Thursday, September 18, 2025
Portugal precisa de um critério de mérito no alojamento local
Segundo o New York Times, em Espanha existem 66 mil alojamentos turísticos ilegais. A resposta das autoridades foi clara: encerrar quem não cumpre condições para operar.
Em Portugal, milhares de imóveis devolutos foram recuperados e transformados em alojamento turístico, especialmente nas regiões que mais cresceram demograficamente. Quando o anterior governo tentou intervir no sector, fê-lo de forma pouco eficaz: bloqueou a emissão de novas licenças em determinados concelhos, criando um critério cronológico – quem já estava, ficou; quem chegava, ficava de fora.
Mas o turismo é demasiado estratégico para o país para depender de atalhos administrativos. É essencial em todas as regiões, gera emprego, fixa população e sustenta economias locais. Impedir novas iniciativas apenas porque chegam “fora de tempo” não melhora o sector nem protege os residentes.
O que faz sentido é um critério meritocrático: deixar operar quem cumpre regras de qualidade, segurança e sustentabilidade. Portugal está a crescer em turismo e em população. Hoje, mais do que nunca, temos a oportunidade de elevar o padrão do nosso alojamento turístico. Os senhorios não ficam sem alternativa – pelo contrário, têm cada vez mais formas de rentabilizar os seus ativos.
É tempo de trocar a lógica de “quem chegou primeiro” pela lógica de “quem faz melhor”.
Sunday, April 06, 2025
O Turismo como Alavanca dos Territórios Rurais
O próximo ciclo autárquico será determinante para o futuro dos territórios rurais em Portugal.
Numa altura em que o país conta com cerca de um milhão de imóveis em ruínas, urge adotar estratégias que conciliem a preservação do património com a dinamização económica local: o turismo rural é uma dessas estratégias, provavelmente a mais eficaz.
Atualmente, apenas 15% das reservas turísticas em Portugal acontecem em territórios rurais. Em Itália, esse valor já atinge os 24%, refletindo uma tendência clara de valorização do turismo de natureza, autenticidade e envolvimento com as comunidades locais. Portugal tem todas as condições para seguir este caminho, com resultados ainda mais expressivos.
O turismo pode ser a alavanca que as aldeias precisam:
- Recuperar imóveis abandonados, com base em modelos sustentáveis de reabilitação e financiamento;
- Revitalizar aldeias, trazendo novos fluxos de visitantes e novos residentes;
- Reanimar o comércio local e os serviços de proximidade, através de turistas que procuram experiências genuínas e desejam interagir com quem os acolhe.
Não se trata apenas de criar camas, mas de criar vida. Uma estratégia autárquica que integre o turismo como eixo de desenvolvimento sustentável pode garantir rendimento a quem investe e a quem lá vive, preservar identidade e fixar pessoas onde escasseiam.
É tempo de agir com visão e responsabilidade.
Wednesday, January 18, 2023
Estamos preparados para responder ao "Bleisure"? *
A RTP3 emitiu na passada terça feira o documentário "The Future of Travel"/O Futuro das Viagens, onde convidava o espectador a reflectir sobre o futuro do turismo e a sustentabilidade dos meios para as realizar.
Os viajantes que usam tecnologias para trabalhar e viver de forma remota têm necessidades e preferências diferentes dos viajantes tradicionais. É por isso importante preparar os territórios para esta nova realidade:
a) Hotspots WiFi gratuitos e estabilidade de sinal;
b) Transformação das bibliotecas municipais em espaços colaborativos: estes viajantes gostam de estar em contato com outras pessoas que compartilham suas necessidades e interesses.
c) Qualidade na informação ao turista: tratando-se de pessoas que não conhecem a região, informação útil sobre eventos na REGIÃO e recursos para saúde, alimentação e lazer são altamente valorizados.
A importância do turismo para os territórios rurais é inegável.
* texto escrito com recurso ao ChatGPT
Thursday, December 15, 2022
"Os séniores podem ser os investidores de risco das novas ideias."
Como nasceu o projeto Saveyour.town?
O que faz exatamente o vosso projeto?
Temos várias formas de ajudar as pessoas. Temos um boletim informativo gratuito (www.saveyour.town/subscribe), vídeos todos os meses que enfocam os desafios rurais, falar em público em conferências e eventos e visitas locais.
SaveYour.Town fornece etapas práticas para ajudá-lo a moldar um futuro melhor para sua vila ou comunidade rural, não importa quão pequena seja.
Somos especialistas em soluções de baixo custo, aquelas que funcionarão até mesmo nas comunidades rurais. Promovemos a recuperação de edifícios vazios, Desenvolvimento Económico de áreas industriais e ideias de baixo-custo para a criação de espaços comerciais no centro das Vilas, através de vídeos curtos, cursos mais longos e conjuntos de ferramentas.
Para ações presenciais, eu e a Becky McCray oferecemos palestras, workshops e visitas de ação aprofundadas.
Como a tecnologia pode melhorar as nossas comunidades rurais?
Agora podemos comunicar com as comunidades rurais com mais facilidade graças à tecnologia. As pessoas querem visitar e migrar para as vilas! A maneira como elas as descobrem é por meio de recursos on-line. Ao usar a tecnologia, as empresas rurais podem promover seus negócios fora de suas comunidades e permanecer conectadas com seus clientes.
Poderá o planeamento e o investimento em estruturas de apoio social resolver grande parte dos problemas destas comunidades despovoadas?
Essa é uma pergunta difícil sem uma resposta rápida. O que tenho certeza é que, se a comunidade está disposta e quer ser salva, o planeamento e o investimento em estruturas de apoio social são vitais. Nós olhamos para o planeamento um pouco diferente: queremos que TODOS os que queiram envolver-se e tenham ideias, sejam convidados para a mesa. Não criamos planos de longo prazo (que acabam na prateleira). Planeamos conforme avançamos. Experimente todas as ideias, veja o que funciona.
Como é que num mundo globalizado se aposta no local, acessível e sustentável?
Como é que alguém não aposta no local, acessíveis e sustentáveis? Somos administradores dos nossos lugares e acreditamos que a acessibilidade, os serviços locais e a sustentabilidade ajudarão a manter nosso planeta vivo.
Como atrai os jovens para esses locais?
Não tenha medo de deixá-los experimentar suas ideias. Dê-lhes o poder de tomar decisões. Coloque-os no comando. O que eles querem? Escute-os. Encontre uma maneira de realizá-lo.
E que papel têm os anciãos?
Todos nós estamos presos nesse espaço entre o ontem e o amanhã. Ganhamos nossa experiência nas velhas formas de fazer as coisas, mas essas formas não estão a funcionar como no passado.
Alguns têm medo do futuro, esse medo do desconhecido e, claro, do risco de fracasso. No entanto, para prosperar, todos precisamos olhar para o futuro. Os menos jovens podem ser os investidores de risco das novas ideias.
Vamos até eles para conhecer suas ligações, as pessoas que eles conhecem e que podem ajudar. Reconheça-os e respeite o que eles trazer para a mesa. E os anciãos precisam de estar mais abertos, para permitir que todos participem.
Pode dar-nos exemplos concretos do que seu projeto já alcançou?
Sim! Adoramos contar histórias de ideias e projetos que estão a funcionar. Convidamos os leitores a visitarem a página https://saveyour.town/results-real-people-real-towns/ para conhecerem as nossas concretizações.
Wednesday, August 03, 2022
Casas pequenas para todos!
Para além de um design com inspiração orgânica.
Se o nomadismo está associado ao início da Humanidade, o sedentarismo apresentou-se como a evolução para uma sociedade mais urbana, cosmopolita e estática.
No século passado, o nomadismo esteve associado ao preconceito da falta de raízes e de cultura.
Uma análise histórica revela que os maiores pensadores estiveram associados a viagens e a movimentos migratórios, onde absorviam o conhecimento de diferentes culturas.
O acesso universal à informação - conquista do séc. XXI - que poderia indiciar uma sociedade menos dependente dos movimentos migratórios, despertou diferentes interesses na população pelo nomadismo: enquanto os mais jovens preferem residências sazonais em diferentes países ou mesmo continentes, os mais idosos procuram imersões menos cronometradas em contextos distintos: os slowmads!
Para esses, a resposta das Tinyhouses é normalmente sem rodas e com a cama principal no andar térreo.
A Kodasema, líder europeia em habitações transportáveis, desenvolveu o modelo Koda Extended para este segmento de mercado.
A Eugénia e o Pepe, um casal espanhol que escolheu Portugal para viver, publicaram no seu canal de Youtube o passo-a-passo da construção da sua Modern House Cabin: um alojamento para duas pessoas que alegam ter custado 5.000 euros.
Muitas vezes, a autorização de permanência não excede o periodo de três anos, um prazo suficiente para a experiência residencial dos nómadas digitais e analógicos.
A Pandemia Covid-19 permitiu compreender o potencial do teletrabalho.
Hoje, uma parte significativa dos trabalhadores intelectuais não aceita trabalhar em escritórios dos clientes, pela insustentabilidade energética e condicionamento ao estilo de vida que escolheram.
Monday, January 24, 2022
Linha Regenerar Territórios
Dentro desse programa, foi criada uma linha específica para os investimentos corpóreos em baixa densidade com a designação "Linha Regenerar Territórios" como p.e. construção de Alojamentos Locais ou aquisição de equipamentos para atividades de animação turística, até ao limite de 300.000 euros de investimento, dependente do perfil da entidade promotora.
Os apoios são concedidos com 50% do valor financiado como não reembolsável (fundo perdido), mediante o cumprimento do projecto.
Friday, November 26, 2021
O Regresso da Indústria*
Durante várias décadas, Portugal acreditou que o desenvolvimento da Economia dependia de quadros altamente qualificados e menos de uma estratégia de formação comercial e industrial, que decompôs após o período revolucionário.
Resulta dessa estratégia um incremento elevado de estudantes no ensino superior, em detrimento do ensino profissional.
Todos os estudantes que não se reviam no modelo do ensino superior, foram atirados durante décadas para profissões administrativas, trabalhos manuais e repetitivos.
O nr de patentes é internacionalmente reconhecido como o melhor indicador de inovação de um país.
Na União Europeia é criada anualmente e em média uma patente por cada 6 128 habitantes.
Em Portugal, durante o ano de 2020, foi criada uma patente por cada 36 764 habitantes, apesar de uma melhoria de 23% sobre o ano anterior.
Se a industria está maioritariamente concentrada na China, que compete de forma desigual com os restantes países, a atual disputa na autoria dos produtos: Made in versus Design in.
Para ultrapassar a letargia económica, Portugal precisa de criar contexto para o desenvolvimento de novos produtos e serviços centrados nas necessidades atuais e futuras do mercado.
O atual contexto pandémico mostrou ao mundo as suas fragilidades, em especial os riscos de contaminação em elevados aglomerados populacionais.
Estes novos riscos juntam-se a outros bem conhecidos como a poluição atmosférica e sonora, cujas consequências são amplamente conhecidas.
O nomadismo regressou em força com as novas gerações, e existe uma ausência generalizada de soluções para este novo segmento, que desenvolve individualmente as respostas para as suas necessidades.
Quando uma organização com a dimensão do IKEA identifica essa lacuna e responde com uma solução, existe uma evidência sobre o novo contexto que se aproxima.
Portugal tem todas as condições para ser um centro de incubação e desenvolvimento deste novo modo de vida: hajam politicas e empreendedores capazes de escrever soluções para este novo futuro.
* Regresso da Indústria é um programa da Rádio Observador que inspirou o presente texto, imagem da nova casa transportável do IKEA
Friday, April 30, 2021
e-Villages
A emigração e a revolução industrial foram o mote para o despovoamento, promovendo a ascensão social da população rural.
Passaram seis décadas, e a realidade mostra-nos hoje que uma parte significativa da população empregada em meio urbano vive no limiar de pobreza.
Perante isto, os jovens que procuram local para residir, evitam os elevados custos com habitação nas cidades e optam por soluções à sua medida: periferia das cidades; casas e quintinhas em meio rural; autocaravanas.
Mas existe um problema cuja solução parece mais complexa: apesar de abandonadas, as ruinas em meio rural não estão à venda.
Por ser herança, os proprietários não pretendem alienar essas ruinas, e os interessados ficariam sem oportunidade de viver nessas aldeias, participando assim no seu processo de repovoamento.
A solução que tem sido encontrada é o contrato de Comodato, que permite ao comodatário recuperar e habitar o imóvel e ao comodante manter a propriedade sem custos de recuperação e manutenção.
E este parece ser o caminho mais óbvio para o processo de repovoamento.
Porque pretendem os jovens viver nas aldeias despovoadas?
Uma parte significativa dos nossos jovens está atenta às alterações climáticas e procura estilos de vida longe da poluição citadina.
E para esses jovens, consequência das alterações aos modelos de trabalho, fazem-no a partir de qualquer lugar, desde que tenham acesso à internet.
E por isso, um país com uma das maiores taxas de cobertura de internet, com sol durante todo o ano, afirma-se como um atrativo para essa geração.
E as aldeias, estarão preparadas para receber novos residentes?
Em Aldeia, uma aldeia de Cinfães, a população não acreditava que aqueles jovens estudantes da Universidade do Porto que visitavam há um ano aquele lugar cumprissem a sua promessa de ali viver.
E assim aconteceu: quatro jovens instalaram-se nessa aldeia, na casa dos familiares de um colega de universidade.
Estão a desenvolver o projecto “Casa da Abóbora”, que engloba permacultura, turismo meditativo e residências artisticas.
É um novo recomeço para quem chega, e um alento para a aldeia.
Na Madeira, e com o apoio da Secretaria Regional da Economia, criaram um espaço para “Nómadas Digitais” na vila da Ponta do Sol.
São esperados muitos “trabalhadores remotos”, pessoas e casais que trabalham online.
O movimento já começou. Cabe a cada freguesia, a cada lugar anunciar o seu interesse para acolher novos residentes para que isso possa acontecer.
Depois do e-mail, que revolucionou a forma como comunicamos, as e-villages vão revolucionar a forma como vivemos.
Frederico Lucas, coordenador do Programa Novos Povoadores
info@novospovoadores.pt
Wednesday, January 13, 2021
Linha do Turismo de Portugal reforçada em 300M euros
Este valor é destinado ao financiamento a médio e longo prazo de projetos turísticos que se traduzam:
- criação de empreendimentos, estabelecimentos e atividades implementados nos territórios de baixa densidade, ou
- empreendedorismo.
Friday, June 05, 2020
“Vamos reforçar seguramente a linha de apoio à qualificação da oferta"
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| LUSA/RUI FARINHA |
Foi assim que o Ministro de Estado e da Economia Pedro Siza Vieira anunciou o reforço de uma das linhas mais importantes para o sector do Turismo, naquilo que diz respeito ao investimento.
Monday, December 23, 2019
"Saúde e harmonia também dão jeito"
O António é um fotógrafo de excepção e a Ana escreve com uma suavidade que enternece.
Viviam em Espinho e migraram para uma aldeia de Bragança.
Conhecemos-los através de um blog - The Quality Times - que é um tónico para a alma!
"Temos um vício incurável: o de estar sempre à procura de novos caminhos para calcorrear, sempre com curiosidade para saber o que está para lá da próxima curva.
É esta a nossa resolução para 2020: explorar mais, descobrir lugares novos, quebrar a rotina, procurar um sentido nos dias, esforçar-nos cada vez mais para manter este belo planeta que temos.
São também estes os nossos votos para cada um de vós.
Saúde e harmonia também dão jeito. Esperamos que as tenham em abundância."
Charles Leadbeater defendia no seu livro "We think" que somos o que partilhamos.
E nós, promotores de uma ruralidade sustentável e inclusiva, gostamos de partilhar as coisas boas que chegam até nós.
Se tiver curiosidade, e através do link do blog, poderá conhecer o novo projecto turístico desta família chamado "Bétula Studios" (fotografia).
Votos de um natal junto dos seus, e se for numa aldeia, tanto melhor!
Friday, October 18, 2019
"Portugal Inovação Social está a mudar a forma como as instituições se relacionam"
Decorridos três anos de concursos para o financiamento de iniciativas de empreendedorismo e inovação social, que resultaram na aprovação e financiamento de mais de três centenas de projetos, esta iniciativa é responsável pela mobilização de centenas de entidades da economia social, empresas privadas e entidades da Administração Pública central e local que atuam em estreita colaboração, experimentam e desenvolvem soluções inovadoras para os problemas sociais do presente e do futuro.
Ruraltalks: A inovação social parece ser um dos eixos principais dessa transformação. Quem são os atores privilegiados para operar esta mudança de paradigma?
Filipe Almeida (FA): Vivemos um tempo de profunda transformação na forma como nos organizamos para responder aos problemas emergentes que enfrentamos. A inovação social sempre existiu, mas nas últimas décadas democratizou-se. A possibilidade de experimentar e desenvolver soluções inovadoras para responder a problemas sociais alargou-se a toda a sociedade civil. Como nunca no passado, temos hoje condições únicas que permitem a um número muito significativo de empreendedores e de organizações sociais prosseguir com eficácia o seu desígnio de melhorar o modo como vivemos. Mas nada se alcançará ou consolidará sem parcerias sólidas entre os setores público, privado e social. É nesse cruzamento que está o futuro. E portanto os atores privilegiados para operar a mudança de paradigma são as organizações e as pessoas que em cada um destes três setores entenderem a fundamental importância desta parceria a favor de uma compreensão mais profunda dos problemas coletivos, da experimentação de novas respostas sociais e de novas políticas.
Ruraltalks: Portugal Inovação Social: O que é?
FA: É uma iniciativa pública do governo português criada no âmbito do acordo de parceria com a Comissão Europeia designado “Portugal 2020”, que mobiliza, numa experiência pioneira na Europa, cerca de 150 milhões de euros do Fundo Social Europeu para promover a inovação social e o empreendedorismo social, dinamizando simultaneamente o investimento social e as parcerias entre investidores (públicos e privados) e organizações empreendedoras que propõem abordagens inovadoras para responder a problemas sociais. Tudo isto feito através de novos instrumentos de financiamento alinhados com as necessidades específicas deste setor emergente.
Em que consistiu esse reconhecimento?
FA: Temos atualmente em Portugal um dos ecossistemas de Inovação Social mais dinâmicos do mundo. Esse potencial foi reconhecido pela Comissão Europeia quando em 2014 aceitou reservar uma fatia dos Fundos Social Europeu para dinamizá-lo. E com este novo instrumento de política pública para o apoio ao empreendedorismo social foram criadas condições para experimentar novas respostas sociais para alguns dos mais exigentes desafios.
Ruraltalks: Este é um programa pioneiro na Europa e no mundo: Portugal é o único Estado-Membro com esta política experimental para promoção da Inovação Social.
Como sintetizaria a missão deste programa público pioneiro em Portugal?
FA: Além de dinamizar novas práticas de investimento, de dar voz à sociedade civil e de fomentar a inovação com valor social, eu diria que iniciativa Portugal Inovação Social visa promover parcerias intersetoriais a favor da experimentação das novas políticas públicas. É este um dos seus mais importantes desígnios.
Caberá ao sector público validar e dar escala a estas novas abordagens.
Ruraltalks: A iniciativa PIS tem em funcionamento 4 linhas de apoio. Qual a que obteve maior nr de candidaturas e porque motivo?
FA: Para cumprir a missão da Portugal Inovação Social, criámos 4 instrumentos de financiamento, com dois pressupostos fundamentais: Cada um deles está orientado para responder às necessidades específicas de uma determinada fase do ciclo de vida de um projeto de inovação social; Todos pressupõem o desenvolvimento de parcerias entre investidores e as organizações empreendedoras.
Os objetivos e modelos de financiamento são muito distintos entre eles e portanto o número de candidaturas e projetos aprovados também é muito variável. No instrumento Capacitação para o Investimento Social, que visa financiar o desenvolvimento de competências de gestão nas equipas envolvidas em projetos de inovação social, aprovámos 201 projetos. No instrumento Parcerias para o Impacto, que financia projetos em parceria com investidores públicos e privados, aprovámos até agora 128 projetos. Nos Títulos de Impacto Social, que visa a contratualização de resultados sociais alinhados com prioridades de política pública e o reembolso dos investidores mediante o atingimento desses resultados, aprovámos 8 projetos. E no Fundo para a Inovação Social, um inovador instrumento financeiro que visa facilitar o acesso a crédito e a atração de investimento em capital, estamos a analisar as primeiras candidaturas, esperando que as primeiras operações sejam realizadas até ao fim deste ano.
Ruraltalks: E quais os parceiros mais relevantes para dinamizar o ecossistema de inovação social?
FA: Os municípios tornaram-se um dos principais parceiros no processo de mapeamento e de financiamento da inovação social. São já 84 envolvidos como investidores no cofinanciamento de projetos inovadores. Têm também um papel decisivo algumas fundações de grande impacto, com destaque para a Fundação Calouste Gulbenkian que é o maior parceiro da Portugal Inovação Social. As empresas e os grupos económicos estão também cada vez mais atentos e interessados.
Com este programa, já fomentamos centenas de parcerias de investimento social e Portugal tornou-se um imenso laboratório experimental de novas respostas sociais. E os números que referi vão aumentar rapidamente.
Ruraltalks: Título de Impacto Social: Um modelo de financiamento que revoluciona forma tradicional de apoio à economia social.
O Estado concedeu benefícios fiscais aos investidores num apoio claro a esta iniciativa.
Quais os resultados alcançados?
FA: Os Títulos de Impacto Social são uma das mais inovadoras formas de experimentar novas respostas em áreas prioritárias de política pública, em parceria com o setor privado e social, com baixo risco para o Estado. São contratualizados resultados sociais mensuráveis que um ou vários investidores privados se comprometem a financiar integralmente. Se essas metas forem alcançadas, os investidores são integralmente reembolsados. Para atrair mais capital para este tipo de projeto, foi criado um novo benefício fiscal que permite majorar em 30% todo o investimento em Títulos de Impacto Social, independentemente do seu reembolso futuro. Temos já 8 Títulos de Impacto Social aprovados em áreas diferenciadas: emprego; proteção social; educação; saúde. E até agora, todos os resultados contratualizados foram alcançados, o que é um excelente indicador do êxito destas novas respostas públicas.
Ruraltalks: Acredita que as empresas portuguesas estão preparadas para se assumirem como investidores sociais?
FA: É evidente a mudança de paradigma na forma como as empresas se relacionam com a sociedade e com o Estado. Mas é um processo mais lento do que pode parecer. Ainda temos em Portugal uma cultura de filantropia dispersa e não estratégica. Apesar disso, vejo todos os dias aumentar o número de empresas – grandes, médias e até pequenas – que procuram orientar os seus recursos e competências para projetos com impacto social, coerentes com a sua estratégia de negócio e alinhados com prioridades de política. Parece-me um processo irreversível e estou confiante que daqui a poucos anos a generalidade da filantropia será estratégica e poderemos todos, como sociedade, beneficiar desse alinhamento empresarial com as prioridades sociais.
Ruraltalks: Como vê o futuro depois desta experiência pioneira em Portugal?
FA: A Portugal Inovação Social é uma oportunidade única que tivemos a sorte, como país, de conseguir aproveitar bem. Agora é necessário consolidar a cultura de inovação nas organizações sociais, as práticas estratégicas de investimento social no setor privado, as políticas de inovação social de base local e, principalmente, fomentar intensamente o desenvolvimento de novas políticas públicas com base em evidências. Tudo isto está ao nosso alcance. Como desde o início, este é um projeto de construção coletiva do futuro. E assim deverá permanecer.
Monday, March 11, 2019
Como o crescimento do trabalho remoto vai mudar as zonas rurais
O crescimento do trabalho remoto vai mudar para sempre o equilíbrio populacional entre as cidades e as zonas rurais. Mais pessoas irão decidir morar no interior priorizando a qualidade de vida em detrimento da proximidade do escritório. As aldeias e vilas vão renascer com uma nova geração que quer viver em comunidade, ter filhos a brincar na terra e viver mais felizes junto da natureza.Atualmente a maioria das pessoas que se move das zonas rurais para as cidades fazem-no devido à necessidade de encontrar emprego. A maioria dos empregos concentram-se nas grandes cidades, atraindo mais pessoas, mais trânsito, preços mais altos e mais empresas. É uma tendência que as zonas rurais nunca conseguiram combater apesar de todos os esforços do estado baseados em fundos comunitários e em turismo rural.
No entanto o crescimento do trabalho remoto por todo o mundo está a permitir a cada vez mais pessoas escolherem onde querem viver. Nos Estados Unidos, pioneiros neste movimento, 50% de todos os empregados trabalharam remotamente, de alguma forma, no passado ano. E 70% dos trabalhadores com menos de 40 anos diz preferir trabalhar remotamente a auferir um salário mais alto e muitas pessoas recusam terminantemente qualquer trabalho que não possa ser feito dessa forma.
Esta nova realidade traz muitos benefícios para as empresas, desde a redução de custos com escritórios no centro das cidades à atração e seleção do melhor talento disponível a nível nacional ou mundial uma vez que não terão de se cingir aos 30km ao redor do seu escritório.
Além disso, mais empresas serão criadas e geridas remotamente com a sua equipa distribuída pelo mundo, como já acontece em empresas como a Buffer, Github e a minha Remote-how. Estas empresas não têm um escritório, toda a equipa (centenas de pessoas) encontram-se distribuídas por todo o mundo, tendo liberdade total para escolher onde vivem.
Tendo liberdade de escolha, uma pessoa/família irá procurar o local que ache melhor para viver, desenvolver família com qualidade de vida, sem o stress e perigo das cidades, na natureza, junto de comunidades unidas que se irão apoiar e ajudar a desenvolver o local onde vivem.
Caberá então às aldeias, vilas e pequenas cidades organizarem-se e tornarem-se atrativas para estes millennials à procura de um bom sítio para viver. Existem fatores essenciais que terão de ser uma aposta forte tais como o acesso a uma internet rápida, vida cultural e espaços preparados para pessoas trabalharem (centros de negócios/espaços de coworking).
A Irlanda está a desenvolver um projeto muito interessante de “smart villages” onde ajudam vilas e aldeias que cumprem determinados critérios a desenvolver a sua rede de internet, abrir espaços de Coworking e atrair pessoas para se fixarem na comunidade. Como resultado já existem mais de 25000 trabalhadores remotos a tempo inteiro, espalhados por todo o país onde antes quase toda a força de trabalho se concentrava em Dublin.
O projeto é maravilhoso e um excelente exemplo do que vai acontecer no futuro noutros países que apostem no trabalho remoto. Itália está a posicionar-se para ser o próximo país a investir no seu interior para atrair trabalhares remotos. Quando irá Portugal preparar-se para esta realidade?
Os bons exemplos existem, as empresas nacionais estão a começar a contratar remotamente e muitas vão começar este ano a fazê-lo, as localidades que se adaptarem mais depressa e oferecerem melhores condições de vida vão vencer na atração dos primeiros trabalhadores remotos portugueses.
Tuesday, February 19, 2019
O Papel de Portugal na Europa
Por sua vez, os países do norte têm desenvolvido produtos mais complexos ligados à química, às tecnologias, maquinaria pesada e de precisão.
E Portugal? O que queremos ser? Qual o nosso papel no contexto EU?
Existem excepções em alguns produtos, como o vinho e o azeite, mas genericamente a produção agricola perdeu importância e está muito longe de ser um sector promissor em Portugal.
No centro da Europa, falar de Portugal é sinónimo de tranquilidade, tolerância religiosa, temperaturas amenas, bons serviços de saúde e excelente gastronomia.
Em síntese, é o local onde os europeus gostam de estar.
Hoje, um europeu vive 20 anos em reforma. E quer passá-los com tudo aquilo que Portugal pode oferecer.
E nós temos tudo a ganhar com isso.
Quando foi criada a ASAE, Portugal gritou em protesto contra as medidas restritivas à produção e comércio alimentar.
Hoje, Portugal lidera os rankings europeus em controlo de higiene neste sector, garantindo qualidade da nossa restauração e hotelaria.
Vários investidores europeus adquirem em Portugal hoteis e casas senhoriais, para aí instalarem residências assistidas.
A sector imobiliário vive os melhores dias de sempre, com os estrangeiros a adquirirem quintas e aldeias para se instalarem.
E agora? O que podemos fazer para melhorar a nossa competitividade, e abondonar o crescimento ridiculo que se apoderou de Portugal?
Wednesday, September 19, 2018
Pretende dinamizar um projecto turístico no interior?
As operações de investimento imobiliário concretizam-se mediante:
Thursday, September 13, 2018
A ruralidade tem futuro?
O passado já passou. Vivemos um presente cheio de dificuldades.
Para quê?
Qual o futuro que desejamos para o mundo rural?
Ou, pelo contrário, será capaz de responder mais depressa e melhor aos novos desafios da sustentabilidade ambiental e económica, tão desejada pela população citadina para as suas cidades?
Falar de "ruralidade" nas cidades é quase sempre um apelo à memória.
Vezes sem conta saiem ditados rurais com associações à fome e à sobrevivência que os aldeões já esqueceram.
No campo, ruralidade é sinónimo de despovoamento, provocado pela falta de emprego.
A agricultura de minifúndio não tem sustentabilidade económica e a indústria não chegou à maioria destes territórios.
Cresce pela Europa uma nova indústria baseada em sustentabilidade ambiental e focada nas novas necessidades do mercado: alimentação bio, vestuário e decoração com recurso a desperdício e matérias primas locais.
O burel, a castanha, o mel e o azeite são bons exemplos dessa revolução industrial que vai acontecendo na ruralidade portuguesa.
Hoje, o marketing assume uma importância maior que a produção.
Não interessa produzir com "qualidade", se o resultado final não corresponde com a demanda do mercado.
Hoje, o factor diferenciador para o sucesso de um negócio não é o capital, a qualidade dos recursos humanos ou a tecnologia.
Reside no conhecimento do mercado.
Só assim poderá crescer, e com isso criar mais e melhor emprego.
Com isso combate o despovoamento rural.
Por Frederico Lucas
Thursday, July 19, 2018
“Para que as pessoas visitem um lugar precisam de ter o que ver, o que comer e o que comprar, mas agora é também imprescindível ter o que experienciar”
Por Suzanne Rodrigues
Monday, May 21, 2018
Salão Imobiliário e de Turismo de Portugal em Paris
Este evento anual tem atraído bastantes franceses que procuram oportunidades de investimento imobiliário em Portugal, especialmente numa lógica de rentabilização de capitais.
Quer as imobiliárias quer os escritórios de advogados têm aproveitado este certame para promover os seus serviços.
A componente habitacional foi a melhor representada, mas não a única.
Na área industrial e hoteleira, foram propostas diversas oportunidades de investimento produtivo nomeadamente em soluções para residências assistidas e transformação alimentar.
Os baixos custos imobiliários, a competitividade da mão de obra nacional, a tranquilidade social e a tolerância cultural e religiosa transformam Portugal num dos países mais apeteciveis para a instalação de empresas.
Por diversas vezes, os auditórios foram pequenos para o elevado nr de visitantes que optaram por assistir às diversas apresentações dos patrocinadores deste evento.
A APMRA esteve representada pela sua direcção, onde promoveu o guia de apoio ao investidor francês em Portugal Investir à la Campagne au Portugal, um instrumento que ajuda a identificar oportunidades de investimento no nosso país nos territórios aderentes a esta associação.
Para esclarecimentos adicionais sobre oportunidades de investimento em Portugal, poderá solicitar através do email invest@rural.pt ou pelo telefone +351 271 82 80 82 no horário compreendido entre as 9:00 e as 17:00 (GMT+1).
Monday, May 14, 2018
Movimento pelo Interior
A ausência de reformas estruturais promove custos incomportáveis para a economia nacional, visível no nível de endividamento externo, que aumenta incessantemente desde 1995. A gestão do território ocorre em duas dimensões, ambas inadaptadas ao contexto internacional: poder central e local.
Existe uma ausência de poder executivo intermédio.
Importa recordar que António Oliveira Salazar defendia o isolamento económico da nação, impedindo por isso que as empresas portuguesas atingissem dimensões competitivas a nível global. Passados 44 anos do 25 de abril, Portugal mantém a estratégia de autossuficiência visível nas várias capitais concelhias de produtos de consumo, maioritariamente alimentar.
Tal facto transforma Portugal numa maquete em grande escala das secções de supermercado.
Sair deste nó cego obriga-nos a observar os bons exemplos, nomeadamente os internos. Quando falamos do Vinho do Porto não estamos a referir-nos à cidade tripeira mas antes a toda a região duriense que compete taco a taco com as grandes regiões vinícolas da Europa. O mesmo acontece quando falamos de têxteis ou móveis, cujo músculo empresarial extravasa qualquer dimensão concelhia.
Por outro lado, alguém considerou que faria sentido definir o “interior” de Portugal como “cluster” do Turismo. Creio que se trata de uma estratégia com mais de 60 anos, época em que o despovoamento ainda era residual e o património edificado não concorria com a Idade do Alumínio e das Marquises, que degradou o ambiente estético desta enorme parcela do país.
Quando analisamos, por exemplo, a castanha, um produto promissor na alimentação dos europeus, verificamos que a região francesa de Ardèche tem uma estratégia territorial comum para esse produto. Essa região tem 5.000 km2 e 300 mil habitantes, uma dimensão semelhante ao território sob gestão das nossas Comunidades Intermunicipais.
Este é apenas um exemplo para ilustrar a minha visão para os polos de competitividade de Portugal Rural.
Adicionaria, no entanto, a esta hélice tripla uma quarta dimensão: Sociedade Civil organizada.
Wednesday, April 11, 2018
Valorizar uma região rica em gentes e paisagem!
Foi no Alvito que encontraram o terreno com os ingredientes necessários à história que sonhavam compor: terra, olival, vinha e património arquitetónico.
A vontade de investir em terras portuguesas, uniu-se ao amor por dois dos ícones da produção nacional: a vinha e a oliveira. A isto se juntou um terreno com um passado rico. Nasceu assim a Herdade de Mujadarém, no Alvito.
O projeto assenta em 3 pilares:
1. A produção agrícola, que se subdivide no vinho e no azeite. A parcela engloba 5 ha de olival e 15 ha de vinha onde será construída uma adega de raiz, um projeto arquitetónico contemporâneo integrado na paisagem. O primeiro azeite foi produzido em 2018. A primeira vindima será no ano seguinte e em 2020/2021 começará a comercialização do vinho;
2. A preservação do património arquitetónico, através da recuperação do antigo Convento de São Francisco e da consequente transformando do espaço em ponto de interesse turístico na região do Alvito. O convento vai ter ainda uma mata autóctone, apelidada de “mata dos reis”, que está a ser recuperada de acordo com apontamentos históricos;
3. À produção agrícola e ao património (convento e adega), irá ser acrescentada a vertente do Enoturismo, com a junção dos produtos da terra à reabilitação do Convento em unidade hoteleira.
O percurso nem sempre é o mais simples, mas a vontade de fazer, a possibilidade de investir e a presença eficiente e próxima da estrutura local, favorecem o desenvolvimento deste projeto.
Com um investimento inicial de 4 milhões de euros – valor que será duplicado com a reestruturação hoteleira – a Herdade de Mujadarém já recuperou um olival centenário, plantou uma vinha e criou mais de 15 postos de trabalho. A construção da Adega e a intervenção no Convento como futura unidade de turismo serão as jóias da coroa deste recanto “à beira Alentejo plantado”. O garante de um investimento que irá certamente valorizar uma região rica em gentes e paisagem.
Por Suzanne Rodrigues


















