As "cidades do futuro" pretendem ser verdes, sustentáveis, inteligentes e low cost. Isto já existe. Chama-se "Campo". Frederico Lucas

Thursday, November 30, 2006

Tradição e Inovação Alimentar

A obra Maria-Manuel Valagão (Org.) Tradição e Inovação Alimentar – dos recursos silvestres aos itinerários turísticos será apresentado no âmbito das actividades do CETRAD, a 18 de Dezembro pelas 17h, no Auditório da Biblioteca Central da UTAD, Quinta de Prados

O livro referido resultou de um Projecto PO AGRO DE&D intitulado “Inovar e valorizar as tradições alimentares enquanto precursoras da conservação da natureza e do desenvolvimento local em Alcácer do Sal”. Foi escrita por 10 autores e é composto por 7 capítulos, que tratam de sabores, plantas silvestres, itinerários turisticos em torno do ambiente, do património e da gastronomia. A obra foi apresentada em Lisboa, a 27 de Nov., no Clube de Jornalistas.

Monday, November 27, 2006

Sunday, November 19, 2006

Why?!


Deixei de viver em Lisboa há mais de um ano e, na última viagem, verifiquei algo que presentia:
- Os cafés, outrora cheios de gente, permanecem vazios o dia inteiro;
- Os centros comerciais, outrora cheios de clientes, hoje cheios de visitantes (verifica-se pelos sacos das lojas que os acompanham, ou não)
- Numa papelaria, onde entrei para comprar umas folhas de papel vegetal, fui alertado 2 vezes sobre o custo unitário das mesmas, que era de 80 cêntimos
- Os meus amigos, da geração dos trinta, queixam-se que não ganham o suficiente para sobreviver (800-1000 euros/mês), os outros, da geração dos 50-60 queixam-se que têm que subsidiar os filhos a meio dos meses

Porque motivo insistem as pessoas em viver em Lisboa?
Sabem o que é teletrabalho? E telecentros?

O país está todo em crise. Mas uma coisa posso garantir: O interior desconhece esse tipo de pobreza. Tal como desconhece arrendamentos habitacionais superiores a 350 euros ou infantários superiores a 120 euros.

Thursday, November 16, 2006

As Cidades e a Inovação


É esta difusão em rede da "inovação" que se pode dinamizar com o projecto da "Capital Europeia da Inovação", reconhecendo que quando se fala de "inovação" está a falar-se de "organizar" objectivamente o processo da "inovação" criando as infra-estruturas necessárias e as redes relacionais adequadas à consolidação duma "pulsão" inovadora através da Europa.

Estamos a falar de uma convergência entre o processo político – a gestão da cidade e das suas áreas de influência – e o processo económico – o reforço das condições de competitividade da região e das empresas nela localizadas.

Artigo interessante que confronta o actual modelo de desenvolvimento com a Estratégia de Lisboa.

Mais uma síntese de conceitos!

Monday, November 13, 2006

Desenvolve, desenvolve!

Onde encontro informação detalhada sobre Desenvolvimento Regional? Um sítio (www) que me explique de forma objectiva a estratégia dos próximos 5-10 anos a nível nacional e regional. Disponibilizar informação pertinente que permita situar futuros investidores em matéria de recursos e projectos de desenvolvimento numa escala regional.
Falo do acesso a um instrumento de planeamento na qual seja possível perceber, por exemplo, que no Baixo-Alentejo privilegia-se o aproveitamento dos recursos naturais associados à produção de energias alternativas, e que no Litoral Alentejano dar-se-á mais ênfase ao aproveitamento turístico nas áreas protegidas. E podemos (devemos) aprofundar a análise: disponibilizar uma matriz de recursos, competências, potencialidades, tudo devidamente contextualizado em suporte de informação geográfica.

A tendência para que os municípios se definem em matéria de desenvolvimento regional ganha pouca consitência na medida em que se persiste em desenhar estratégias “concelho-cêntricas”.
Se na faixa poente ao eixo Braga-Faro, o tecido empresarial tem dinâmica suficiente para imprimir um ritmo de desenvolvimento e crescimento satisfatório, temos o reverso da medalha virado para nascente, em que tudo depende da administração local. É neste cenário que a missão dos autarcas do interior pressupõe um grau de exigência acrescido. Independentemente das competências de gestão autárquica, o interior do país necessita urgentemente de políticos com visão, arrojo, irreverência.
Na verdade, quem sou eu para saber daquilo que o país necessita? Ok, então sou eu que preciso de políticos mais inspirados, mais carismáticos… uma geração de políticos Mais!

Parêntese à parte, voltando àquilo que poderia ser o Portal do investidor, ou plataforma virtual de Desenvolvimento Regional, gostaria de ver uma iniciativa semelhante partir precisamente das regiões “deprimidas”. Existem aliás exemplos de posicionamento interessantes aos quais interessa dar eco. Alguns municípios trilham novos caminhos na esfera do desenvolvimento. Agregar iniciativas e articulá-las em prol de uma estratégia regional é um mecanismo de projecção que não podemos ignorar.

Se isto não representa uma oportunidade de negócio em si, poderá pelo menos perfilar-se como uma oportunidade de desenvolvimento.

Friday, November 10, 2006

A Arte de Inovar

Guy Kawasaki é um idiota da comunicação. Faz interpretações inteligentes num blog que merece a nossa visita.
Este The Art of Innovation! pode ser um bom contributo para a nossa discussão em Inovação & Inclusão!

Enjoy!

Sunday, November 05, 2006

Porto perguntas sem resposta?

Elisa, Ferreira, Eurodeputada

Penso não fazer nenhuma revelação especial se disser que gosto muito da minha terra, o Porto, e que tenho imenso orgulho nela. No entanto, tal como acontece frequentemente com os filhos ou com os que nos são muito próximos, a excessiva aproximação reduz-nos por vezes a capacidade de ver as situações em perspectiva; nesses momentos, as opiniões ou reacções de "forasteiros", sejam eles nacionais ou estrangeiros, tornam-se um instrumento insubstituível de auto-conhecimento. Foi o que ocorreu comigo, há dias, ao participar numa reunião que levou à cidade do Porto um número interessante de portugueses cultos e bem informados; são precisamente algumas questões e perplexidades vindas dessas pessoas que fundamentam os comentários seguintes.

Uma primeira consideração, partilhada por quase todos, dizia respeito à qualidade das instalações do novo Aeroporto do Porto. Curiosamente, vivendo maioritariamente em Lisboa, muitos daqueles cidadãos começavam por desconhecer uma das melhores infra-estruturas nacionais. Logo depois veio a nota que já se tornou corrente tal como uma "bela adormecida", o novo aeroporto - limpo, arejado e moderno - exibe amplos corredores vazios, onde os passos e o rolar dos "trolleys" ecoam; e, verdade seja dita, o contraste é mais flagrante quando se tornam cada dia mais desagradáveis os atrasos frequentes e o ar superlotado, pouco cuidado e visual e fisicamente poluído do aeroporto da capital.

Daqueles atentos e activos cidadãos choveram diversas perguntas para as quais não tive resposta e que aqui quero partilhar. Por que é que o tráfego que sobrecarrega o actual aeroporto de Lisboa não é repartido com o Porto de forma a optimizar as duas infra-estruturas? Por que é que o aeroporto do Porto não se especializa em atrair as companhias "low-cost"? Por que é que, sendo o aeroporto do Porto muito mais qualificado que o de Vigo, há aparentemente mais portugueses a apanhar voos internacionais na Galiza do que galegos a fazer o inverso? Que estratégia de promoção do aeroporto do Porto está a ANA a seguir? Não seria recomendável uma autonomia relativa na gestão do aeroporto do Porto, à semelhança do reconhecido sucesso da gestão do porto de Leixões, para que algumas destas ineficiências encontrassem solução? Como irão os processos de privatização previstos influenciar a gestão desta magnífica infraestrutura?

Tantas perguntas rapidamente deram lugar a outras, mais prospectivas. Havendo já sobrecapacidade instalada, continua a justificar-se o novo aeroporto da Ota? E tendo o aeroporto do Porto interface com o metro, o aumento da velocidade ferroviária da ligação Porto-Lisboa e Porto-Vigo não obrigará a rever todo este quadro? Será que a anunciada antecipação da ligação a Vigo acabará por reforçar a atractividade do Porto em relação à Galiza ou será o contrário que vai ocorrer?

De novo, não fui capaz de responder, tal como não sou capaz de entender os valores a que se chegou nos cálculos que inicialmente justificaram que a penalização das SCUT ocorresse só no Norte; como confesso que também não sou capaz de dizer quais os novos projectos estruturantes que, no âmbito da nova fase de apoio da União Europeia, vão ajudar o Norte a sair do seu marasmo e a dar conteúdo à Estratégia de Lisboa na cidade e na região; como igualmente não sou capaz de saber o que será a Administração Pública quando o PRACE estiver implementado e que nível hierárquico terá ela na cidade e na Região…

A verdade, porém, é que temos de ter respostas, como sociedade, para estas e outras questões. Porque, mesmo que pessoalmente possa tentar obtê-las de forma parcelar e individual, em democracia as respostas e as estratégias, as decisões e a respectiva razão de ser têm de ser claras e de fazer sentido aos olhos dos cidadãos em geral.

É também verdade que, como diz o povo, "quem não aparece, esquece". O Porto e a região que naturalmente lidera, o Norte, apresentam um dos maiores índices de desemprego nacional e a tendência mais marcada de declínio a nível nacional, tal sendo uma das infelizes causas para a maior fatia de apoio comunitário que o país vai continuar a receber. Ora, uma região pobre de um país pobre não pode ser laxista nem tímida na defesa dos seus interesses nem, muito menos, dar-se ao luxo de gerir ou deixar gerir mal aquilo que tem de bom. As respostas existem e podem mesmo ser negociadas, desde que as perguntas surjam colocadas de forma clara por quem para tal tem legitimidade ou, mais do que isso, o dever de o fazer...

Elisa Ferreira escreve no JN, semanalmente, aos domingos

Sunday, October 29, 2006

Trancoso vai ser «cidade biológica»

Vai ser a primeira em Portugal a acolher projecto e uma das primeiras do mundo
O Tribunal Europeu do Ambiente anunciou este sábado que vai instalar um projecto-piloto em Trancoso com vista à elaboração de uma «cidade biológica», informou à Agência Lusa o seu director no final de um encontro anual.

Segundo Emanuel Dimas de Melo Pimenta, arquitecto e músico, no encontro que decorreu entre quinta-feira e sábado naquela cidade, ficou estabelecido «colocar um projecto piloto em Trancoso, para a elaboração de uma cidade biológica, a primeira em Portugal e talvez umas das primeiras do mundo».

O projecto, adiantou, deverá avançar ainda este ano e será coordenado pelo arquitecto António Cerveira Pinto.

«Poderá - precisou - servir de base para o projecto que ele tem para Lisboa, que visa transformar a cidade e a região do Vale do Tejo na 1ª Grande Área Metropolitana Sustentável da Europa».

A ideia do arquitecto, projectada para ser desenvolvida na era pós-petrolífera, assenta na utilização de energias e meios de transporte alternativos e na «penalização de todas as industrias produtoras de CO2», como revelou durante o encontro anual daquele Tribunal, onde expôs o projecto, que está englobado na acção «O Grande Estuário».

O projecto baseia-se num novo conceito energético que prevê a reconversão de toda a economia da região da capital e numa clara aposta em desportos e actividades não poluentes, bem como o recurso a meios de transporte «amigos do ambiente».

Outra das decisões dos participantes no encontro internacional - realizado sob o tema «As Origens do Futuro» - está relacionada com a criação de um observatório «de todos os processos ambientais e sociais, a expandir entre a Índia, os Estados Unidos da América e Portugal», indicou Emanuel Dimas de Melo Pimenta.

A acção a desenvolver «nos próximos meses» servirá «para compreender as mudanças das nossas sociedades a todos os níveis e descobrir novos caminhos em termos ambientais».

in "Diário Digital"

Thursday, October 26, 2006

Berkeley no iTunes



A Escola Superior de Berkeley, da Universidade da Calafórnia, partilha no iTunes as suas aulas!

Julgo que se trata de uma excelente iniciativa em nome da democratização do conhecimento.

Sunday, October 22, 2006

Foi há 25 anos!

"No futuro, como vão os jovens universitários de hoje actualizar os seus conhecimentos?"



Onde está a nossa capacidade de inovar?
Porque motivo olhamos hoje para os nossos problemas sem "ousadia"?!

Para ti, mãe: "A ousadia é genial!"

Boa semana de trabalho!

Investimento em equipamentos cria défice no crescimento global de Serviços de TI em Portugal

O ritmo de crescimento para o sector de Tecnologias de Informação no mercado nacional é superior à média registada no resto da Europa o que leva a IDC a prever que entre 2005 e 2009 o investimento no sector leve a um crescimento acumulado de mais de 40 por cento em Portugal, mais 10 por cento do que é esperado no resto da Europa ao longo do mesmo período.

Contudo, é o mercado de equipamentos que obtém maior investimento por parte das empresas nacionais, superando os 54 por cento face aos "34 por cento da média europeia". Esta é uma realidade que tende a agravar com o aumento do peso específico do hardware, que deverá atingir os 60 por cento em 2009, em detrimento do sector de serviços, ou seja, o contrário do que se pode observar na Europa, onde este sector ocupa uma posição dominante.

A IDC reforça a sua previsão ao referir que, excluindo os serviços de outsourcing, o crescimento global dos serviços de TI entre 2005 e 2009 é seis por cento inferior aos valores registados nos restantes países europeus.

Estima-se que discrepância de investimentos entre os dois sectores acarrete impactos negativos ao nível da actividade dos fornecedores de TI, que obtêm "margens de lucros mais reduzidas na comercialização de equipamentos que em prestações de serviços", e nos índices de produtividade e competitividade dentro da comunidade utilizadora, já que a falta de investimentos gera "um fraco nível de definição estratégica e de planeamento", o que para a IDC é reflexo da lacuna estrutural existente no segmento empresarial português.

Paralelamente, também os investimentos em software representam valores superiores aos registados na média europeia, embora estejam abaixo dos números requeridos para a recuperação do atraso tecnológico e de organização. Mais uma vez, o crescimento neste segmento, é impulsionado pela actualização tecnológica e não tanto pela necessidade de investimento em aplicações e ferramentas de desenvolvimento.

Para 2006, a IDC, estima que o mercado global de TI seja dominado por um crescimento moderado, onde os principais players serão obrigados a repensar a sua "oferta de produtos e serviços em função das oportunidades de fusão e aquisição" e as estratégias de inovação - ao nível de clientes, de modelos de distribuição e de venda -, "adequados a um ambiente competitivo e em rápida mutação".

Contudo espera-se que as TIC obtenham um crescimento moderado, o que se reflecte junto dos fornecedores que apostam em novos produtos e serviços, mais modelos de negócio e "novos tipos de relacionamento com a comunidade utilizadora".

A aquisição de pequenas empresas, com especializações em determinados segmentos de mercado, assim como as fusões entre organizações continuarão a desempenhar um papel relevante junto do redimensionamento das empresas fornecedoras.

Prevê-se que o modelo Open Innovation venha potenciar a criatividade a partir de fontes externas à empresa, o que poderá trazer grandes mudanças ao nível de vários segmentos, "desde o open source até outras comunidades mais fechadas", já que, utiliza os benefícios da Internet para "acelerar o aumento da produtividade, constituindo uma importante contrapartida aos efeitos igualizadores da globalização", diz a consultora.

São esperadas novas versões de implementação online de aplicações por parte dos líderes de software aplicacional e estima-se que o "efeito Google" venha a expandir-se o que implica um impacto ao nível dos modelos de distribuição de software, agregação de conteúdos, publicidade, comunicações e media. Também os sectores financeiros, de transportes, de viagens ou de leilões iram sentir os reflexos desta tendência tecnológica, diz a IDC.

No entanto, a previsão aponta para a supremacia da tecnologia na oferta de serviços às empresas e aos consumidores, o que aumenta o "número de fabricantes de equipamentos extra-informática e o aumento da oferta de BPO".
in tek.sapo.pt

Thursday, October 19, 2006

Como se reflecte a inovação nas empresas dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria

Avaliar até que ponto a inovação é transferida para as empresas e incrementa, na prática, a sua competitividade, é o aspecto essencial de um estudo, de âmbito internacional, em que participa o Instituto de Estudos Regionais e Urbanos (IERU) da Universidade de Coimbra. No trabalho que aqui se apresenta, da autoria do Professor Henrique Albergaria, director do IERU, os dados permitem desde já avaliar, ainda que numa fase precoce, a capacidade das empresas dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria em definir uma estratégia de desenvolvimento assente numa base tecnológica e no grau de integração que a inovação tem no seu tecido empresarial.
«Existe a convicção generalizada de que a inovação é o ingrediente mágico da competitividade e que sem ela nem as empresas sobrevivem facilmente, nem os países conseguem prosperar. Ciente da importância da inovação e procurando aumentar a competitividade europeia, constantemente ameaçada pelos EUA e por alguns países asiáticos, o Conselho Europeu, fixou em 2000 o objectivo de converter a União Europeia, no prazo de 10 anos, na economia baseada no conhecimento mais competitiva e dinâmica do mundo (objectivo que é conhecido como a Estratégia de Lisboa).
Os dados mais recentes revelam que os objectivos associados à estratégia de Lisboa, nomeadamente o de fazer subir até aos 3% as despesas de I&D no conjunto da EU, são inalcançáveis até 2010. Mais grave ainda, existe o risco da EU continuar a perder competitividade face aos seus concorrentes mais directos. Portugal, em particular, tem redobradas razões para investir na inovação dado que a intensidade de I&D no nosso país (1% do PIB) é cerca de metade da média comunitária.
Mas investir em inovação é apenas umas das facetas do problema. Do ponto de vista económico o que interessará, em definitivo, é avaliar até que ponto a inovação é transferida para as empresas e incrementa, na prática, a sua competitividade.
A informação estatística oficial fornece elementos esclarecedores sobre a importância da inovação nas empresas, embora, por motivos de colecta de informação, o tratamento dos dados se efectue à escala nacional, privilegiando-se assim a análise sectorial ou o estudo comparativo dos diferentes países europeus.
No entanto, embora muito menos estudada, a desigual capacidade das regiões em integrar a inovação nos seus tecidos produtivos é um tema que deveria merecer uma atenção particular dada a importância que tem para a elaboração de políticas que visam promover o desenvolvimento regional sustentado.
É essa a perspectiva do projecto ATI – Aglomeração Território e Inovação, projecto internacional financiado pelo programa INTERREG IIIB-SUDOE e coordenado pela Câmara de Comércio e Indústria de Pau-Béarn em que as questões de atractividade do território e da inovação são analisadas à escala regional e infra-regional. Enquanto parceiro do projecto, o IERU começou por desenvolver um trabalho exploratório que consistiu na análise sumária dos distritos do litoral da região Centro (Aveiro, Coimbra e Leiria) na óptica da inovação. É uma síntese desses resultados que aqui se apresenta.
1. A inovação nas empresas: fontes estatísticas

Tão importante quanto saber qual a situação e as tendências a nível nacional é analisar o potencial de inovação e a capacidade que a nível regional as empresas revelam para integrar a inovação na sua actividade. A análise do perfil produtivo dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria na óptica da inovação a partir dos resultados do CIS (Community Innovation Survey) corrobora essa ideia.
O CIS é um inquérito harmonizado às empresas dos países da UE que permite analisar o seu desempenho em matéria de inovação. Actualmente o CIS vai na sua 4.ª edição mas os dados que aqui se apresentam referem-se ao CIS III cujo período de referência é 1998-2000.
O universo considerado para a realização deste inquérito corresponde ao total de empresas com 10 ou mais trabalhadores e pertencentes aos sectores da indústria e dos serviços.
Para a selecção da amostra e recolha dos dados utilizou-se o método de amostragem estratificada segundo a dimensão das empresas (pequenas, com 10 a 49 trabalhadores, médias, com 50 a 249 trabalhadores e grandes, com mais de 250), e a actividade principal da empresa (3 classes e 42 actividades), pelo que os dados desagregados por distrito não têm representatividade a nível regional. Ainda assim, atendendo ao peso dos distritos analisados no total nacional, os resultados disponíveis permitem tirar algumas ilações relativamente à importância da inovação na actividade das empresas dos distritos estudados, assim como sobre o tipo de inovações introduzidas.
O número de empresas que constituem a população de referência para o CIS III em Portugal foi de cerca de 24.000 empresas, das quais 3.107 no distrito de Aveiro, 889 no distrito de Coimbra e 1.517 no distrito de Leiria.

2. Introdução de processos e produtos novos nas empresas de Aveiro, Coimbra e Leiria

Na óptica do CIS, o requisito mínimo para que se atribua a classificação de inovação é que o produto, processo, método de marketing ou organizacional seja novo (ou significativamente melhorado) para a empresa. Nessa pressuposto, que nos dizem os dados acerca da adopção de processos novos e a introdução no mercado de produtos novos?
Começando pela percentagem de empresas que afirmaram ter adoptado novos processos produtivos entre 1998 e 2000, constata-se que abaixo da média nacional (31,1% de respostas afirmativas), só figura o distrito de Leiria (27,0%). Pela positiva o destaque vai para o distrito de Coimbra que regista 47,6% de respostas afirmativas e depois para Aveiro (37,3%).
No que diz respeito à venda de produtos inovadores entre 1998 e 2000 (Quadro 1), constata-se que são muitas mais as empresas que lançam produtos novos para elas mas que já existem no mercado, do que as empresas que lançam produtos que são novos no mercado. Em ambos os casos o destaque vai para o distrito de Leiria. Assim, neste distrito, 28,7% das empresas declarou ter lançado um produto novo no mercado enquanto que em Coimbra essa percentagem foi de 21,7%, muito próximo da média nacional.
No que se refere ao lançamento de produtos que são apenas novos para as empresas que os fabricam mas que já existem no mercado, verifica-se que o destaque vai novamente para Leiria onde a taxa de respostas afirmativas atinge 40,8%, muito acima de Coimbra (28,7%) e da média nacional (27,9%).

3. Recursos humanos e financeiros afectos à inovação

No que respeita à avaliação dos recursos financeiros que as empresas afectam às actividades de inovação, os dados recolhidos permitem concluir que de todas as actividades consideradas, é na “aquisição de maquinaria e equipamento” que os montantes despendidos pelas empresas são mais avultados, atingindo 89% do total de despesas declaradas pelas empresas sedeadas no distrito de Coimbra (ver Quadro 2). Dos distritos em causa, é em Aveiro onde as despesas com a aquisição de novos equipamentos são menores, apesar de corresponderem a quase metade do total gasto em inovação. Neste distrito assumem particular relevância as despesas com “formação, marketing, projecto industrial e outros procedimentos”, aproximando-se mais da média nacional do que os restantes distritos.
No que diz respeito aos recursos humanos que se dedicam a actividades de investigação e desenvolvimento nas empresas (e medidos em ETI – equivalente tempo inteiro), o total nacional estimado no quadro do CIS III foi de 12.392 ETI. Desse total, 13% fazem parte de empresas localizadas no distrito de Aveiro, 9% localizam-se em Coimbra e apenas 3,3% em Leiria.

4. Mudanças estratégicas e organizacionais

Questionaram-se as empresas acerca de mudanças estratégicas e organizacionais ocorridas no período de 1998 a 2000 (Quadro 3). Constata-se que são as empresas leirienses as que mais inovam na estratégia e nas estruturas organizacionais, embora as empresas localizadas no distrito de Coimbra revele um desempenho satisfatório face à média nacional sobretudo no que diz respeito às mudanças estratégicas.
Na introdução de novas técnicas de gestão sobressaem as empresas de Coimbra, embora tanto Leiria como Aveiro apresentem também resultados superiores à média nacional. As empresas do distrito de Coimbra são ainda as que mais inovam nos conceitos de marketing e na estética dos produtos, apresentando, em ambos os casos, valores claramente acima da média do país.

5. Fontes de informação

Relativamente às fontes de informação de que resultaram sugestões para projectos de inovação o inquérito considera as fontes internas, as fontes de mercado, as fontes institucionais e outras. No Quadro 4 constam para cada tipo de fonte de inovação a percentagem de empresas de Aveiro, Coimbra e Leiria que atribuíram a nota “Alta” à utilização que fizeram da referida fonte.
Constata-se que as fontes internas de inovação, sobretudo as oriundas da própria empresa, assumem um papel preponderante na implementação de inovações já que mais de 35% das empresas nacionais reconhece a sua importância como “Alta”. Em termos regionais, verifica-se que as fontes oriundas da própria empresa são preponderantes e claramente acima da média nacional nos distritos de Aveiro e Leiria. As empresas do distrito de Coimbra revelam a particularidade de utilizarem em larga escala (metade do total) as fontes de inovação internas oriundas de outras empresas do grupo.
Relativamente às fontes de mercado, as respostas obtidas mostram que tanto os fornecedores como os clientes, constituem uma importante fonte de informação para uma elevado percentagem de empresas, com destaque para Aveiro e Leiria, distritos onde a taxa de respostas com a nota “Alta” em relação ao total das empresas está muito acima da média nacional. Os concorrentes, por outro lado, como seria de esperar, são a fonte de mercado a que as empresas menos recorrem.
No que diz respeito às fontes institucionais que as empresas têm ao dispor, designadamente o Ensino Superior e institutos de I&D, públicos ou privados, os dados disponíveis tornam bem evidente a sua fraca utilização. As respostas são muito insatisfatórias, principalmente tendo em conta que nestes distritos estão localizadas duas universidades públicas (Aveiro e Coimbra) e vários outros estabelecimentos de Ensino Superior ou Politécnico. Fica assim bem clara a debilidade das ligações Universidade – empresa para a transferência de conhecimentos e tecnologia, cujos efeitos poderiam ser muito favoráveis ao desempenho das empresas e ao seu posicionamento competitivo.
Nas outras fontes de informação, o destaque vai para as feiras e mostras de produtos, que 41,7% das empresas de Leiria e 37,2% de Aveiro consideraram ser um fonte de inovação “Alta”, percentagens bem superiores à média nacional (25,3%) e à registada no distrito de Coimbra (20,5%). Ao contrário, é diminuta a percentagem de empresários que atribui uma importância elevada às conferências, reuniões e publicações, enquanto fonte de inovação. Neste caso o destaque vai para Coimbra onde apenas 2,4% dos empresários classificaram esta fonte de inovação como “Alta”, percentagem bem abaixo da média nacional (8,6%).
Em jeito de conclusão, importa começar por recordar que os indicadores que definem o posicionamento de Portugal em matérias relacionadas com I&D e com a inovação, colocam o nosso País numa posição pouco invejável no contexto da União Europeia. Esta situação já de si indesejável, reflecte-se aparentemente de forma significativamente diferenciada a nível regional, como o sugere alguns dos apuramentos realizados a partir do CIS III relativos à inovação nas empresas dos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria.
É certo que a amostra do CIS III não foi construída para ser representativa a nível distrital e por isso os resultados aqui apresentados não podem ser interpretados sem esse alerta, embora a dimensão do enviesamento seja significativamente temperada pelo peso económica que os distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria têm no total nacional.
Contudo, a insuficiente representatividade dos dados para este nível espacial não compromete os aspectos essenciais da análise, interessando sobretudo, para cada um dos indicadores escolhidos, estimar a ordem de grandeza da diferença dos valores que separam os distritos entre eles e em relação à média nacional.
Assim, assumindo que o principal objectivo da análise é avaliar, ainda que grosseiramente, a capacidade de cada distrito em definir uma estratégia de desenvolvimento assente numa base tecnológica e no grau de integração que a inovação tem no seu tecido empresarial, os resultados apresentados sugerem a existência de situações muito diferenciadas que não deixarão de condicionar fortemente os cenários de desenvolvimento que é possível traçar para o seu futuro».

E ainda...

Doutorado em Economia na especialidade de Planeamento e Economia Regional, Henrique Soares de Albergaria, de 57 anos, é desde 1985 Professor Auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e tem leccionado também na Faculdade de Direito, desde 1995 no Curso de Estudos Europeus (Política Regional) e desde 2004 na licenciatura em Administração Pública (Economia Urbana).

Presidente do IERU (Instituto de Estudos Regionais e Urbanos) da Universidade de Coimbra) desde Outubro de 1991, Henrique Albergaria já foi director do INE na Região Centro (1991-2004), representante de Portugal no grupo de trabalho da OCDE sobre Indicadores Territoriais (1999-2004), no grupo de trabalho do Eurostat sobre Estatísticas Urbanas (1999-2002) e presidiu à Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (1996-2005).

O Instituto de Estudos Regionais e Urbanos (IERU) da Universidade de Coimbra é um organismo interdisciplinar de investigação e formação científicas nas áreas das problemáticas regional e urbana e do desenvolvimento. Constituído em 1986 na dependência directa da Reitoria, assumiu a forma de associação sem fins lucrativos em 24 de Julho de 1992.

Os objectivos principais do IERU são a promoção da investigação científica, a prestação de serviços a instituições públicas ou particulares e o ensino pluridisciplinar de estudos de pós-graduação. Nos anos mais recentes, o IERU tem desenvolvido projectos financiados pelos programas comunitários INTERREG e ESPON, e elaborado estudos para diversos organismos, principalmente Câmaras Municipais.

O IERU, com a Região de Lafões, participa no projecto AGATE (Agricultura, Aglomeração Atlântica & Território), financiado pelo programa europeu INTERREG IIIB - Espaço Atlântico e no qual estão envolvidos parceiros de vários países (Portugal, Espanha, França, Escócia e Irlanda) e que tem, entre outros, os seguintes objectivos: Desenvolver a interdependência entre as zonas rurais e os centros urbanos; promover a cooperação entre os actores locais e as parcerias público-privados; promover a emergência de projectos estruturantes para a região.

O CIUMED, no qual o IERU participa, é um projecto financiado pelo programa comunitário INTERREG IIIB SUDOE, cujo objectivo principal é contribuir para a promoção, no sudoeste europeu, de um sistema policêntrico e equilibrado de cidades, capaz de transmitir a todos os municípios, por mais pequenos que sejam, os impulsos do desenvolvimento económico e o bem-estar social.

O projecto ATI - Aglomeração Território e Inovação, no âmbito do qual o IERU elaborou o estudo que publicamos nestas páginas, visa melhorar o conhecimento dos territórios a fim de concretizar os parâmetros da sua atractividade; procurar as ligações entre a investigação universitária e a investigação aplicada à indústria na rede de cidades médias do Sudoeste europeu, a fim de favorecer e potenciar os grandes eixos de desenvolvimento económico e os recursos locais; integrar as cidades de média na rede de inovação a fim de identificar os seus recursos próprios e o seu potencial de desenvolvimento.


in Campeão das Provincias

Wednesday, October 18, 2006

Madrid, operação limpeza

No seguimento do desafio lançado à BlueAngel, já anteriormente anunciado, publica-se a 2ª parte do texto sobre a viagem a Madrid, desta vez dedicado às operações de limpeza subsequentes à realização dos eventos.

Botellón, botelleo ou botellona é uma prática comum em Espanha desde finais do século XX. Trata-se do facto de levar bebidas alcoólicas, sumos, pequenos snacks e tabaco para as ruas e consumi-los com os amigos em qualquer lugar público, desde que fora de portas. Qualquer calle fica imunda e num estado lastimável depois de uma noite de animação e confraternização deste tipo. São garrafas pelo chão, copos em cada esquina, sacos de supermercado por todo o lado e lixo até perder de vista. O primeiro comentário natural perante este cenário é: “que nojo! Como é possível? Amanhã deverá ser impossível passar por aqui!” Enganem-se todos! Não é por acaso que o botellón foi proibido em Barcelona este ano. Não sei como se passava o pós-botellón na capital da Cataluna, mas em Madrid é impressionante a forma como o lixo é recolhido em três tempos e com método:

primeiro – o lixo é recolhido em montes separados ao longo das ruas;

segundo – os desperdícios são colocados em sacos próprios, atados com um nó e assim ficam em pequenos conjuntos;

terceiro – o carro do lixo passa e são recolhidos todos os sacos que estão de um dos lados da rua;

quarto – volta a passar o carro e os funcionários apanham os sacos que se encontram do lado oposto;

quinto – as ruas são lavadas com água com a passagem de carros próprios de lavagem.

E numa fracção de minutos as ruas recuperam um ar limpo e agradável. De manhã quando se regressa às calles parece que se está noutra cidade, mas ainda não se saiu do mesmo lugar.

O que há aqui de extraordinário é a capacidade de organização de nuestros hermanos e a forma como conseguem ter a casa em ordem depois da verdadeira tempestade por ali ter passado. A forma como toda esta operação está organizada e é posta em prática é a prova de que a logística madrilena no campo da limpeza e manutenção da cidade é uma máquina bem montada e em bom funcionamento. Só posso falar como espectadora, não falei com nenhum responsável por esta operação, fiquei impressionada pela forma como se pode colocar uma cidade de pé em poucas horas. Mais um exemplo que temos de anotar, afinal não temos por cá o botellón e as nossas ruas, às vezes, bem que precisavam de uma limpeza a sério. Saudações virtuais

BlueAngel

NB – informações mais detalhadas sobre o botellón

NB – as fotos são retiradas da net, mas reais. Por razões de segurança não era conveniente levar a máquina fotográfica para a rua à noite.

Monday, October 16, 2006

Inovação contradição

Plano Tecnológico, Simplex, protocolo com o M.I.T, protocolo com a Microsoft... tudo para colocar Portugal na via da inovação.
O desígnio do país associa-se definitivamente ao conceito Inovação nos próximos anos.

Contudo, no blog dedicado à inovação e Inclusão, parece-me oportuno analisar o conceito e tentar alargar o espectro sobre o que parece ser a missão de uns quantos iluminados.
Incomoda-me que seja constantemente associado o conceito de inovação às novas tecnologias, electrónica, sistemas de informação... Significaria que as pessoas sem domínio das ciências informáticas, bioengenharias, micro-nano-tecnologias e outras ciências binárias, estariam afastados desta prioridade nacional.

Deixo portanto uma questão:
Num período em que se privilegia a inovação, há lugar para pessoas que não sejam peritos em microinformática, desenvolvimento de software,etc..., inovar?

Para além de info-exclusão, corremos o risco de "inov-exclusão", quando na realidade se nos colocam desafios em todos os sectores. É possível inovar em gestão? em comunicação? e no artesanato? agricultura? turismo? ensino?
Mais do que na forma e nos métodos, devemos também pensar e repensar conteúdos. Inovar na acepção de introduzir mais valia como forma de nos tornarmos mais competitivos.

Inovar com tradição?
É preciso lembrar que há um país distante dos pólos de investigação e dos centros tecnológicos. Gostaria portanto de ver a ruralidade inserida nos meandros da inovação. São extraordinários os desafios que se nos colocam. Para além da necessidade de estar na vanguarda dos progressos na ciência e tecnologias, temos o dever de confrontar inovação com um Portugal rural. Contradição? Na verdade, trata-se transformar inovação numa tradição, compromisso de uma geração para atenuar assimetrias interior/litoral.

Tavira prepara cooperação com empresas espanholas


Na passada sexta-feira, dia 13, o Clube de Tavira fez a apresentação pública do estudo “Oportunidades de Negócio e Inovação no Concelho de Tavira”, integrado no projecto OTCE II – Iniciativa Comunitária INTERREG III – A. A iniciativa, desenvolvida pelo município de Tavira, em colaboração com o de Palma del Condado (Espanha), tem como objectivo promover e estabelecer sinergias de cooperação transfronteiriça entre as empresas instaladas naquelas cidades. No âmbito das acções integradas neste projecto, este estudo pretende avaliar o território de Tavira e equacionar as potencialidades de negócio e os quadros de intervenção municipal na promoção e oferta do seu território.

in Jornal do Algarve

Sunday, October 15, 2006

Curia recebe novo Centro de Inovação da Microsoft


É hoje inaugurado o Centro de Inovação da Curia, resultado da colaboração entre a Microsoft, a Universidade de Aveiro, a Agência de Desenvolvimento Regional, da Web para a Região Centro (WRC) e a Associação de Informática da Região Centro (AIRC), cujo objectivo principal será o desenvolvimento de software para a gestão autárquica.

Este centro é promovido pela Microsoft que dará apoio nas áreas de formação, arquitectura das soluções a desenvolver, assim como na integração das mesmas na rede MIC - Microsoft Innovation Centres - que realiza iniciativas de Investigação e Desenvolvimento conjuntas entre centros e universidades. A gestão do centro estará a cargo da AIRC em conjunto com a WRC e com a Universidade de Aveiro.

A criação do Centro de Inovação da Curia surge no seguimento do protocolo assinado pelas entidades referidas cuja missão assenta na "constituição de um Centro de Desenvolvimento de Software.Net que apoiará a construção de soluções inovadoras de Gestão Autárquica, promovendo a divulgação das soluções produzidas pelo Centro de Desenvolvimento", refere a Microsoft em comunicado.

Este centro irá integrar uma rede de centros de inovação nos quais se inclui o Centro Microsoft para o Desenvolvimento da Linguagem (MLDC), inaugurado em Novembro do ano passado, assim como o Centro de Excelência.Net/Via Tecla na Universidade de Évora e os Centros de Desenvolvimento da rede RECET, criados no seguimento do Memorando de Entendimento entre a empresa de Bill Gates e o Estado português.

Pela primeira vez serão integrados interfaces de língua portuguesa em software de gestão autárquica, havendo ainda a possibilidade de alargar esse mesmo interface a variantes do português falado nos países de língua oficial portuguesa.

A cerimónia de inauguração contará com a presença do Secretário de Estado Adjunto da Indústria e Inovação, Prof. Castro Guerra, do Presidente da WRC e da Agência de Desenvolvimento Regional, Engº João Vasco Ribeiro, do Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Prof. Litério Augusto Marques e do Presidente da AIRC, Dr. José Marques.

in tek.sapo.pt


Ainda sobre este tópico:
http://www.litoralcentro.pt/

Thursday, October 12, 2006

Jack Nilles comenta msg sobre telecentros!


Jack Nilles, pai do conceito Teletrabalho, comenta ideia dos Telecentros na Beira Interior.

I have long felt that home-based telework in Europe and Asia would be more difficult than in the US because of the disparity in home sizes (250 sq.m in the US vs 100 sq.m in Europe and less in most of Asia). So I was always surprised when I visited Europe to see so many home-based teleworkers. I think that you are still right; there needs to be more effort on developing neighborhood and regional telework centers. One of the chapters in my book Managing Telework concentrates on the issues of marketing telework centers.

Best regards,

Jack Nilles

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Jack M. Nilles
JALA International, Inc.
jnilles@jala.com
www.jala.com
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Madrid, acessos para todos

A autora do blogue Monólogos & Diálogos esteve recentemente em Madrid para assistir ao grande concerto do George Michael. Questionei-a sobre o que teria identificado, em termos de organização e funcionamento da cidade madrilena, que denunciasse uma aptidão superior ao existente nas nossas grandes cidades.
A resposta, que se segue, orientou-se na direcção das acessibilidades dos cidadãos com necessidades especiais.

Não é preciso ser muito perspicaz para perceber que, em Madrid, há acessos para deficientes motores em variados locais. Restaurantes, museus, teatros, cafés, entre outros locais, estes meios existem. Sejam rampas ou cadeiras elevatórias eléctricas, estes acessos fazem parte do dia-a-dia madrileno e a sua presença não é indiferente a ninguém. Não há dúvida que nuestros hermanos dão mais atenção e se preocupam mais com todos os seus cidadãos do que os portugueses, pelo menos na capital daquele país. Por terras espanholas eliminar os obstáculos com que os deficientes se deparam diariamente parece ser uma preocupação que pretende deixar de o ser.

Não há quem não tenha ouvido histórias sobre deficientes motores que tiveram dificuldade de acesso a um local público ou de lazer.

A enorme escadaria do teatro onde está em exibição o musical de sucesso Mamma Mia, na Gran Via, poderia ser um obstáculo para um cidadão que circule numa cadeira de rodas. Mas a cadeira elevatória eléctrica na mesma entrada prova que este espectáculo é acessível a todos e que não há cidadãos de primeira nem de segunda no que diz respeito ao entretenimento. No Museu Nacional do Prado cadeiras semelhantes às descritas dão acesso a uma vasto espólio de pintura para todos. O restaurante Bazaar (onde a nouvelle cuisine é levada ao extremo) tem acesso a todos os que quiserem desfrutar de um ambiente moderno, fashion e encantador.

No decorrer da visita à capital espanhola várias vezes verificámos que esta cidade pretende estar ao alcance de todos os cidadãos e que a quebra de barreiras é uma preocupação constante dos senhores que guardam consigo o poder de decidir sobre estes assuntos. Pena que em Portugal esta situação ainda seja tão desprezada e negligenciada! Temos mesmo aqui ao lado quem nos saiba dar algumas lições sobre este assunto.
Saudações virtuais
BlueAngel



Muito obrigado pela tua contribuição!

Wednesday, October 11, 2006

Na rota da inovação

A capacidade de integrar tecnologias e gerar soluções para problemas complexos constitui um nicho de negócio em que Portugal pode ter cada vez mais reconhecimento e visibilidade global.


Não foi por acaso que a Comissão Europeia escolheu Portugal para organizar conjuntamente o primeiro Seminário de Alto Nível sobre boas práticas no âmbito da Agenda de Lisboa. Sob o lema ‘Excelência e Parcerias para uma Europa Inovadora’, uma dezena de boas práticas foram apresentadas. Dessas, duas são portuguesas. A primeira resulta da promoção de condições favoráveis à criação de empresas inovadoras, domínio em que Portugal foi recentemente classificado como ‘Top reformer’ pelo Banco Mundial. A segunda, partilhada com Espanha, é a criação de um Instituto Internacional de Investigação no domínio da Nanotecnologia, que reunirá 200 investigadores de alto nível - 1/3 portugueses, 1/3 espanhóis e 1/3 recrutados a nível mundial.

Também não foi por acaso que Portugal foi escolhido para a realização em Dezembro da Cimeira Europeia de Capital de Risco, na qual 200 investidores e instituições de investimento de toda a Europa discutirão tendências emergentes nos mercados das biotecnologias, das tecnologias da informação e da energia e interagirão com 150 empresas inovadoras - entre as quais 50 portuguesas - em busca de financiamento. Esse evento, que congrega em simultâneo quatro iniciativas no domínio do capital de risco e um concurso de empresas inovadoras, marca uma nova etapa na relação da economia portuguesa com as faixas mais dinâmicas da economia europeia e mundial.

O desenvolvimento acelerado do processo de globalização colocou Portugal - uma pequena economia aberta e fortemente exposta ao comércio internacional - perante um extraordinário desafio de modernização. Sem poder continuar a competir com base nos baixos custos dos factores de produção e sem dispor de uma base de qualificação capaz de fazer a diferença, Portugal apostou numa agenda de inovação e de modernização tecnológica, de forma a poder intervir no jogo da competitividade em pé de igualdade com as economias mais desenvolvidas.

Com o Plano Tecnológico e a resposta estimulante que instituições e sociedade civil têm dado à sua agenda, Portugal pode ambicionar ter de novo uma palavra a dizer como território de oportunidade e inovação. Na recente visita a Espanha, o Presidente da República surpreendeu o Rei de Espanha oferecendo-lhe um produto inovador de concepção portuguesa. Aí testemunhei como muitos empresários portugueses inovadores surpreenderam os espanhóis pela qualidade dos seus projectos e propostas de negócio. A capacidade de integrar tecnologias e gerar soluções para problemas complexos constitui um nicho de negócio em que Portugal pode ter cada vez mais reconhecimento e visibilidade global.

in Expresso, Carlos Zorrinho, Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico

Monday, October 09, 2006

Inovação & Inclusão: "Segunda habitação"?

Muito se escreve sobre as segundas habitações.
Na maioria dos casos associam-se às segundas habitações o conceito de Turismo...

Os tráfegos rodoviários nas autoestradas portuguesas mostram outra realidade: As segundas habitações são cada vez mais as casas que as familias detêm nas cidades.

Isto porque os referidos dados revelam que as viaturas que abandonam as grandes cidades ao fim de semana, em periodos superiores a 1 dia, regressam cada vez mais tarde (segunda e terça feira) e partem cada vez mais cedo (quarta a sábado).

Surge no entanto a seguinte dúvida no estudo destes dados: Porque motivo não estão a reduzir os alunos nas escolas das cidades contra o crescimento nas regiões periurbanas (deduzindo-se assim que a familia estaria alojada nessas regiões e apenas um membro da familia estaria a habitar a residência da Cidade)? Serão estes casos referentes a casais em idade de pré reforma?

Por outro lado, soube recentemente que as "regiões rurais" na periferia das áreas metropolitanas estão com taxas de crescimento na população estudantil a atingir os 150%/ano: Será esta tendência justificada com os custos habitacionais das áreas metropolitanas? Estarão os quadros médios das organizações a ganhar independência geográfica das suas empresas, acedendo às suas "áreas de trabalho" a partir de soluções de redes privadas virtuais (VPN)? Serão exclusivamente os vendedores e os estudantes os clientes das soluções de internet móvel?

Sunday, October 08, 2006

Regiões Inovadoras na Europa



"A rede de Regiões Inovadoras na Europa é uma plataforma de colaboração e intercâmbio de experiências entre regiões que estão em desenvolvimento ou a implementar estratégias de inovação com abrangência regional.(...)"

Visita obrigatória a quem se interessa por desenvolvimento regional.

Multinacionais, clusters e inovação

Ana Teresa Tavares-Lehmann e Aurora Amélia Castro Teixeira, docentes da Faculdade de Economia da Universidade do Porto e investigadoras do seu Centro de Estudos Macroeconómicos e Previsão (CEMPRE), vão lançar na próxima segunda-feira o livro "Multinationals, Clusters and Innovation: Does Public Policy Matter?"
A sessão de apresentação, a cargo do Reitor da Universidade do Porto, José Marques dos Santos, e do professor catedrático da Universidade de Glasgow, Stephen Young, terá lugar no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto às 20 horas. A obra, em inglês, é publicada pela editora internacional Palgrave Macmillan

"Multinationals, Clusters and Inovation: Does Public Policy Matter?" examina as políticas públicas adoptadas pela maioria dos países para atrair investimento directo estrangeiro (IDE), estimular a formação de “clusters” empresariais e fomentar a inovação. São investigadas as actividades de multinacionais estrangeiras, bem como o seu impacto, especificamente no que concerne à sua contribuição para a inovação, para o desenvolvimento de aglomerações industriais, e para o estabelecimento de ligações (materiais e intangíveis) com o tecido local.

A eficiência, adequação, e suficiência destas políticas é discutida em profundidade neste volume, que também propõe, nos seus vários capítulos, propostas de políticas concretas para fomentar o impacto positivo deste tipo de empresas. Um leque variado de experiências, e respectiva evidência empírica, são apresentados, cobrindo uma multiplicidade de contextos, países e sectores.

in Ciência Hoje

Saturday, October 07, 2006

Um regresso às origens

Agricultura biológica é âncora do Valmonte, que tem Espanha como meta

As videiras acabaram de ser vindimadas na quinta de Borba com 27 hectares que alberga o Hotel Valmonte. Os hóspedes também foram convidados a apanhar e a pisar uvas. “O vinho é um elemento fundamental do nosso conceito turístico de regresso às origens”, esclarece Artur Lourenço, o empresário que transformou um ermitério do séc. XVIII “que era uma ruína” num hotel de charme com 14 quartos, após investir de 2 milhões de euros “sem quaisquer ajudas”.

A grande marca do projecto hoteleiro é a agricultura orgânica que lhe serve de suporte. Além de vinho, aquela quinta produz azeite e todo o tipo de legumes e frutas, como maçãs, nêsperas, figos, ameixas, romãs ou melões “com estrume de cabra ou ovelha”, inteiramente para consumo dos hóspedes. “Tudo o que se come aqui são produtos naturais e é feito por cozinheiras do antigamente. Os ovos são das nossas galinhas e o porco preto do nosso vizinho”.

O Hotel Valmonte inaugura oficialmente em Novembro, e se tiver boa aceitação irá marcar o arranque de uma cadeia, que pode vir a abrir umas seis unidades em Espanha, segundo os cálculos do empresário. “Dentro de um ano já saberei se o conceito funciona. Mas julgo que poderá chegar a quatro hotéis em Portugal”, adianta Artur Lourenço, que já identificou o Douro como local privilegiado para outro hotel com o mesmo tipo de atmosfera.

Neste projecto, cuja marca também está nas obras de arte espalhadas pelas salas, no Spa com vista para as laranjeiras ou na simpatia do pessoal alentejano - para não falar nas plantações de lúcia-lima, alfazema ou rosmaninho que dão o nome aos quartos -, os turistas espanhóis são um mercado-alvo.

Proprietário da Sittis, empresa de motivação humana com escritórios em Portugal e Espanha, Artur Lourenço já garantiu a ocupação do hotel em Borba por vários meses com formação para quadros de grandes companhias. Também aqui se marca a diferença: “Despimo-los todos logo na recepção, tiramos-lhes os telemóveis, brincos e relógios. Vão ter de sobreviver como se fossem monges e fazer a sua própria comida. No fim deste retiro, vão repensar a sua actividade com outros olhos”.



in EXPRESSO, Conceição Antunes

Friday, October 06, 2006

Finanças locais


Questão existêncial: Fará sentido aplicar o principio da União Europeia sobre a distribuição de fundos monetários pelas regiões mais desfavorecidos nas leis das finanças locais?

Qual a importância das contribuições do OGE nas finanças autárquicas das duas áreas metropolitanas? Serão essas contribuições imprescindiveis?

Uma "ponte" tramada!


Depois do feriado de ontem (portugal), estamos hoje em frente aos pc's a "fazer horas" para o fim de semana.
Curiosamente, estes dias são para mim os mais interessantes: Permitem-me organizar a papelada que há muito anda entre "pendentes".

Vamos a isto!

Wednesday, October 04, 2006

Inconformismos!


O Bartsky anda inconformado com o ano que escolheu para nascer!

O que é triste é que tem razão: Nem é suficientemente novo para aprender e aplicar com a revolução económica que estamos a viver, nem suficentemente velho para já estar reformado em condições que qualquer cidadão anterior à década de 50 já está a beneficiar

Actores discretos

«O VALOR patrimonial do Vale do Côa é incomensurável», diz José Ribeiro, 58 anos, professor de História há 23 anos na Escola Secundária de Foz Côa e um dos protagonistas da «batalha» entre arte rupestre e barragem. Um célebre acampamento em defesa das gravuras, realizado na semana da Páscoa de 1995 - que terá mobilizado cerca de 2500 pessoas, na maioria estudantes, vindas inclusivamente de Salamanca e de Sanabria, Espanha -, foi apenas uma das acções em que participou apaixonadamente. «Era importante que a defesa do património tivesse gerado desenvolvimento económico», lamenta, dando voz a um sentimento muito partilhado em Foz Côa: «Sentimo-nos como índios dominados por vontades que nos ultrapassam. O interior continua esquecido».

Adriano Ferreira observa com bonomia, aos 56 anos, o «Verão Quente» do Côa. Antigo funcionário de uma conservatória, mas pescador intimamente relacionado com cada palmo da região, tornou-se outro dos indefectíveis do património. Quando viu as primeiras imagens da Canada do Inferno na TV, recordou-se de sítios semelhantes. Foi nada menos que o descobridor das gravuras da Penascosa e de gravuras na Quinta da Barca e conduziu os investigadores a umas e outras. Sorri ao contar como aparece na história científica das descobertas citado como «popular»: «Popular? E eu a pensar que tinha um nome».

Médico, candidato à Câmara de Foz Côa em 1989 e 93, vereador independente nas listas do PS até 1997, dono de uma pastelaria com dulcíssimos produtos regionais: António Sotero, 52 anos, é uma figura. Esteve na preparação da visita de António Guterres, ainda secretário-geral do PS, ao Côa. «Conspirou» alegremente, levou várias personalidades a ver as gravuras, pagou jantares (muitos) a jornalistas e investigadores, expediu cartas, extenuou-se em contactos.

Como clínico, observa «o esvaziamento das aldeias do concelho e a falta de políticas para contrariar a desertificação». Membro da assembleia municipal desde as últimas autárquicas (a Câmara é PS), sonhou um destino diferente para os rabiscos do Paleolítico. «Pensei que podia ser o ponto de desenvolvimento da região. Mas puseram os lobos a guardar as ovelhas».

José Ribeiro, Adriano Ferreira e António Sotero são algumas das pessoas com uma acção pelo menos tão importante como a dos historiadores no desfecho da polémica pela preservação das gravuras. O seu papel pode ser equiparado ao de Mila Simões de Abreu (no alerta e na mobilização que provocou) e de João Zilhão (o arqueólogo que caucionou, com brilhantismo, a antiguidade das gravuras). Geralmente, os artigos científicos omitem-nas ou diminuem o seu papel, como se fossem apenas o instrumento que guia a sabedoria dos investigadores."


in Semanário Expresso, A.H.

Monday, October 02, 2006

Inovar.te



Foi lançada no passado fim de semana uma nova publicação.

Chama-se inovar.te e anuncia-se como "(...)partidários da inovação enquanto fenómeno transversal do desenvolvimento individual e organizacional. Conjecturamos e refutamos, discutimos, reflectimos mas sobretudo procuramos as respostas. Obedecemos ao tripleto: recombinação, mudança e inovação!"

Acesso ao blogue da revista

Saturday, September 30, 2006

PÚBLICO: "Índice de competitividade coloca Évora no topo e Porto em último"


(imagem de João Espinho)

O jornal Público de hoje publica um artigo sobre a competitividade das capitais de distrito de Portugal continental.
O referido artigo reporta-se a um estudo de Paulo Mourão e Júlio Barbosa, docentes da Universidade do Minho, e aplica a grelha de avaliação do Forúm Económico Mundial (vulgo "Forúm de Davos").

No referido estudo, destacam-se pela positiva e por esta ordem, Évora, Lisboa, Coimbra, Beja, Leiria e Castelo Branco.

A presença de Lisboa no segundo lugar justifica-se apenas pela destacada performance "Laboral", uma vez que esteve mal classificada nos restantes items. Isto é, quer em termos "Demográficos" (3º lugar), "Empresarial" (6º lugar) e "Conforto" (14º lugar), Lisboa esteve longe de ficar bem classificada.

O que neste blogue temos defendido é que a redução da importância geográfica das unidades produtivas do sector terciário e quaternário, fruto da implementação da banda larga no território nacional, provocará um exôdo urbano justificado pela busca de melhores condições de vida ("Conforto") em que as cidades Évora, Beja e Castelo Branco ocupam as três primeiras posições. Sem surpresa, todas pertencem ao interior do País.

PDF do estudo referido.

Friday, September 29, 2006

Constituição de Empresas

O custo para o registo de novas empresas comerciais passou de 200 euros para 500 euros.
Parece-me excessivo, mas não sei justificar se é caro ou barato.

Pergunto-me apenas se faz sentido permitir que o custo do registo comercial seja factor impeditivo ao empreendorismo a população desempregada

Wednesday, September 27, 2006

Turismo, no dia mundial?






Celebrou-se supostamente o Dia Mundial do Turismo.
Eu não dei por nada!

Aquele sector supostamente estratégico e crucial para o desenvolvimento equilibrado do território, galinha dos ovos de ouro de um país estranhamente absorvido em reflexões existenciais... o Turismo.

Lia-se no site da Publituris: "Continua-se, praticamente, a usar os métodos de promoção dos anos 60 - distribuição de folhetos e give-aways, participação em feiras de turismo, sem suporte publicitário nem iniciativas que chamem a atenção dos media internacionais, tudo em numerosas caravanas de executivos à beira da reforma e que contratam cada ano promissores quadros estagiários de marketing com pouca experiência e sem espaço de manobra criativa. Há poucos portais electrónico de turismo com o dinamismo da indispensável actualização diária dos conteúdos. E a presença de Portugal nas publicações do trade prima por ser escassa, ineficaz e, por vezes, inconsistente."

Pois, é sobre um modelo de desenvolvimento arcaico que insistimos em trabalhar. isto numa área supostamente decisiva para o futuro do país. Não basta seguir os bons exemplos. Inovar. Inovar. Inovar. Uma necessidade...

Revejo-me num país de líricos. Uma capacidade de sonhar fora de série, uma capacidade de executar fora de qualquer explicação racional... Só neste contexto admito tanta inércia.

Tuesday, September 26, 2006

A Europa Tecnológica

Deixar passar ao lado a oportunidade criada pelo Instituto Europeu de Tecnologia será um erro grave

Escrevi há uns meses nesta coluna («Viagem à Lua», 14.01.2006) que a única forma da Europa se manter competitiva é através da aposta renovada e reforçada na inovação nas novas áreas do conhecimento.

A Europa não se pode deixar encurralar entre a capacidade criativa dos EUA e a pujança industrial da China, sob pena de, dentro de duas a três décadas, perder definitivamente a influência na definição do ‘mundo desenvolvido’. Para isso, a Europa tem de começar já a criar e explorar comercialmente as novas fronteiras do conhecimento.

Neste contexto, a recente decisão do Conselho Europeu e da Comissão Europeia de criar o Instituto Europeu de Tecnologia (IET), reveste-se da maior relevância estratégica para o nosso futuro. Pretende-se que o IET venha a ser a referência mundial nos domínios da educação, da investigação e da inovação tecnológica. A «Agenda de Lisboa» não se concretiza com boas intenções, mas com acções objectivas. O IET é, muito provavelmente, a medida mais estratégica e estruturante para se atingir os objectivos da «Agenda de Lisboa».

Os meios financeiros do próximo quadro comunitário de apoio para 2007-2013 vão em grande parte ser canalizados para a inovação e, em particular, para a capacidade de transformar essa inovação em bens e serviços capazes de competir no mercado global. Neste sentido, o IET deverá desempenhar um papel fundamental.

Acho extraordinário que uma decisão tão importante tenha passado praticamente despercebida na comunicação social do nosso país. Espero que as nossas Universidades e os nossos Institutos de Investigação de referência estejam muito atentos e a elaborar já uma estratégia para virem a participar activamente no IET. Penso que a forma mais eficaz de participação portuguesa seja através de uma estratégia comum dos nossos principais agentes da inovação, não esquecendo as nossas empresas mais inovadoras. O IET vai ser organizado em ‘comunidades do conhecimento’ que arrancarão em 2009 e quem estiver já mais bem posicionado ganhará uma vantagem competitiva no desenho definitivo do IET. Uma coisa é certa: deixar passar ao lado o IET será um erro grave para Portugal.

In Expresso, João Picoito,Professor catedrático convidado, Universidade de Aveiro

Saturday, September 23, 2006

País macrocéfalo

O concentracionismo é o entorse que o crescimento, a eficiência e a acumulação fazem ao desenvolvimento

O concentracionismo é o que é. É entorse que o crescimento, a eficiência e a acumulação fazem ao desenvolvimento. Uma entorse que os políticos têm o dever de contrariar, como o demonstra esta história cativante. A UE criou dez agências em dez países. Quase todas ficaram fora das capitais.

Há dias, a notabilíssima Agência Europeia de Segurança Marítima, com apetecível missão técnica e científica, inaugurou a sede em Lisboa. É caso para dizer, parabéns, Lisboa. Renovo, porém, dúvidas de 2004. Por que razão se cometeu, de raiz, à nascença, mais um genuíno acto concentracionário? Não haveria, entre nós, outras cidades que reunissem requisitos de mar, porto, universidade? Questão política, esta, que magoa governantes, primeiro Guterres, depois Barroso, depois não sei mais quem. As explicações para a escolha foram frouxas, rudimentares, evasivas, estavam já encalhadas no belo estuário. Releio, a propósito, ‘Portugal, país macrocéfalo’, 1966. O livro mereceria uma adenda, 40 anos volvidos, em jeito de espantosa confirmação das tendências que o jornalista Silva Costa desnudou aos olhos do regime, estava Salazar para partir, Marcelo para chegar.

In Expresso, Miguel Cadilhe

Sunday, September 17, 2006

Acesso à Net a 100 Mb na rede PT em 2007

A Portugal Telecom vai disponibilizar, nos primeiros meses de 2007, largura de banda de 100 Mb, informou a empresa em conferência de imprensa hoje realizada em Aveiro.

Através da PT Inovação, a operadora encontra-se, de momento, a desenvolver o projecto, «inovador a nível mundial», de acordo com a empresa, com o objectivo de potenciar o par de cobre da tradicional linha telefónica.

A iniciativa inclui o desenvolvimento de um módulo que permitirá «dotar as casas do cidadão comum com uma velocidade de acesso à Internet cerca de cinco vezes maior que a melhor oferta comercial actual», acrescenta a empresa em comunicado.

O projecto incide sobre uma tecnologia chamada VDSL2, ainda em fase de normalização internacional, e está em andamento há vários meses nos laboratórios da PT Inovação, em Aveiro, prevendo-se que os primeiros protótipos possam estar disponíveis ainda no decurso do mês de Outubro.

A PT informou ainda que, «até ao final do corrente ano, todo o sistema deverá estar estabilizado, do ponto de vista da tecnologia, prevendo-se que as primeiras unidades comerciais possam ser lançadas para o mercado no decurso dos primeiros meses de 2007.»

As novas unidades vão permitir alargar o conceito de Triple Play (dados, voz e vídeo) sobre a linha telefónica para o de Multi Play, em que será possível aceder, em simultâneo, a vários canais de TV, diversos video-on-demand e a um número ilimitado de outras aplicações, como tele-trabalho, vídeo-chamadas, vídeo-vigilância, controlo domótico ou jogos em rede, sobre a linha telefónica actual.

in SOL

Em que medida deve a PRODUÇÃO de serviços de comunicação e informação continuar centralizada nas áreas metropolitanas?

Friday, September 15, 2006

"O Portugal que vence a crise!"

A edição de ontem da revista Visão escreve sobre o Portugal que está a reagir positivamente ao actual momento de crise.
Os diversos exemplos indicados são reveladores de mérito e coragem dos seus actores, mas porventura ficou de fora o principal instrumento de combate à crise económica portuguesa: A deslocalização de empresas para o interior do país.

Qualquer pequeno e médio empresário sabe o que aqui já se escreveu: Em valores anuais, empregar 10 pessoas em Lisboa custa 150.000 euros (sector terciário) aos quais acresce o valor das instalações que estimo em 15.000 euros. No interior esse valor desce para 85.000 euros de custos com pessoal e de 2500 euros (15% do valor nas grandes cidades) com instalações. Isto é, 87.500 euros contra 165.000 euros.

Estou a ocultar propositadamente os incentivos que os municipios das regiões de Baixa Densidade oferecem aos empresários, porque varia consoante os objectivos estratégicos de cada uma dessas regiões. Posso no entanto adiantar que entre os incentivos comuns está a preferência na entrega de contratos de prestação de serviços a essas organizações e a cedência temporária de instalações e/ou terrenos para a actividade dessas organizações.


Obviamente que esta tendência está a ocorrer fundamentalmente em empresas prestadoras de serviços, cuja "produção" não está condicionada à proximidade fisica do seu mercado, por estar operacionalizada sobre a rede de banda larga.

A provar o exposto está o serviço de reexpedição de correspondência dos CTT. Crescem de forma galopante os contratos de reexpedição de correspondência a partir de Lisboa para o interior do país.

Mas mais importante do que tudo o que se escreveu, está a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.

Wednesday, September 13, 2006

Áreas Rurais de Baixa Densidade

O Prof. António Covas da Universidade do Algarve sintetizou a problemática das Áreas Rurais de Baixa Densidade, no âmbito do 1º Encontro Nacional sobre esta problemática. Um texto a não perder.

Ainda do mesmo autor, segue a transcrição do texto "O espaço rural: de espaço produtor a espaço produzido"

À medida que a cadeia de valor alimentar se foi afastando da matéria-prima agrícola, isto é, à medida que a industria e a cidade foram determinando o ciclo de vida da produção alimentar, a produção teórica da economia rural deixou de falar de espaço rural como um espaço-produtor para falar dele, cada vez mais, como um espaço- produzido. É certo que a actividade agrícola e florestal ainda delimita a paisagem dominante, mas o mundo rural é, hoje, um palco imenso onde se desenrolam todas as representações do mundo actual, das mais paroquiais e populares às mais cosmopolitas e sofisticadas. Em boa verdade, trabalhamos mais com representações do mundo rural, quase todas de proveniência e inspiração urbanas, do que com o “mundo rural propriamente dito”. Estas representações alimentam, de resto, a produção teórica sobre o mundo rural por via de binómios, dualidades e polarizações, em redor dos quais redesenha, ela também, novas representações da “dita realidade”. E, paradoxalmente, ou talvez não, são estas mesmas representações, práticas e teóricas, que criam as novas procuras e os mercados emergentes que atravessam, hoje, em todas as direcções, o espaço rural, matéria-prima de que o “marketing” territorial se apropria para fazer a sua particular estratégia de publicidade e comunicação.
Assim, os urbanos criaram, em primeiro lugar, a dualidade urbano-rural para marcar a superioridade do seu modelo industrial e do seu território urbano ou para se auto- convencerem dessa superioridade. Hoje, após décadas de artificialização do seu insustentável habitat urbano, recriam uma imagem idílica e nostálgica do mundo rural que já não existe. Não é por acaso que se fala, hoje, de agricultura urbana e de hortas sociais ou comunitárias, a lembrar a antiga cintura saloia das grandes cidades.
Do binómio/dualidade em redor dos territórios passámos para a polarização em redor dos produtos. Em pano de fundo, os produtos frescos e as suas sucessivas transformações, um “claro sinal de progresso”. Os acasos do progresso e os acidentes de percurso têm explicado, mal ou bem, as repetidas crises alimentares mas não evitam a polarização da discussão em redor do conceito de segurança alimentar/rastreabilidade dos produtos, logo surgindo, associado a este, o binómio agricultura convencional- agricultura biológica.
Mais recentemente, e na mesma linha de raciocínio, a polarização centra-se sobre os valores naturais intrínsecos, sobre a conservação e a biodiversidade dos recursos naturais, em redor de uma acepção larga do binómio agricultura-ambiente.
Cada uma destas abordagens cria a sua própria verdade, mas, também, o seu arsenal de “propaganda”, ideias simplistas e imagens desfocadas sobre “o seu” mundo rural.
Temos, assim, um mundo rural que é uma espécie de campo de forças em busca de um novo equilíbrio, se quisermos, uma espécie de” não-modelo”, em que nenhuma das representações ainda se tornou maioritária para assentar uma nova realidade agro-rural.
Estamos, portanto, numa situação transitória, num momento de mudança, em que os valores específicos da ruralidade, mais tradicionais ou mais modernos, são objecto de apropriação por actores muito diversos que os usam para estratégias muito variadas que, para simplificar, podemos apelidar de “marketing comunicacional”. Não vamos discutir, aqui e agora, a bondade ou maldade destas estratégias de apropriação levadas a cabo por interesses diversos, desde os mais comerciais até aos mais culturais. O que importa realçar, nesta altura, é a evidência de que o espaço rural se transmutou de espaço- produtor em espaço-produzido. Esta transmutação, feita essencialmente por agentes citadinos ou urbanos, significa umas vezes verdadeira modernização agrária, outras vezes turistificação vinícola, oleícola ou cinegética, outras vezes, ainda, simples elemento decorativo para “happenings” cosmopolitas, aproveitando a amenidade de uma barragem, de um rio ou outra linha de água. Tudo isto, para além, obviamente, do “folclore local” que vende ao passante de ocasião os “produtos típicos” da região.
Quer dizer, estamos em plena fase de artificialização do espaço rural, espaço reconstruído a partir de elementos exteriores de proveniência muito diversa, que se combinam com a paisagem rural para fazer uma espécie de decoração de interiores, ao sabor da imaginação comunicacional, publicitária e comercial dos seus promotores.
Todos os dias os meios de comunicação social nos fazem chegar estas incursões urbanas em meio rural, como casos de “sucesso fulgurante”, devidamente acompanhados de elementos publicitários que visam passar a imagem da moda, a saber, a sábia combinação do tradicional e do moderno.
O que se lamenta, nesta trajectória, não é a quantidade e a qualidade destas incursões urbanas em meio rural, que muitas virtudes terão, mas, antes, a ausência quase absoluta das associações científicas, técnico-profissionais e sindicais do mundo agro-rural que se demitiram de ter voz própria sobre os problemas que o afectam. Fica-se com a sensação de que a subsídio-dependência dos últimos vinte anos envergonhou de vez os representantes do sector agrícola e do mundo rural e que a distorção de imagem assim produzida teima em persistir. O mesmo acontece com o mundo universitário e politécnico na área das ciências agrárias e da economia e sociologia rural que perdeu alunos e públicos, nos últimos anos, ao nível das formações inicial e contínua. Já para não referir a própria a instituição política “Assembleia da República” que acabou com a comissão parlamentar de agricultura, sem um único gemido que se ouvisse por parte do mundo rural. E, no entanto, apesar de todas as dificuldades, o mundo rural volta a estar na moda, como, de resto, é fácil de constatar na comunicação social.
O tempo que vivemos é de um silêncio ensurdecedor. Aguarda-se uma nova distribuição de subsídios. Ninguém está interessado em causar muita turbulência. Atenção que o espectáculo vai continuar.

Monday, September 11, 2006

5 Anos



Será a "TOLERÂNCIA" uma atitude fundamental à sobrevivência do nosso planeta?!

Sunday, September 10, 2006

"Abril" em Setembro!

Todos os anos, nos primeiros dias de Abril, somos metralhados com mil e uma estórias/teses sobre o 25 de Abril de 1974.
Julgo que a todos, por se tratar de um tema repetitivo até à exaustão, recai legitimamente o impulso de ignorar tal informação.
Para os "filhos de Abril", que nada fizeram por essa luta e cuja "Democracia" conheceram como um direito adquirido, limitam-se a observar os "Actores de Abril", seus pais em muitos casos, a proteger novos situacionismos em detrimento do interesse público, isto é, das gerações seguintes.

Muito recentemente fui surpreendido, por colegas e amigos, por uma enorme ignorância sobre o estado social em data anterior ao golpe de 25 de Abril.

Selecionei, julgo que sem polémica, o site da Associação 25 de Abril como a melhor fonte informativa sobre a referida temática.
No editorial, Vasco Lourenço assina o texto que se segue sob o título A RESTAURAÇÃO DA DEMOCRACIA.

"(...)Em 25 de Abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas (MFA) derrubou o regime de ditadura que durante 48 anos oprimiu o Povo Português. Nessa madrugada do dia inicial, inteiro e limpo (como poetizou Sophia de Mello Breyner) os militares de Abril foram claros nas suas promessas: terminara a repressão, regressara a Liberdade, vinha aí o fim da guerra e do colonialismo, vinha aí a democracia.

Com tudo isso, a Revolução dos Cravos pôs fim ao isolacionismo a que Portugal estava condenado há já vários anos e ajudou ao nascimento de novos países independentes. Constituindo-se o movimento pioneiro de enormes transformações democráticas em todo o mundo e demonstrando que as Forças Armadas não estão condenadas a ser um instrumento de opressão, podendo, pelo contrário, ser um elemento libertador dos povos.

Democratizar, Descolonizar e Desenvolver foi o lema que então fez regressar Portugal ao fórum das nações livres e amantes da paz.

Ao cumprir todas as suas promessas, os capitães de Abril transformaram o seu acto libertador numa acção única na História da Humanidade. Disso se orgulham, nisso se revêem. Porque se não pode apagar a memória, porque importa ter presente a razão de ser do 25 de Abril, a A25A, assumindo-se como herdeira dos que tudo arriscaram para a libertação dos seus concidadãos, convida-o a conhecer a História desses acontecimentos."

Não posso terminar o presente texto sem enaltecer publicamente Salgueiro Maia, personalidade que identifico como a mais corajosa no referido golpe, uma vez que ISOLADAMENTE exigiu a rendição incondicional do poder político, correndo o risco individual de viver naquele instante os últimos minutos da sua existência.

Saturday, September 09, 2006

Festa do Avante: "Não há festa como esta!"


Estive no dia 2 de Setembro na Festa do Avante, evento onde não comparecia desde 1985.
Fiquei impressionado com a quantidade de gente que marcou presença na Atalaia, que segundo nrs. divulgados rondam as 200.000 entradas, renovando assim o título de maior evento cultural em território português.
Julgo por isso, e contrariando a cultura portuguesa, que todos deveríamos tentar compreender os factores de sucesso deste mega evento, que para além de ser um pilar de financiamento de um partido político (PCP no caso), utiliza o acontecimento para difundir diversas mensagens sobre as suas batalhas.

Em síntese, não compreendo a fraca ambição nos eventos como o "Festa do Pontal", para não referir a ausência de actividades nacionais destinadas a simpatizantes e militantes de base dos restantes partidos com assento parlamentar.

Thursday, September 07, 2006

"Eu vivi muitos anos em Lisboa!"

Não é todos os dias que escutamos esta frase TRÊS vezes de diferentes pessoas.
O dia começou na Loja do Cidadão de Viseu, balcão da Portugal Telecom. Dois postos de atendimento, sendo que um disponivel e o outro com duas pessoas em espera. "Oh Ana Paula, podes atender mais este senhor que tem um pedido pendente?!", exclamava a colega que mais uma vez suspeitava que aquele cliente "ia dar água pela barba".
E a Ana Paula lá ia resolvendo os assuntos, ao telefone com a "Marta" de Lisboa, ultrapassando as "dúvidas" que existiam nos diversos pedidos.
No final exclamou: "Eu vivi muitos anos em Lisboa!" Conheço bem a empresa porque já passei por outros serviços.
Achei curioso e continuei o meu dia dedicado à burocracia.
Á tarde, na Repartição de Finanças de Trancoso, fico a saber que mais duas funcionárias daquele serviço, para além de uma terceira que já sabia, também fugiram do stress citadino!

A tónica comum a esta gente é a capacidade de pegar num assunto, aparentemente complicado, com a determinação de o resolver após alguns minutos de contactos "com quem tiver de ser": Sem receios de perturbar a hierarquia.

No final pergunto: Será que a DGOTDU continua a considerar estranho e pouco previsivel o fenómeno do "Exôdo Urbano"?

Desconheço os dados estatísticos, mas algo me parece estranho.

Tuesday, September 05, 2006

Lisboa mais pobre


LISBOA foi a região da Europa que mais empobreceu entre 2001 e 2003. De acordo com as estatísticas para as regiões NUTS II divulgadas na passada segunda-feira pelo Eurostat, o produto interno bruto (PIB) «per capita» em paridade de poderes de compra da região da capital portuguesa foi o que mais se afastou da média europeia neste período.

A riqueza média por habitante recuou 11 pontos percentuais e estava, no final de 2003, nos 104,3% da União Europeia. Este valor é mesmo inferior ao registado oito anos antes, em 1995, quando o PIB «per capita» da região de Lisboa representava 106,6% do nível médio europeu.

Um recuo que, em larga medida, se deve ao fraco desempenho económico português ao longo destes três anos. A economia nacional apresentou um acentuado abrandamento a partir de 2001 e, em 2003, entrou mesmo em recessão com uma contracção do produto de 1,1%. Embora Lisboa esteja acima da média da União Europeia alargada, continua abaixo da média dos Quinze e ainda muito longe das regiões mais ricas do Velho Continente. No topo da lista está a região de Bruxelas com quase três vezes o PIB por habitante da média da UE (277%). Igualmente bem classificados no «ranking» dos mais ricos da União Europeia estão as regiões do Luxemburgo, Paris, Londres e Hamburgo que apresentam todas níveis de riqueza «per capita» acima do dobro da média.

Entre as zonas mais dinâmicas da Europa destacam-se quatro regiões gregas a crescer mais de 10 pontos percentuais da média europeia entre 2001 e 2003, o Luxemburgo que registou o maior aumento neste período e a zona de Bratislava, na Eslováquia, cujo rendimento «per capita» ganhou 8,9 pontos percentuais à média europeia.

Os problemas económicos nacionais não se esgotam, no entanto, na região de Lisboa que continua a ser, apesar de tudo, a mais rica de Portugal. Na lista das dez maiores divergências entre 2001 e 2003 estão mais três zonas portuguesas, nomeadamente Algarve, Norte e Centro que apresentaram diminuições do PIB por habitante em percentagem da média europeia de, respectivamente, 6,5%, 6,4% e 5,8%.

No conjunto das cinco regiões portuguesas continentais consideradas na classificação NUTS II, que correspondem às áreas de Coordenação Regional e que são consideradas para efeitos de fundos comunitários, apenas o Alentejo não está entre as mais afectadas. A região alentejana perdeu, ainda assim, quase 6 pontos percentuais face à média europeia e apenas ultrapassava os Açores e o Norte no final de 2003, em termos de riqueza criada por habitante. Os Açores e a Madeira também se afastaram da Europa entre 2001 e 2003. O arquipélago presidido por Alberto João Jardim passou de um PIB «per capita» de 92,3% em 2001 para 90,4% em 2003, enquanto nos Açores a queda foi de 64,5% para 61,1% nestes três anos.

Na Península Ibérica, só as sete regiões portuguesas - as cinco do continente e as duas autónomas - e uma espanhola divergiram da média europeia . Tudo isto devido ao elevado dinamismo da economia espanhola que, ao contrário de Portugal que tem estado praticamente estagnado, tem apresentado taxas de crescimento acima dos 3% nos últimos anos.

Apesar do tombo da região de Lisboa, a zona da capital continua bastante distante das restantes nacionais e a ser uma das mais ricas da Península Ibérica. Na desagregação NUTS III, que divide Portugal em quase trinta regiões, a zona de Lisboa apresenta um rendimento acima de 120% da média europeia e ultrapassa mesmo cidades como Barcelona.

in EXPRESSO, João Silvestre

Sunday, September 03, 2006

Málaga é modelo na tecnologia


EM QUINZE anos, a província de Málaga alterou a sua especialização produtiva implantando a economia do conhecimento no seu dia-a-dia.

O «milagre» deveu-se à criação em 1992 do Parque Tecnológico da Andaluzia (PTA), nos arredores da cidade de Málaga, terra natal de Pablo Picasso. No ano passado, o PTA facturou mais de 1000 milhões de euros (mais do que o Taguspark, o maior parque tecnológico português) através das 375 empresas e entidades ali sediadas, a maioria das quais nasceu ali. Só nos últimos doze meses, foram criadas 100 «start-ups».

De uma zona agro-turística, inserida na conhecida Costa del Sol andaluza, o PTA mudou radicalmente a paisagem económica, equivalendo hoje a ¼ do PIB gerado pelo turismo e representando 1,5 vezes o produto gerado pela agricultura local. Este papel de mudança valeu-lhe ser considerado, internacionalmente, como modelo de pólo tecnológico em regiões menos desenvolvidas. «Representamos, de facto, um exemplo de como se pode transformar toda uma região, criando um ambiente de inovação e de economia do conhecimento onde anteriormente nada existia», afirmou ao EXPRESSO Felipe Romera Lubias, director-geral do PTA, que é, também, presidente da Associação dos Parques Científicos e Tecnológicos de Espanha (APTE). O próprio impacto em toda a Andaluzia (7,3 milhões de habitantes) é significativo - o investimento privado em Investigação & Desenvolvimento (I&D) no pólo tecnológico representa 25% de todo o investimento empresarial na região andaluza,

O PTA criou «excelente visibilidade tecnológica numa região que não o era de todo», sublinha Romera, que acrescenta: «Se em alternativa tivéssemos investido no turismo os 150 milhões de euros de fundos públicos - 25% de um total de 600 milhões investido no parque desde 1992 -, duvido que os resultados viessem a ser semelhantes. Não creio que criássemos um novo sector de desenvolvimento, o do conhecimento, que tem muito mais valor acrescentado do que os sectores tradicionais».


Líder em Espanha



O peso tecnológico do PTA é hoje reconhecido em Espanha: lidera em número de projectos de I&D financiados por fundos públicos em parques tecnológicos e ocupa, por ora, o primeiro lugar em investimento público, logo seguido pelo Parque de Investigação Biomédica de Barcelona (que abriu em Maio deste ano e que já mobilizou uma verba de 110 milhões).

O modelo é, por isso, «cobiçado» na América Latina e no Magrebe. «Mais do que os nossos êxitos em transformar uma região agro-turística, procuramos transmitir-lhes os nossos erros, para que não os repitam», conclui Felipe Romera.


in Expresso, Jorge Nascimento Rodrigues

Comparação em números
PTA Málaga

375 empresas instaladas
€1000 milhões de facturação anual
8600 trabalhadores
€600 milhões de investimento privado e público

Taguspark Oeiras

160 empresas instaladas
€900 milhões de facturação anual (inclui parte do BCP)
8000 trabalhadores (incluindo BCP)
€400 milhões de investimento