento, respectivamente. A China apresenta a percentagem mais elevada, a nível mundial, de cibernautas que assistem a vídeos de música e programas de televisão através do acesso rápido à internet.

Os resultados do estudo desvendam que 76 por cento dos utilizadores de banda larga na China vêem videoclips via download ou streaming, enquanto a percentagem dos que vêem televisão através de ligações de banda larga atinge os 70 por cento.

No que respeita o mercado publicitário, o relatório mostra que os anunciantes estão a reconhecer rapidamente a enorme procura de conteúdos online e que a publicidade na internet atrai quase 10 por cento dos investimentos em publicidade no Reino Unido.
De salientar que o estudo conclui que a audiência de emissoras de rádio tem vindo a aumentar através dos acessos à web.


in SOL